Apesar do câmbio favorável e da exportação de petróleo amenizarem a inflação no Brasil, economistas alertam para a persistência da pressão inflacionária, limitando o espaço para cortes de juros.
O Brasil tem se beneficiado de um câmbio favorável e da exportação de petróleo, que atuam como amortecedores da inflação, especialmente diante do conflito no Oriente Médio. No entanto, economistas alertam que esses fatores têm um efeito limitado, com a pressão inflacionária se espalhando para componentes mais persistentes da economia. A valorização do câmbio, por exemplo, ainda não resultou no alívio esperado para os bens industriais, enquanto o petróleo caro eleva os custos de frete e impacta os preços dos alimentos.
Apesar de a Petrobras ter contido os repasses de preços, a defasagem em relação ao mercado internacional é considerável, e o governo estuda desonerar tributos sobre combustíveis. As projeções indicam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pode chegar a 5% ao final do ano. A escalada do petróleo também eleva a inflação global e restringe os juros internacionais, limitando a queda da Selic no Brasil e gerando risco de desancoragem das expectativas de inflação, com a Selic projetada para permanecer em patamar restritivo até 2028.
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