A pesquisadora Cibele Henriques, co-fundadora do Observatório do Cuidado, aponta que as mulheres brasileiras enfrentam uma "escala 7x0" no trabalho de cuidado não remunerado. Essa desigualdade histórica, que se manifesta na dedicação de quase dez horas a mais por semana aos cuidados de outras pessoas e da casa, conforme dados do IBGE, gera sobrecarga psíquica, física e social, comprometendo a saúde e a autonomia feminina. A pesquisadora enfatiza que o conceito de "amor materno" muitas vezes mascara um trabalho não pago, essencial para a reprodução do capital humano, mas que retira das mulheres a possibilidade de bem-estar.
A obrigação do cuidado, construída desde a infância, associa a esfera doméstica à mulher, desonerando os homens e perpetuando um ciclo que também fortalece a violência de gênero, ao limitar a independência financeira feminina. Para reverter esse cenário, Cibele Henriques defende a quebra de papéis tradicionais e a implementação de políticas públicas de cuidado, com maior envolvimento do Estado, como caminhos essenciais para mitigar a sobrecarga e promover a equidade de gênero no Brasil.
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