Kevin Warsh, indicado por Donald Trump para presidir o Federal Reserve, prometeu independência e uma nova estrutura para combater a inflação em sua audiência de confirmação no Senado, mas enfrenta incertezas políticas.
Kevin Warsh, escolhido pelo presidente Donald Trump para liderar o Federal Reserve, compareceu à sua audiência de confirmação perante o Comitê Bancário do Senado. O evento, marcado para as 10h da terça-feira, foi visto como um dos mais desafiadores em muitas décadas para um indicado ao cargo. Warsh se comprometeu a salvaguardar a independência do banco central dos EUA caso sua nomeação seja confirmada, um tema central nas discussões sobre sua indicação. Sua aparição ocorreu após um período de silêncio, gerando expectativas sobre suas visões para a política monetária.
Além da promessa de independência, Warsh declarou que o Federal Reserve precisa de uma nova estrutura para combater a inflação persistente, defendendo uma "mudança de regime" no banco central. Ele também sugeriu uma revisão na forma como o Fed se comunica publicamente sobre a política monetária. Warsh culpou o Fed por erros de política que, segundo ele, levaram ao aumento da inflação pós-pandemia. Essa declaração foca na necessidade de uma abordagem renovada para a política monetária e foi um ponto chave de discussão durante sua sabatina. As mudanças sugeridas por Warsh focam no controle da inflação e na estratégia de comunicação do banco central, visando uma revisão das políticas monetárias atuais nos Estados Unidos.
Sua promessa de assegurar a autonomia da instituição em suas decisões de política monetária busca tranquilizar os legisladores sobre a manutenção da integridade do Fed. Warsh planeja assegurar aos legisladores que a independência dos formuladores de taxas não está 'particularmente ameaçada', e refutou a ideia de ser um 'fantoche' do presidente, declarando sua intenção de ser um líder independente. Ele destacou a importância da independência do Fed e a manutenção da inflação baixa como 'armadura' contra críticas, mesmo com Donald Trump expressando publicamente sua expectativa de que Warsh corte os juros rapidamente. Warsh justifica cortes nas taxas com base no aumento da produtividade impulsionado pela inteligência artificial, uma visão que outros banqueiros centrais consideram de longo prazo. O Fed não atingiu sua meta de inflação de 2% por mais de cinco anos, devido à pandemia, tarifas comerciais de Trump e preços do petróleo. O depoimento abordou temas como inflação, taxas de juros e estabilidade financeira, e o resultado da confirmação de Warsh terá implicações significativas para a futura política monetária do país, influenciando a percepção do mercado sobre a direção da economia dos EUA.
Trump, por sua vez, voltou a criticar Jerome Powell, chamando-o de "muito atrasado" em relação às taxas de juros e afirmou que ficaria "muito desapontado" se o novo presidente do Fed não as reduzir. O presidente dos EUA defende que o país deveria ter as taxas de juros mais baixas do mundo, apesar de reconhecer que aumentos nas taxas para combater a inflação são "relativamente eficazes".
No entanto, a confirmação de Warsh está incerta devido a um impasse político. O senador republicano Thom Tillis, que ameaçava bloquear a nomeação devido a uma investigação do Departamento de Justiça sobre Jerome Powell, demonstrou abertura para apoiar Warsh. Sua condição é o encerramento da investigação criminal em curso sobre o banco central dos EUA e o lançamento de uma apuração própria pelo Congresso. A situação é sem precedentes para o Fed, com a possibilidade de Powell permanecer no cargo de chair do Fed mesmo após o término formal de seu mandato.
Bloomberg - Economics • 21 abr, 16:07
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