Lula classifica como pirataria plano de Trump de taxar Estreito de Ormuz
O presidente Lula criticou a proposta de Donald Trump de cobrar 20% sobre cargas no Estreito de Ormuz, medida que gera incerteza nos mercados globais.
Pontos principais
- Donald Trump propôs cobrar uma taxa de 20% sobre cargas que transitam pelo Estreito de Ormuz, alegando que os EUA atuarão como 'guardiões' da rota.
- O plano inclui o bloqueio de navios iranianos, enquanto outras embarcações seriam liberadas mediante o pagamento do pedágio.
- O presidente Lula classificou a medida como 'pirataria' e acusou o governo americano de tentar lucrar com tensões geopolíticas.
- A proposta de Trump enfrenta divergências internas em sua própria administração, contrariando declarações anteriores do vice-presidente e do secretário de Estado.
- Analistas alertam que a implementação do pedágio enfrenta barreiras jurídicas internacionais e desafios logísticos complexos.
- O anúncio provocou queda nas bolsas de Nova York e gerou temores de aumento na inflação e nas taxas de juros globais.
- Lula destacou que o conflito pressiona os preços de combustíveis e alimentos, defendendo a transição energética como estratégia de autonomia.
O presidente Donald Trump anunciou a intenção de instituir uma taxa de 20% sobre cargas que cruzam o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte global de petróleo. Sob a justificativa de que os Estados Unidos atuarão como 'guardiões' da via navegável, a medida também prevê o restabelecimento de bloqueios a navios iranianos. A proposta, contudo, gerou reações imediatas nos mercados financeiros, com quedas nos índices de ações e preocupações crescentes sobre o impacto inflacionário e a elevação das taxas de juros globais.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente a iniciativa, classificando-a como uma prática de 'pirataria'. Durante eventos recentes, Lula afirmou que a gestão de Trump estaria 'inventando uma guerra' para justificar o controle sobre a rota comercial e lucrar com o conflito. O presidente brasileiro alertou que a instabilidade na região afeta diretamente o custo de combustíveis e alimentos no Brasil, reforçando a necessidade de o país investir em autonomia energética, como o uso de biocombustíveis e carros híbridos.
A proposta de Trump também enfrenta obstáculos significativos dentro de seu próprio governo. A ideia de cobrar pedágios em águas internacionais contradiz posições expressas anteriormente pelo vice-presidente JD Vance e pelo secretário de Estado Marco Rubio, que haviam defendido que nenhum país possui autoridade legal para tal cobrança. Especialistas em direito internacional apontam que a implementação do plano é juridicamente complexa e pode aprofundar a crise diplomática com o Irã, que já classificou o acordo de paz provisório com os EUA como estando em fase crítica.
Fontes primárias
Truth Social post — anúncio da taxa de 20% no Estreito de Ormuz
Em post de 13/07/2026, Trump declara que o Estreito de Ormuz "está aberto e permanecerá aberto, com ou sem o Irã", e que os EUA reimpõem o "bloqueio ao Irã" (impedindo apenas navios ou clientes iranianos de entrar ou sair) — todos os demais países terão "uso justo e livre do Estreito". Anuncia que, a partir de então, os EUA serão conhecidos como "GUARDIÃO DO ESTREITO DE ORMUZ" e que, "como questão de justiça", serão reembolsados à taxa de 20% sobre toda a carga transportada, para cobrir os custos de prover segurança nessa "seção muito volátil do mundo". Diz que o processo começa imediatamente.
Declaração à imprensa de Lula no Instituto Mauá de Tecnologia (São Caetano do Sul/SP)
Em declaração à imprensa durante visita ao Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul (SP), no dia 13/07/2026, Lula classificou a taxa de 20% anunciada por Trump como "pirataria": "cada navio que ele desobstruir, que ele tirar do estreito, o dono do petróleo tem que pagar 20% para ele. Isso antigamente chamava pirataria." Afirmou que os EUA, que "por muito tempo combateu a pirataria", "não pode agora virar pirata", e que os EUA "não tem que cobrar", já que o fechamento do estreito é responsabilidade deles, decorrente da guerra com o Irã. Ligou o custo da guerra à alta de preços no Brasil — feijão, arroz, tomate, cebola, diesel e gasolina — e disse que o governo "aumentou 12% no imposto para subsidiar os brasileiros para que o preço do feijão não suba por causa da guerra do seu Trump".
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