Árbitro somali é barrado nos EUA e excluído da Copa do Mundo 2026
Gianni Infantino lamentou a exclusão de Omar Artan, impedido de entrar nos EUA por questões de segurança, mas reforçou que a FIFA não interfere na imigração.
Pontos principais
- Omar Abdulkadir Artan, eleito melhor árbitro africano em 2025, foi impedido de entrar nos EUA no Aeroporto de Miami.
- O governo dos EUA justificou a negativa citando informações sobre supostas associações do árbitro com grupos terroristas.
- A administração Trump afirmou que a decisão está alinhada com a Lei de Imigração e Nacionalidade (INA) e restrições de viagem à Somália.
- A FIFA confirmou a exclusão de Artan, que seria o primeiro somali a atuar em uma Copa do Mundo, após o incidente.
- Gianni Infantino classificou o corte como 'lamentável', mas reiterou que a entidade não interfere nos processos migratórios dos países-sede.
- O governo somali tentou negociar a entrada do árbitro com autoridades americanas, mas não obteve sucesso.
- Ao retornar a Mogadíscio, Artan foi recebido por autoridades locais e apoiadores como um herói nacional.
- O árbitro declarou que encara o episódio como 'destino' e mantém o foco em buscar uma vaga na Copa do Mundo de 2030.
O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, eleito o melhor da África em 2025, foi impedido de ingressar nos Estados Unidos ao ser barrado pelo Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras no Aeroporto de Miami. A restrição está ligada às políticas de imigração do governo de Donald Trump, que impõe limitações severas a cidadãos de 12 países, incluindo a Somália. Além das restrições geográficas, o governo americano justificou a decisão citando informações depreciativas sobre supostas associações do árbitro com grupos terroristas durante o interrogatório na fronteira. O governo somali chegou a tentar negociar a entrada de Artan, sem sucesso.
A FIFA, em decorrência da impossibilidade de entrada no país-sede, oficializou a exclusão de Artan da lista de árbitros selecionados para a Copa do Mundo de 2026. O presidente da entidade, Gianni Infantino, classificou o episódio como 'lamentável', mas ressaltou que a FIFA não possui autoridade para interferir nos processos migratórios soberanos dos países-sede. Apesar do caso, Infantino destacou que a organização segue empenhada em garantir a participação de outras delegações, como a do Irã, mesmo diante de tensões diplomáticas com os Estados Unidos.
O governo dos EUA reforçou que a medida está estritamente alinhada com a Lei de Imigração e Nacionalidade (INA), mantendo a postura de rigor nas fronteiras para eventos de grande porte. O caso gerou repercussão internacional sobre os impactos das políticas de visto para a logística de atletas e oficiais de nações sob restrição. Após o incidente, Artan retornou a Mogadíscio, onde foi recebido por uma multidão de apoiadores. Em declarações recentes, o árbitro classificou o episódio como 'destino' e afirmou que mantém o objetivo de buscar uma vaga para atuar na Copa do Mundo de 2030.
Fontes primárias
Declaração do CBP sobre a negativa de entrada de árbitro da Copa do Mundo (verbatim via AP)
Em nota distribuída à imprensa na segunda-feira (8/jun), o CBP confirma que um viajante somali, árbitro da Copa do Mundo da FIFA, chegou ao Aeroporto Internacional de Miami no sábado (6/jun) vindo de Istambul e "passou por inspeção adicional, parte rotineira do processo de inspeção do CBP quando oficiais precisam verificar informações ou determinar admissibilidade". "Após a inspeção, o viajante, um árbitro da Copa do Mundo da FIFA, foi considerado inadmissível por preocupações de vetting e teve a entrada negada." A nota não nomeia o árbitro (Artan é o único somali na lista) nem detalha as preocupações. O órgão afirma que todos os viajantes — incluindo atletas, técnicos e staff — estão sujeitos a inspeção e vetting, e que "determinações de admissibilidade são feitas caso a caso usando informações de law enforcement, segurança nacional e imigração disponíveis no momento da inspeção".
Declaração da FIFA sobre a exclusão de Omar Abdulkadir Artan (verbatim via CBS News)
Em declaração de porta-voz distribuída à imprensa na segunda-feira (8/jun), a FIFA "confirma que o oficial de partida Omar Abdulkadir Artan não poderá treinar nem apitar na Copa do Mundo FIFA 2026 após ter a entrada negada nos Estados Unidos". A entidade afirma que "não está envolvida nos processos de imigração do país-sede, incluindo adjudicações de visto, e foi informada pelas autoridades de que o status do Sr. Artan não será alterado no momento". E conclui: "Em linha com eventos anteriores da FIFA, o governo anfitrião determina, em última instância, quem recebe visto e quem é admitido em seu país."
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