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Trump propõe tarifas de 25% sobre produtos brasileiros

O governo Trump propõe tarifas de 25% sobre o Brasil, citando práticas comerciais e ambientais. A medida gera incertezas econômicas e afeta setores específicos da Bolsa brasileira.

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Foto: Politico Trade
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02/06 às 18:45 · atualizado há 1m

Pontos principais

  • A administração Trump propôs tarifas de 25% para o Brasil e de 10% para Canadá, México e União Europeia.
  • Investigação dos EUA cita o PIX, desmatamento, pirataria e falhas anticorrupção como justificativas.
  • Setores como aço, máquinas, químicos e manufaturados estão sob risco, enquanto carne, café e aeronaves permanecem isentos.
  • A WEG é apontada como a empresa mais impactada na Bolsa, com potencial redução na margem Ebitda devido à taxação de motores.
  • O governo brasileiro estima que a medida pode impactar 21% das exportações nacionais para os EUA.
  • A decisão final sobre as tarifas está prevista para julho de 2026, após período de consultas públicas.
  • O presidente Lula classificou a postura da oposição frente ao episódio como uma traição à pátria.

O governo do presidente Donald Trump intensificou sua agenda protecionista ao anunciar propostas tarifárias de 25% contra o Brasil. Fundamentadas na Seção 301, as medidas são justificadas pela Casa Branca como resposta a preocupações com trabalho forçado, desmatamento e práticas comerciais desleais, incluindo críticas ao sistema PIX e falhas anticorrupção. Embora setores como aço e máquinas estejam sob risco, itens estratégicos como carne, café, frutas e aeronaves foram excluídos da taxação, visando mitigar danos diretos a cadeias de suprimentos específicas. A imprensa internacional destaca que o uso deste instrumento tarifário representa uma alternativa de pressão econômica duradoura após recentes deliberações da Suprema Corte dos EUA.

No mercado financeiro, a notícia gerou cautela sobre empresas listadas na Bolsa. O setor industrial e de manufaturados é o mais exposto, com analistas apontando a WEG como a companhia mais afetada, devido à incidência de tarifas sobre motores. Em contrapartida, empresas como Embraer e Tupy foram consideradas neutras, visto que seus produtos possuem isenções ou não estão abrangidos pelos novos termos. Já para companhias como Fras-le e Randoncorp, o mercado mantém visões divergentes sobre o nível de exposição negativa aos custos adicionais, enquanto o setor de tilápia, também incluído na lista, busca reverter a decisão durante o processo de consulta pública.

No cenário político, a decisão provocou forte reação. O presidente Lula classificou a postura da oposição e da família Bolsonaro frente ao episódio como uma traição à pátria, enquanto analistas avaliam que o impacto econômico da medida pode influenciar a corrida eleitoral brasileira. O governo brasileiro já manifestou intenção de defender a integridade do PIX em negociações diplomáticas, enquanto a balança comercial entre os dois países permanece sob observação de especialistas estrangeiros. O processo segue para consultas públicas, com a definição das alíquotas finais esperada para 15 de julho de 2026.

Fonte primária

Office of the U.S. Trade Representative (USTR) — Ambassador Jamieson Greer

USTR Section 301 Determination on Brazil's Unreasonable Acts, Policies, and Practices

Determinação do USTR sob a Seção 301 da Trade Act of 1974 concluindo que certos atos, políticas e práticas do Brasil são 'unreasonable' e oneram ou restringem o comércio dos EUA, abrindo caminho para uma tarifa proposta de 25% sobre produtos brasileiros. O USTR aponta seis frentes: (1) comércio digital e meios de pagamento eletrônico — tribunais brasileiros teriam emitido 'ordens secretas' a empresas de mídia social dos EUA para remover conteúdo e suspender perfis, com multas e restrições de ativos por descumprimento; (2) tarifas preferenciais consideradas injustas, com tratamento melhor a bens do México e da Índia em acordos de escopo parcial; (3) enforcement insuficiente contra suborno e corrupção; (4) proteção inadequada de propriedade intelectual — falhas no combate a falsificações, atrasos excessivos no exame de patentes e medidas antipirataria inconsistentes; (5) acesso ao mercado de etanol — o Brasil teria abandonado em 2017 o tratamento tarifário equilibrado e não dá reciprocidade às exportações de etanol dos EUA; (6) desmatamento ilegal, com falhas persistentes de enforcement apesar do marco legal existente. O processo prevê comentários escritos até 1 jul 2026 e audiência pública em 6 jul 2026, com prazo estatutário para ação final em 15 jul 2026. A proposta exclui parte relevante das importações dos EUA vindas do Brasil — como aeronaves/componentes, café, carne bovina e minerais críticos/terras raras. Greer afirma que aguarda 'continuing engagement with the Brazilian Government' antes do prazo.

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