Ministério da Saúde suspende vacinação contra dengue do Butantan
Governo interrompe uso do imunizante após notificação de reações adversas graves e óbitos, orientando monitoramento de sintomas por 21 dias.
Pontos principais
- A suspensão é uma medida preventiva adotada pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa para investigar eventos adversos raros.
- Foram notificados 42 casos de reações severas em 500 mil doses, incluindo três internações e dois óbitos sob investigação.
- O Ministério da Saúde orientou que todos os vacinados nos últimos 21 dias monitorem sintomas e busquem atendimento se necessário.
- A vacina Qdenga, produzida pela Takeda, segue sendo aplicada normalmente na rede pública e privada.
- O Instituto Butantan colabora com as autoridades e reforça a eficácia global de 79,6% observada em estudos clínicos.
- Comitês técnicos de farmacovigilância analisam possíveis fatores de risco ou desvios de qualidade no lote.
- O combate aos criadouros do mosquito Aedes aegypti permanece como a principal estratégia de prevenção contra a doença.
O Ministério da Saúde, em conjunto com a Anvisa, suspendeu temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida preventiva foi motivada pela notificação de 42 casos de reações adversas graves, incluindo duas mortes em investigação, em um universo de 500 mil pessoas vacinadas, majoritariamente profissionais de saúde. Como precaução, a pasta orientou que todos os indivíduos que receberam a dose nos últimos 21 dias monitorem o surgimento de sintomas e busquem auxílio médico caso apresentem sinais de alerta. Enquanto a investigação sobre uma possível relação causal ocorre, a vacina Qdenga, produzida pela farmacêutica Takeda, continua sendo distribuída e aplicada normalmente pelo SUS e na rede privada.
O Instituto Butantan afirmou que está colaborando com as autoridades sanitárias para fornecer dados adicionais e realizar novos estudos de farmacovigilância. O governo reforçou que a decisão é uma medida de cautela e não invalida a eficácia global de 79,6% demonstrada pelo imunizante em estudos científicos. Comitês técnicos seguem analisando possíveis fatores de risco ou desvios de qualidade, enquanto as autoridades de saúde reiteram que o combate aos criadouros do mosquito Aedes aegypti permanece como a estratégia central de prevenção contra a dengue. A retomada da vacinação está prevista para o início do próximo ano, condicionada à confirmação da segurança do produto.
Fontes primárias
Ministério da Saúde descontinua temporariamente estratégia atual de vacinação do Butantan contra dengue
O Ministério da Saúde descontinua temporariamente a estratégia atual de vacinação contra a dengue com a Butantan-DV, por precaução, até a conclusão da investigação de 42 casos raros com sinais de alerta que não haviam sido observados no estudo clínico — 0,008% de um total de cerca de 500 mil doses aplicadas até 30 de maio. Dos 42 casos, 3 foram classificados como graves e há 2 óbitos. Os sintomas relatados incluem dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. O ministro Alexandre Padilha afirma que a medida é uma ação de precaução que deve orientar quem respeita a vida e a ciência, e que permitirá aprofundar a investigação dos casos, em especial dos óbitos. A nota refere-se exclusivamente à vacina Butantan-DV. A apuração envolve o Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e a Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização, sem cronograma definido.
Comunicado sobre a vacina contra a dengue
Em comunicado, o Instituto Butantan informa que, por orientação do Ministério da Saúde e da Anvisa, a vacinação contra a dengue será temporariamente interrompida, de maneira preventiva, para reavaliação da estratégia vacinal. A orientação ocorre em razão de alguns casos de reação adversa detectados, três deles com sinal de gravidade, em um universo de aproximadamente 500 mil vacinados, que podem ou não estar relacionados à vacinação. No momento, vacinavam-se profissionais de saúde. O instituto afirma que trabalhará com absoluto rigor para aprofundar as informações sobre o uso da vacina para que, confirmada a segurança, a vacinação possa ser retomada em breve, com total tranquilidade para a população atendida pelo SUS.
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