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Brasil convoca embaixador na Argentina após ataques de Javier Milei

O Itamaraty chamou o embaixador Julio Bitelli para consultas e convocou o representante argentino após ofensas de Milei a Lula e Alexandre de Moraes.

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Foto: G1 Política
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26/07 às 13:02 · atualizado 27/07 às 00:32

Pontos principais

  • O chanceler Mauro Vieira classificou as declarações de Javier Milei como inaceitáveis e uma interferência em assuntos internos.
  • O governo brasileiro convocou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas em Brasília.
  • O embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, foi chamado ao Itamaraty para prestar esclarecimentos.
  • As ofensas ocorreram durante convenção do PL em São Paulo, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
  • Milei chamou o presidente Lula de 'presidiário' e o ministro Alexandre de Moraes de 'lixo careca' durante o evento.
  • O presidente do STF, Edson Fachin, repudiou as falas, classificando-as como desrespeitosas e incompatíveis com a civilidade.
  • O governo brasileiro descartou, por ora, medidas diplomáticas mais drásticas, como a retirada definitiva de embaixadores.
  • A convocação de um embaixador para consultas é considerada um sinal de descontentamento diplomático de alta gravidade.
  • O episódio aprofunda o desgaste nas relações entre os governos de Brasil e Argentina, que já mantinham distanciamento oficial.

O governo brasileiro elevou o tom da crise diplomática com a Argentina ao convocar o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas em Brasília. A medida, considerada um gesto de severa insatisfação no protocolo internacional, foi uma resposta direta às declarações hostis proferidas pelo presidente argentino, Javier Milei, durante convenção do Partido Liberal (PL) realizada em São Paulo no último final de semana. Na ocasião, Milei participou do evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

Durante seu discurso, o presidente argentino atacou frontalmente autoridades brasileiras, referindo-se ao presidente Lula como 'presidiário' e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, como 'lixo careca'. As ofensas foram motivadas, em parte, pela decisão judicial que impediu Milei de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou a postura de Milei como 'inaceitável' e uma interferência indevida em assuntos domésticos do Brasil, convocando também o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos oficiais.

A reação do Itamaraty foi acompanhada por um repúdio público do presidente do STF, Edson Fachin, que qualificou as falas como desrespeitosas e incompatíveis com a civilidade entre Estados. Embora o governo brasileiro tenha optado por não adotar medidas mais drásticas, como a ruptura total de relações ou a retirada definitiva de representação diplomática, a convocação de Bitelli para consultas sinaliza um momento de tensão sem precedentes na relação bilateral. Desde a posse de Milei, os dois governos mantêm um distanciamento oficial, e o episódio em São Paulo agrava o desgaste político entre as duas maiores economias da América do Sul.

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