Juros altos freiam inovação e competitividade da indústria brasileira
A taxa Selic elevada encarece o crédito e desestimula investimentos em tecnologia, agravando a queda da participação industrial no PIB nacional.
Pontos principais
- A participação da indústria de transformação no PIB brasileiro recuou de 35,9% em 1985 para 10,8% em 2024.
- O custo elevado do crédito força empresas a priorizar o pagamento de dívidas em detrimento de investimentos em P&D.
- A política monetária restritiva inibe o consumo de bens duráveis e paralisa a modernização tecnológica das fábricas.
- Especialistas apontam o mercado externo e o nearshoring como alternativas para mitigar a perda de competitividade global.
A manutenção de taxas de juros elevadas no Brasil tem gerado um impacto severo sobre a indústria de transformação, setor que enfrenta uma trajetória de declínio nas últimas décadas. Com o crédito mais caro, as empresas encontram dificuldades para financiar projetos de inovação e modernização tecnológica, o que compromete a produtividade e a competitividade frente ao mercado internacional. A priorização de recursos para o serviço da dívida, somada à retração no consumo de bens duráveis, tem levado diversas companhias a situações de fragilidade financeira, resultando em um cenário de estagnação produtiva. Para especialistas, a reversão desse quadro exige estratégias voltadas à exportação e a exploração de oportunidades em cadeias globais de valor, como o nearshoring, visando compensar as limitações impostas pelo ambiente macroeconômico interno.
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