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Brasil convoca embaixador após ataques de Milei a Lula e Moraes

Governo brasileiro chama embaixador em Buenos Aires para consultas após ofensas de Javier Milei a autoridades brasileiras durante evento político em SP.

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Foto: G1 Mundo
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27/07 às 09:15 · atualizado 21:02

Pontos principais

  • Javier Milei atacou o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes em convenção do PL em São Paulo.
  • O Itamaraty convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas por tempo indeterminado.
  • O chanceler Mauro Vieira chamou o embaixador argentino, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos oficiais.
  • O governo brasileiro classificou as declarações de Milei como uma interferência grave e inaceitável em assuntos internos.
  • O governo argentino sinalizou, por meio de fontes, que não pretende pedir desculpas pelas falas do presidente.
  • Ministros brasileiros, como Dario Durigan e Guilherme Boulos, foram criticados internamente por reagirem com ofensas a Milei.
  • O presidente do STF, Edson Fachin, repudiou formalmente as ofensas dirigidas ao ministro Alexandre de Moraes.
  • A crise diplomática é considerada uma das mais graves entre os dois países nas últimas décadas.
  • O governador de Buenos Aires, Axel Kicillof, criticou a postura de Milei, alertando para riscos à relação comercial bilateral.

O governo brasileiro deflagrou uma crise diplomática com a Argentina após o presidente Javier Milei proferir ofensas diretas ao presidente Lula e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Durante sua participação em uma convenção do Partido Liberal (PL) em São Paulo, realizada para o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, Milei utilizou termos depreciativos contra as autoridades brasileiras, o que motivou uma resposta imediata do Itamaraty. Em sinal de descontentamento, o chanceler Mauro Vieira convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas em Brasília, e chamou o embaixador argentino, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos sobre o episódio.

A reação oficial do governo brasileiro classificou o comportamento de Milei como uma interferência inaceitável em assuntos domésticos e uma violação dos protocolos diplomáticos. Apesar da gravidade do incidente, a diplomacia brasileira mantém cautela e descartou, até o momento, medidas mais drásticas, como a ruptura de relações ou a retirada definitiva da representação diplomática no país vizinho. O governo busca preservar os canais de diálogo, mesmo diante da postura intransigente da Casa Rosada, que indicou não ter a intenção de formalizar um pedido de desculpas pelas declarações do mandatário argentino.

O episódio gerou repercussão interna e externa. Dentro do governo brasileiro, houve críticas à postura de ministros como Dario Durigan e Guilherme Boulos, que responderam aos ataques de Milei com adjetivos ofensivos, contrariando a orientação do Itamaraty de manter o debate em um nível institucional. Paralelamente, figuras políticas como o governador Romeu Zema criticaram a deselegância de Milei, embora tenham ressaltado concordância com críticas pontuais à gestão atual, enquanto o ex-presidente argentino Alberto Fernández classificou o comportamento de seu sucessor como desrespeitoso.

A crise ocorre em um momento de crescente articulação entre lideranças conservadoras na América Latina, fenômeno que analistas comparam à organização histórica de movimentos de esquerda. A participação de um presidente estrangeiro em um evento político interno brasileiro, com ataques diretos a chefes de outros poderes, é vista por especialistas como um precedente inédito e perigoso para a estabilidade das relações bilaterais. O silêncio estratégico adotado pelo governo argentino, segundo fontes locais, visa evitar o agravamento do desgaste, mas a tensão permanece elevada, com o Itamaraty avaliando novos passos diplomáticos nas próximas 48 horas.

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