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Trump impõe tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

O governo dos EUA propôs sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, citando barreiras comerciais. O Planalto busca negociar, enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a medida como injusta e sem fundamento técnico.

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Foto: NYTimes World
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02/06 às 04:45 · atualizado há 1m

Pontos principais

  • A medida foi oficializada sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, após investigação do USTR.
  • O governo dos EUA alega que o Brasil adota políticas discriminatórias contra empresas americanas.
  • O relatório critica a regulação do Pix, o desmatamento, a propriedade intelectual e decisões do STF.
  • Produtos estratégicos como café, carne, suco de laranja e partes aeronáuticas foram excluídos da lista.
  • Uma audiência pública está agendada para 6 de julho, com prazo de negociação até 15 de julho de 2026.
  • O governo brasileiro apresentou defesas técnicas sobre o Pix e desmatamento, que foram ignoradas pelos EUA.
  • Analistas apontam possível influência ideológica de setores próximos à família Bolsonaro nas decisões americanas.
  • O tema deve se tornar um ponto central nos debates eleitorais brasileiros até agosto.
  • O governo estuda recorrer à Organização Mundial do Comércio ou adotar medidas de reciprocidade via Camex.
  • Geraldo Alckmin defendeu o Pix como patrimônio nacional e destacou a redução do desmatamento na Amazônia.
  • O vice-presidente ressaltou que a balança comercial entre os dois países é favorável aos EUA em US$ 40 bilhões.

O presidente Donald Trump oficializou a proposta de imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, fundamentada nas Seções 301 e 304 da lei comercial americana. A medida, que segue a conclusão de uma investigação formal pelo Representante Comercial dos EUA (USTR), reflete a agenda protecionista da atual gestão e classifica políticas brasileiras como práticas comerciais irrazoáveis. Além do descontentamento com o sistema de pagamentos instantâneos Pix, a administração americana incluiu em sua justificativa preocupações com o comércio digital, a pirataria, o desmatamento ilegal e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). O relatório também aponta falhas no combate à corrupção, mencionando a anulação de processos da Lava Jato como fatores que prejudicariam investidores estrangeiros. O governo brasileiro apresentou defesas técnicas sobre esses pontos, que foram ignoradas pelas autoridades americanas.

A decisão marca uma nova etapa na tensão diplomática entre os dois países. Em um movimento para ajustar a balança comercial e proteger setores específicos da economia americana, o governo dos EUA anunciou que itens estratégicos como café, carne, suco de laranja, medicamentos, fertilizantes e partes aeronáuticas da Embraer foram excluídos da sobretaxa. A isenção destes produtos alivia a pressão sobre importantes setores da pauta exportadora, embora a ameaça tarifária persista para outros segmentos industriais que podem sofrer perda de competitividade. Analistas políticos observam que a medida representa um retrocesso nas relações entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, com possíveis influências ideológicas de setores próximos à família Bolsonaro nas decisões da Casa Branca.

O vice-presidente Geraldo Alckmin manifestou publicamente a indignação do governo brasileiro, classificando a proposta como injusta. Alckmin defendeu a integridade do Pix, tratando-o como um patrimônio nacional, e rebateu os argumentos sobre o desmatamento, destacando os avanços recentes na preservação da Amazônia. O vice-presidente enfatizou que a balança comercial bilateral é amplamente favorável aos Estados Unidos, com um superávit americano de US$ 40 bilhões, o que, segundo ele, torna a retaliação comercial desproporcional e sem base factual.

O governo Lula mantém otimismo quanto à reversão da medida, buscando intensificar o diálogo diplomático nas próximas semanas. Contudo, o Palácio do Planalto avalia que a decisão americana possui forte viés político. Nesse cenário, o governo já articula uma estratégia de comunicação para responsabilizar a oposição caso as tratativas fracassem, alegando interferência negativa nas relações bilaterais. O tema, dada a sua relevância econômica, deve se tornar um ponto central nos debates eleitorais brasileiros até agosto.

Representantes do setor empresarial destacaram que a proposta ainda não é definitiva. Uma audiência pública foi agendada para o dia 6 de julho, permitindo que partes interessadas apresentem argumentos antes da decisão final. O cronograma estabelecido pelo USTR prevê a conclusão das negociações até 15 de julho de 2026. Diante do impasse, o governo brasileiro avalia alternativas caso a diplomacia falhe, incluindo a possibilidade de levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC) ou implementar medidas de reciprocidade comercial por meio da Câmara de Comércio Exterior (Camex).

Fonte primária

Office of the United States Trade Representative (USTR)

Notice of Determination and Request for Comments Concerning Action Pursuant to Section 301: Brazil's Acts, Policies, and Practices (FRN, 1 jun 2026)

Aviso oficial em que a USTR determina que certas práticas do Brasil são acionáveis sob as Seções 301(b) e 304(a) do Trade Act de 1974 e PROPÕE — ainda não impõe — aplicar tarifas de 25% sobre todos os bens do Brasil, com isenções. O documento não fala em 'imposição' já vigente: é uma proposta aberta a comentário público antes de qualquer ação. A USTR considerou seis categorias de atos/políticas brasileiras 'unreasonable' e que oneram o comércio dos EUA: (1) comércio digital e meios de pagamento — ordens judiciais 'secretas' de cortes brasileiras mandando plataformas de mídia social dos EUA removerem conteúdo político e suspenderem perfis; (2) tarifas preferenciais 'unfair' — Brasil concede tratamento tarifário menor a centenas de produtos do México e da Índia; (3) enforcement anticorrupção insuficiente; (4) proteção à propriedade intelectual — falha em combater pirataria/contrafação e na duração efetiva de patentes; (5) acesso a mercado de etanol — Brasil mantém tarifa de 18% sobre etanol desde fev/2023, abandonando a reciprocidade bilateral (importações de etanol americano caíram para US$ 96 mi em 2025); (6) falha em fazer cumprir suas leis contra o desmatamento ilegal. As isenções propostas cobrem materiais informativos, doações, bagagem acompanhada, artigos já sujeitos às tarifas da Seção 232 e produtos listados no Anexo — entre eles cortes de carne bovina (beef) e café (subposições 0901), além de matérias-primas e itens que não podem ser produzidos em quantidade suficiente nos EUA ou cuja taxação causaria desabastecimento ou disrupção econômica. Cronograma: período de comentários aberto em 1 jun 2026; pedidos para depor na audiência até 22 jun; comentários escritos até 1 jul; audiência pública em 6 jul 2026 na U.S. International Trade Commission (Washington, DC). Dockets USTR-2026-0331 (comentários) e USTR-2026-0397 (audiência). A investigação foi iniciada em 15 jul 2025.

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