A escalada do conflito no Oriente Médio, com ataques envolvendo o Irã e ameaças de Trump, eleva os preços do petróleo e impacta moedas e bolsas, alterando projeções de inflação e juros no Brasil e globalmente.

Os mercados financeiros globais reagiram à intensificação do conflito no Oriente Médio, com ataques envolvendo o Irã e seus aliados. Enquanto os futuros de Nova York, como o S&P 500, registraram alta de 0,21%, as bolsas na Ásia-Pacífico fecharam em baixa e as europeias operaram sem direção única, refletindo a preocupação com a instabilidade geopolítica. As ações asiáticas, em particular, registraram quedas significativas, impulsionadas pela disparada dos preços do petróleo e as incertezas sobre a escalada da guerra EUA-Irã. No Brasil, o Ibovespa Futuro operou em alta, acompanhando o cenário externo e a expectativa por falas do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O Ibovespa subiu 1,09%, atingindo 183.538,50 pontos, impulsionado por ações da Vale e Petrobras. O dólar, por sua vez, abriu em alta de 0,16%, cotado a R$ 5,2496, oscilando próximo à estabilidade em relação ao real, com os investidores atentos aos desdobramentos do conflito e à palestra de Galípolo.
Os preços do petróleo Brent e WTI subiram significativamente, impulsionados pela escalada no Oriente Médio, declarações sobre o petróleo iraniano e a ameaça de fechamento do Estreito de Ormuz. O petróleo Brent subiu 2,07% para US$ 114,90, e o WTI para US$ 101,31, com o produto caminhando para uma valorização mensal de 59%, aproximando-se da maior alta mensal em décadas. Donald Trump pressionou o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz, ameaçando ataques a instalações de energia. A região asiática teme o impacto no acesso ao Estreito de Ormuz, crucial para o transporte de petróleo. Especialistas indicam que os mercados antecipam um período prolongado de preços elevados do petróleo, o que pode ter implicações estagflacionárias para a economia global.
As ações europeias permaneceram estáveis, com o índice pan-europeu STOXX 600 sem grandes variações, enquanto investidores aguardam a divulgação de dados de inflação na Alemanha e monitoram os impactos da guerra no Oriente Médio. O Brent superou US$ 115 por barril devido ao conflito e interrupções nas rotas marítimas, alimentando temores inflacionários. O presidente do banco central francês afirmou que o BCE está determinado a conter a inflação impulsionada pela energia. A alta do petróleo afeta diversas cadeias produtivas, elevando custos de transporte, produção e preços de produtos como alimentos e medicamentos, gerando temores de inflação e desaceleração econômica.
No cenário doméstico, a alta do petróleo e a tensão geopolítica influenciam as expectativas econômicas. Analistas do mercado financeiro elevaram a projeção para a inflação oficial (IPCA) no Brasil para 4,31% em 2026, conforme o Boletim Focus, marcando o terceiro aumento consecutivo. Apesar da elevação, a projeção de inflação ainda se mantém dentro do limite superior da meta estabelecida pelo CMN (4,5%). A previsão para a taxa Selic no fim de 2026 foi mantida em 12,5% ao ano, apesar do aumento da inflação, e a pesquisa Focus indicou um corte menor da Selic em abril. A taxa Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual pelo Copom, para 14,75% ao ano, mas o Banco Central não descarta rever o ciclo de baixa devido a tensões no Oriente Médio. A inflação acumulada em 12 meses recuou para 3,81% em fevereiro, abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024. A meta contínua de inflação do Banco Central é de 3%, com variação entre 1,50% e 4,50%. A projeção de crescimento do PIB para 2026 foi ligeiramente elevada para 1,85%, e a taxa de câmbio para o fim de 2026 e 2027 permaneceu em R$ 5,40 e R$ 5,45, respectivamente. Rendimentos dos títulos americanos caíram, com o mercado reduzindo as chances de alta de juros pelo Federal Reserve em 2026 para 25%, enquanto dados econômicos como o IGP-M e o Relatório Focus são monitorados no Brasil.
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, defendeu cautela na análise dos efeitos da guerra na inflação e atividade econômica, afirmando que o Brasil está mais preparado que outros países para enfrentar a volatilidade do preço do petróleo. Essa vantagem se deve à sua posição de exportador líquido de petróleo e à política monetária contracionista, com a taxa Selic em 14,75% ao ano. Galípolo destacou que o nível elevado de juros no Brasil criou uma "gordura" que permite cortar a taxa básica mesmo sob pressão da guerra no Oriente Médio, comparando o país a um "transatlântico" que não fará movimentos bruscos na política monetária. Ele ressaltou que a atual elevação do preço do petróleo é um choque de oferta, não de demanda, o que pode levar a "inflação para cima e crescimento para baixo" em 2026.
15 abr, 06:02
1 abr, 18:01
9 mar, 10:02
3 mar, 21:01
2 mar, 06:00
Carregando comentários...