EUA impõem tarifa extra de 12,5% ao Brasil e total vai a 37,5%
Washington alega falha contra trabalho forçado; Brasília aciona a Lei de Reciprocidade e levará o caso à OMC.
Pontos principais
- Os EUA anunciaram em 23 de julho uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros.
- Washington alega que o Brasil não enfrentou práticas de trabalho forçado em suas cadeias de fornecimento.
- A medida se aplica a um total de 60 países e entra em vigor nesta sexta-feira.
- Somada à tarifa de 25% da Seção 301, em vigor desde 22 de julho, o total esperado chega a 37,5%.
- O governo Lula classificou a tarifa como "completamente arbitrária e injustificada".
- Brasília vai acionar a Lei de Reciprocidade e levar a disputa ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC.
- O MDIC estima que a tarifa de 25% atinja cerca de 15% das exportações brasileiras aos EUA, o equivalente a US$ 5,8 bilhões.
A nova alíquota vale para um total de 60 países e entra em vigor nesta sexta-feira. Para os produtos brasileiros já sujeitos à tarifa de 25% imposta sob a investigação da Seção 301, em vigor desde 22 de julho, o governo brasileiro espera que as duas sejam cumulativas, levando o total a 37,5%.
Brasília classificou a medida como "completamente arbitrária e injustificada" e disse que começaria imediatamente os passos necessários para acionar os mecanismos da Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso, além de levar a disputa ao mecanismo internacional de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços estima que só a tarifa de 25% deve atingir cerca de 15% das exportações brasileiras aos EUA, o equivalente a US$ 5,8 bilhões.
Lula reiterou que o Brasil não vai abandonar as negociações e cobrou de Washington provas das acusações. Segundo ele, o governo negociou e apresentou vários documentos às autoridades americanas, mas "nunca encontrou reciprocidade no diálogo"; e disse que o país buscará outros compradores. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também rejeitou a tarifa adicional e afirmou que, apesar das medidas americanas e do conflito no Oriente Médio, a situação econômica do Brasil segue sob controle.
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