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Governo Trump impõe tarifas de 25% sobre produtos brasileiros

A administração dos EUA anunciou taxas de 25% sobre importações do Brasil, citando práticas comerciais desleais e tensões políticas entre os países.

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Foto: Times Brasil
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16/07 às 02:45 · atualizado 08:03

Pontos principais

  • A medida tarifária entra em vigor no dia 22 de julho após uma investigação de um ano conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA.
  • O governo americano alega que o Brasil adota práticas discriminatórias contra empresas de tecnologia e pagamentos, além de restringir o etanol.
  • O secretário de Estado, Marco Rubio, criticou o presidente Lula, acusando-o de priorizar o ego em vez de negociar um acordo comercial de boa-fé.
  • Produtos como café e carne bovina foram incluídos em uma lista de 864 exceções para evitar impactos inflacionários aos consumidores americanos.
  • Washington também citou a falta de fiscalização contra o desmatamento ilegal como um fator de vantagem competitiva desleal para o Brasil.
  • O governo brasileiro repudiou a decisão em nota oficial, negando as acusações de práticas comerciais desleais feitas pela administração Trump.

O governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, anunciou a imposição de tarifas de 25% sobre diversos produtos brasileiros, decisão que marca uma escalada nas tensões comerciais entre as duas nações. A medida é resultado de uma investigação de um ano conduzida pelo representante comercial americano, Jamieson Greer, que concluiu que o Brasil mantém barreiras injustas contra empresas de tecnologia e pagamentos dos EUA, além de impor restrições ao etanol. O governo americano também argumentou que a ausência de fiscalização rigorosa contra o desmatamento ilegal confere aos produtores brasileiros uma vantagem competitiva desleal no mercado internacional.

Em resposta, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva emitiu um comunicado oficial repudiando a decisão e refutando as alegações de práticas comerciais desleais. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, intensificou o clima de hostilidade ao declarar que as tarifas são uma consequência direta da postura do presidente brasileiro, a quem acusou de colocar o próprio ego acima dos interesses nacionais em negociações. Embora a medida afete diversos setores, a administração Trump estabeleceu 864 exceções, incluindo café e carne, visando mitigar possíveis efeitos inflacionários para os consumidores americanos. O cenário reflete um momento de distanciamento diplomático e econômico entre as gestões de Trump e Lula.

Fontes primárias

Office of the United States Trade Representative (USTR)

USTR Section 301 Action on Brazil's Unreasonable Acts, Policies, and Practices

Comunicado do USTR de 15 de julho de 2026: o embaixador Jamieson Greer, a mando do presidente Trump, tomou a ação final da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, impondo tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros, com entrada em vigor em 22 de julho. A medida encerra investigação de um ano (aberta em 15 de julho de 2025), que incluiu consultas com o governo brasileiro em abril de 2026, mais de 360 comentários públicos e audiências em 6-7 de julho de 2026 com 77 testemunhas. O USTR concluiu que práticas brasileiras relativas a comércio digital e serviços de pagamento eletrônico (citando o PIX), tarifas preferenciais desleais, retrocesso no combate à corrupção, proteção deficiente de propriedade intelectual, barreiras ao acesso do etanol ao mercado e desmatamento ilegal são "não razoáveis" e oneram o comércio de agricultores, trabalhadores e exportadores americanos. Greer: "Brazil's unfair trading practices have prevented U.S. workers and producers from accessing this important market with over 210 million consumers", acrescentando que negociações extensas com o Brasil no último ano não resolveram as questões, mas os EUA seguem abertos a continuar negociando.

Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

Nota à Imprensa sobre a Imposição de Tarifas Unilaterais contra o Brasil pelos Estados Unidos

Nota oficial de 15 de julho de 2026 (reprodução integral do documento assinado pela Secom/Presidência): o governo brasileiro repudia a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros anunciada nesta data pelos EUA com base na Seção 301, chamando o dia de "marco lastimável" nas relações bilaterais. Alega não haver justificativa para medidas unilaterais: segundo estatísticas do próprio governo americano, os EUA acumularam US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos; em 2025, 76% das importações dos EUA entraram no Brasil sem imposto e a alíquota média efetiva sobre produtos americanos foi de 3,1%. O Brasil diz não reconhecer a legitimidade de investigações sem amparo em regras multilaterais, mas afirma ter atuado ininterruptamente junto ao USTR ao longo do ano refutando as alegações — chama de descabidas as acusações contra o PIX e a regulação de plataformas digitais e de absurdas as acusações sobre desmatamento, citando a redução do desmatamento desde 2023. Diz que 63 das 78 intervenções nas audiências públicas do USTR foram contrárias ao tarifaço. Anuncia que acionará imediatamente a Lei de Reciprocidade (aprovada por unanimidade pelo Congresso), retomará o tema na OMC e manterá proteção a setores afetados via Plano Brasil Soberano. Atribui o desfecho lastimável à "ativa colaboração da família Bolsonaro", chamando-os de "falsos patriotas" movidos por objetivos eleitoreiros.

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