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TSE avalia punição a Flávio Bolsonaro por uso de deepfake de Jair Bolsonaro

O uso de um vídeo com inteligência artificial na convenção do PL gerou representação no TSE, com magistrados defendendo sanções para evitar precedentes.

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Foto: TecMundo
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30/07 às 10:46 · atualizado 20:32

Pontos principais

  • A Federação Brasil da Esperança acionou o TSE contra o uso de um avatar de Jair Bolsonaro na convenção de Flávio Bolsonaro.
  • Ministros do STF e TSE consideram que a resolução sobre deepfakes é clara e exige punição para evitar riscos ao pleito.
  • A defesa de Jair Bolsonaro negou autorização para o uso de sua imagem, citando a proibição de contato com o filho.
  • O senador Flávio Bolsonaro defendeu a legalidade da prática, afirmando que a equipe jurídica analisou a legislação antes da exibição.
  • O ministro Kassio Nunes Marques, relator do caso, defendeu anteriormente que o uso de IA é lícito se não prejudicar terceiros.
  • Especialistas apontam que a norma eleitoral veda conteúdos sintéticos que favoreçam ou prejudiquem candidaturas.
  • O ministro Alexandre de Moraes intimou a defesa do ex-presidente a esclarecer se houve permissão para o uso de sua imagem.
  • Juristas descartam, neste momento, o risco de cassação da candidatura, focando em multas ou advertências.
  • O caso expõe a falta de consenso no Judiciário sobre a regulação de novas tecnologias no processo democrático.
  • A proliferação de 'Bolsonaros de IA' nas redes sociais tem desafiado a fiscalização da Justiça Eleitoral.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisa uma representação contra o senador Flávio Bolsonaro devido à exibição de um vídeo gerado por inteligência artificial durante a convenção do Partido Liberal (PL). No material, um avatar de Jair Bolsonaro foi utilizado para simular um pronunciamento de apoio à candidatura do filho. A ação, movida pela Federação Brasil da Esperança, questiona a legalidade do uso de deepfakes em campanhas eleitorais, um tema que tem gerado intensos debates jurídicos e divergências entre magistrados sobre a aplicação das resoluções vigentes. Ministros do STF e do TSE avaliam que o caso exige uma resposta punitiva para evitar que a prática se torne um precedente perigoso no pleito. A preocupação central é que a Justiça Eleitoral não adote uma postura excessivamente liberal diante de conteúdos sintéticos, o que poderia comprometer a integridade da disputa. Embora o relator do caso, ministro Kassio Nunes Marques, tenha defendido que o uso de IA é lícito desde que não prejudique terceiros, outros magistrados reforçam que a norma proíbe qualquer conteúdo que possa manipular a percepção do eleitorado, independentemente da intenção de favorecimento. Em paralelo, a defesa de Jair Bolsonaro protocolou petição afirmando que o ex-presidente não tinha conhecimento prévio do vídeo, citando as restrições judiciais que o impedem de manter contato com o filho. Flávio Bolsonaro, por sua vez, sustenta que a estratégia foi submetida a uma análise jurídica prévia e que não houve irregularidades na exibição. Especialistas em direito eleitoral indicam que, embora a cassação da candidatura seja considerada improvável neste momento, a aplicação de multas ou advertências é uma possibilidade real. O episódio reflete um desafio mais amplo para a Justiça brasileira: a proliferação de vídeos manipulados por IA nas redes sociais, que têm sido utilizados por apoiadores e críticos, muitas vezes sem autorização ou controle, forçando o Judiciário a definir limites éticos e práticos para o uso de novas tecnologias na política.

Fonte primária

Federação Brasil da Esperança (PT/PV/PCdoB) / TSE

Representação Eleitoral nº 0601315-97.2026.6.00.0000 (TSE) — Federação Brasil da Esperança x Diretório Nacional do PL e Flávio Nantes Bolsonaro

Representação por propaganda eleitoral antecipada e uso irregular de inteligência artificial, protocolada em 26/7/2026 pela Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) perante o TSE, relatada pelo ministro Kassio Nunes Marques, contra o Diretório Nacional do PL e o senador Flávio Nantes Bolsonaro. A petição descreve o vídeo exibido na convenção nacional do PL em 25/7/2026, no qual um avatar sintético gerado por IA reproduz a imagem e a voz de Jair Bolsonaro dizendo estar "preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária" e pedindo que os presentes recebam "de braços abertos" seu filho Flávio como sucessor, encerrando com a frase "o futuro é Flávio Bolsonaro Presidente". Para os representantes, o conteúdo configura propaganda eleitoral extemporânea — por operar transferência de capital político do pai ao filho e equivaler a pedido de voto — e uso vedado de conteúdo sintético (deepfake), nos termos do art. 9º-C da Resolução TSE nº 23.610/2019, que proíbe recriar imagem e voz de pessoa viva para fins eleitorais mesmo com autorização, classificando a vedação como de "natureza objetiva". A petição nota ainda que Jair Bolsonaro está com os direitos políticos suspensos e sujeito a medida cautelar do STF (Execução Penal 169) que veda a divulgação de manifestos político-eleitorais por qualquer meio, inclusive por terceiros. Pede liminar de remoção do trecho do vídeo dos canais do PL e de Flávio Bolsonaro no YouTube, abstenção de nova divulgação, e, no mérito, multa de R$ 30 mil por publicação e por representado, com base no art. 36 da Lei 9.504/97 e nos arts. 9º-C/9º-H da Res. TSE 23.610/2019.

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