Juros futuros recuam com alívio geopolítico e chance de corte na Selic
Queda nos preços de energia e commodities eleva a aposta do mercado em um corte de 0,25 p.p. na Selic, apesar das incertezas fiscais e inflacionárias.
Pontos principais
- O arrefecimento das tensões entre EUA e Irã reduziu o preço do petróleo Brent em 4,76%, favorecendo a curva de juros brasileira.
- Contratos de opções na B3 e a queda nos rendimentos dos Treasuries elevaram a probabilidade de corte de 0,25 p.p. na Selic.
- O Boletim Focus registrou piora nas projeções de inflação para 2026 e 2027, mantendo o alerta do Banco Central.
- Analistas apontam que problemas estruturais e o cenário fiscal doméstico limitam o espaço para uma flexibilização monetária mais agressiva.
- O mercado financeiro projeta a Selic em 14% ao final do ano, refletindo preocupações com a persistência da inflação.
- Especialistas divergem sobre a sustentabilidade do alívio externo, citando a possível recomposição de estoques de energia por grandes economias.
- O ministro da Fazenda, Dario Durigan, sugeriu uma revisão na metodologia de cálculo da inflação para melhor refletir o consumo atual.
A curva de juros futuros no Brasil registrou queda pela quarta sessão consecutiva, impulsionada pelo alívio nas tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã após um acordo preliminar e a reabertura do Estreito de Ormuz. O movimento, catalisado pela queda de 4,76% no preço do petróleo Brent e pela desvalorização de commodities agrícolas, aumentou o otimismo dos investidores. Atualmente, o mercado financeiro precifica uma probabilidade elevada de que o Comitê de Política Monetária (Copom) promova um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na próxima quarta-feira, com projeções de que a taxa encerre o ciclo em 13,50% a 14%.
Apesar do otimismo pontual, analistas da WMM e dados do Boletim Focus alertam que o cenário ainda exige cautela. A deterioração das expectativas de inflação para 2026 e 2027, somada aos desafios fiscais domésticos e à inflação difusa, limita o espaço para uma flexibilização monetária mais agressiva. Especialistas também questionam a sustentabilidade do alívio externo, citando a possível recomposição de estoques de energia pelas grandes economias. Em meio a esse debate, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu uma revisão na metodologia de cálculo da inflação brasileira para que o índice reflita com maior precisão os padrões de consumo atuais, enquanto o mercado aguarda a decisão oficial sobre a política monetária.
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