Tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros podem chegar a 37,5%
Governo Trump amplia restrições comerciais ao Brasil, mantendo o país fora de novas exceções tarifárias para derivados de aço e alumínio.
Pontos principais
- A nova estrutura tarifária combina uma taxa de 25% por práticas comerciais e 12,5% por alegações de trabalho forçado.
- O governo dos EUA excluiu o Brasil de novas exceções temporárias na Seção 232 para derivados de aço e alumínio.
- Países como Argentina, Japão e membros da União Europeia foram beneficiados com alíquotas reduzidas a 15%.
- Investigação do USTR aponta restrições brasileiras em comércio digital, propriedade intelectual e desmatamento.
- Setores como carne bovina, café e peças de aeronaves devem permanecer isentos da taxa de 12,5%.
- O governo brasileiro critica o uso da Seção 301 por considerá-la incompatível com as regras do comércio multilateral.
- O governo Lula sinalizou medidas de reciprocidade enquanto mantém tratativas diplomáticas para mitigar os impactos.
O governo do presidente Donald Trump intensificou sua agenda protecionista ao propor uma carga tarifária que pode elevar os impostos sobre produtos brasileiros para até 37,5%. A estrutura combina uma taxa de 25% sobre práticas comerciais — fundamentada na reativação da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA — com uma alíquota adicional de 12,5% por alegações de trabalho forçado. Paralelamente, o governo americano anunciou exceções tarifárias para derivados de aço e alumínio sob a Seção 232, beneficiando parceiros como Argentina, Reino Unido e União Europeia, mas mantendo o Brasil fora da lista de isenções. As novas regras, que entram em vigor em 8 de junho, também ajustaram o percentual mínimo de conteúdo americano exigido para a classificação de produtos.
Em resposta, o governo brasileiro classificou a iniciativa como protecionista e reafirmou a possibilidade de adotar medidas de reciprocidade. O Itamaraty mantém canais de negociação abertos, ressaltando que o processo atual ainda permite espaço para tratativas diplomáticas. Analistas apontam que, embora o Brasil possa buscar novos mercados, a robustez jurídica da Seção 301 e a exclusão das recentes exceções tarifárias impõem um cenário de maior complexidade para a diplomacia brasileira, que historicamente contesta o uso de retaliações unilaterais por parte de Washington.
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