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Lula classifica como pirataria plano de Trump de taxar Estreito de Ormuz

O presidente Lula criticou a proposta de Donald Trump de cobrar 20% sobre cargas no Estreito de Ormuz, medida que gera incerteza nos mercados globais.

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Foto: Folha de São Paulo - Mundo
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13/07 às 13:45 · atualizado 21:02

Pontos principais

  • Donald Trump anunciou a intenção dos EUA de atuar como guardiões do Estreito de Ormuz, cobrando 20% sobre cargas.
  • A medida inclui o bloqueio de navios iranianos na rota, enquanto outras embarcações pagariam a nova taxa.
  • O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a iniciativa como pirataria internacional.
  • Lula afirmou que a política americana busca lucrar com conflitos e pressiona a inflação global.
  • A proposta de Trump contradiz declarações anteriores de assessores, como o vice-presidente JD Vance e o secretário Marco Rubio.
  • Mercados financeiros reagiram negativamente ao anúncio, com queda em ações e alta nos preços do petróleo.
  • Analistas apontam que a implementação do pedágio enfrenta barreiras jurídicas internacionais e desafios logísticos.
  • O governo iraniano declarou que o acordo de paz com os EUA está em crise devido às novas ameaças.
  • O Estreito de Ormuz é uma das rotas energéticas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo.

O presidente Donald Trump anunciou que os Estados Unidos pretendem assumir o controle do Estreito de Ormuz, impondo uma taxa de 20% sobre as cargas que transitarem pela via. A medida, apresentada sob a justificativa de que os EUA atuariam como guardiões da segurança na região, prevê ainda o bloqueio seletivo de navios iranianos. A decisão marca uma mudança drástica na postura da Casa Branca, que anteriormente defendia a livre navegação, e expõe divergências internas, já que assessores como o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio haviam indicado anteriormente que nenhum país possui autoridade legal para taxar a rota internacional. O anúncio gerou instabilidade imediata nos mercados financeiros globais, com quedas nos índices de Nova York e preocupações sobre a elevação dos preços do petróleo e da inflação. O governo iraniano reagiu prontamente, classificando o atual estágio das relações diplomáticas como uma fase de crise e ameaçando ignorar os termos impostos por Washington. Especialistas alertam que a viabilidade jurídica e logística do plano é incerta, dada a complexidade das leis marítimas internacionais. Em resposta, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva classificou a proposta como uma prática de pirataria. Durante eventos em São Paulo, Lula criticou a tentativa americana de lucrar com o controle de rotas comerciais e alertou que o conflito no Oriente Médio já pressiona os custos de combustíveis e alimentos no Brasil. O presidente aproveitou o cenário para reforçar a necessidade de autonomia energética nacional, defendendo investimentos em biocombustíveis e tecnologias de transição energética como forma de mitigar a volatilidade externa.

Fontes primárias

Donald Trump (Truth Social)

Truth Social post — anúncio da taxa de 20% no Estreito de Ormuz

Em post de 13/07/2026, Trump declara que o Estreito de Ormuz "está aberto e permanecerá aberto, com ou sem o Irã", e que os EUA reimpõem o "bloqueio ao Irã" (impedindo apenas navios ou clientes iranianos de entrar ou sair) — todos os demais países terão "uso justo e livre do Estreito". Anuncia que, a partir de então, os EUA serão conhecidos como "GUARDIÃO DO ESTREITO DE ORMUZ" e que, "como questão de justiça", serão reembolsados à taxa de 20% sobre toda a carga transportada, para cobrir os custos de prover segurança nessa "seção muito volátil do mundo". Diz que o processo começa imediatamente.

Luiz Inácio Lula da Silva (declaração à imprensa, reproduzida na íntegra pela CNN Brasil)

Declaração à imprensa de Lula no Instituto Mauá de Tecnologia (São Caetano do Sul/SP)

Em declaração à imprensa durante visita ao Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul (SP), no dia 13/07/2026, Lula classificou a taxa de 20% anunciada por Trump como "pirataria": "cada navio que ele desobstruir, que ele tirar do estreito, o dono do petróleo tem que pagar 20% para ele. Isso antigamente chamava pirataria." Afirmou que os EUA, que "por muito tempo combateu a pirataria", "não pode agora virar pirata", e que os EUA "não tem que cobrar", já que o fechamento do estreito é responsabilidade deles, decorrente da guerra com o Irã. Ligou o custo da guerra à alta de preços no Brasil — feijão, arroz, tomate, cebola, diesel e gasolina — e disse que o governo "aumentou 12% no imposto para subsidiar os brasileiros para que o preço do feijão não suba por causa da guerra do seu Trump".

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