O governo Trump ordenou a saída do delegado da PF Marcelo Ivo de Carvalho dos EUA, acusado de manipular o sistema de imigração na detenção de Alexandre Ramagem. Lula cogita reciprocidade caso haja abuso.
O governo Trump ordenou que o delegado da Polícia Federal brasileira Marcelo Ivo de Carvalho deixe os Estados Unidos. A decisão foi comunicada pelo Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA, que acusa o delegado, adido da PF em Miami, de tentar manipular o sistema de imigração americano para forçar a extradição de Alexandre Ramagem. As acusações incluem a tentativa de contornar pedidos formais de extradição, mecanismos de cooperação jurídica e prolongar "caças às bruxas políticas" em território dos EUA. O Ministro Mauro Vieira e o diretor da PF Andrei Rodrigues afirmaram que o delegado Marcelo Ivo de Carvalho atua em conjunto com autoridades americanas em Miami há mais de dois anos, e sua missão foi prorrogada até agosto de 2025.
Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), esteve envolvido na prisão de Ramagem em Orlando, Flórida, por questões migratórias. A detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) ocorreu na semana passada em território americano. Ramagem, que deixou o Brasil em 2025 após ser condenado pelo STF a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, foi solto dois dias após a prisão. O ministro Alexandre de Moraes determinou o pedido formal de extradição de Ramagem aos EUA em dezembro de 2025. A Polícia Federal brasileira havia afirmado que a prisão de Ramagem ocorreu por cooperação policial internacional, e o Ministério da Justiça do Brasil havia encaminhado um pedido de extradição de Ramagem aos EUA e incluído seu nome na lista da Interpol.
Diante da situação, o presidente Lula afirmou, em visita a Hannover, Alemanha, que o Brasil pode adotar reciprocidade contra os EUA, caso se confirme abuso americano na ordem de saída do delegado brasileiro. Lula expressou que não aceitará ingerência e abuso de autoridade de americanos em relação ao Brasil, indicando que o governo brasileiro pode tomar medidas contra policiais americanos no Brasil se houver comprovação de abuso contra o policial brasileiro. O presidente foi informado sobre o ocorrido na manhã de terça-feira (21/4) e criticou a postura das autoridades americanas.
Fontes do governo brasileiro afirmaram não terem sido informadas previamente sobre a expulsão do delegado, e o Itamaraty e a PF também não foram comunicados formalmente sobre a medida americana. Até o momento, a Polícia Federal e o Itamaraty não se posicionaram oficialmente sobre o pedido de saída do delegado. O incidente levanta questões sobre as relações diplomáticas entre Brasil e EUA e a atuação de agentes estrangeiros em ambos os países.
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