O Itamaraty solicitou a saída de um funcionário dos EUA do Brasil, em reciprocidade à medida americana contra um delegado da PF, intensificando a tensão diplomática e levando Lula a defender a ação.
O Itamaraty se reuniu com a encarregada de Negócios da Embaixada dos EUA, Kimberly Kelly, para discutir a saída do delegado Marcelo Ivo de Carvalho. Durante o encontro, o governo brasileiro alertou sobre a possibilidade de reciprocidade, indicando que poderia expulsar agentes americanos do Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou publicamente que tomará decisões sobre o assunto, caso identifique abuso por parte dos EUA, e ressaltou que não aceitará ingerência ou abuso de autoridade por parte de personagens americanas em relação ao Brasil. Lula expressou a expectativa de que os EUA estejam dispostos a conversar para normalizar a relação entre os países, embora seus assessores recomendem cautela antes de qualquer retaliação diplomática. O Itamaraty está em contato com a contraparte americana para formalizar a situação diplomática e divulgou nota afirmando que o governo dos EUA não seguiu a "boa prática diplomática" ao pedir a saída do delegado da PF da Flórida.
Em um desdobramento, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, anunciou a retirada das credenciais de um servidor dos EUA que atuava na sede da PF em Brasília. A medida foi tomada pelo princípio da reciprocidade, após um delegado brasileiro ter suas credenciais retiradas em Miami. Rodrigues expressou pesar pela situação, mas afirmou que não haverá expulsão do agente americano do Brasil, assim como o delegado brasileiro não foi expulso dos EUA. O agente americano, sem credenciais, perde acesso à unidade da PF em Brasília e a bases de dados de cooperação, o que afeta sua capacidade de atuação em solo brasileiro. O diretor-geral da PF afirmou que o Brasil ainda não recebeu explicações oficiais dos EUA sobre a medida e que o governo dos EUA descumpriu um acordo de cooperação ao não buscar esclarecimentos ou diálogo antes da medida contra o delegado brasileiro.
Em um novo passo de reciprocidade, o Itamaraty solicitou formalmente a saída de um funcionário dos Estados Unidos do Brasil. A encarregada de negócios da embaixada americana, Kimberly Kelly, foi informada verbalmente sobre a decisão brasileira antes da publicação da nota. O governo brasileiro agiu de forma verbal e via rede social X, espelhando a maneira como os americanos comunicaram a saída do delegado brasileiro. O desfecho do caso agora depende de um esclarecimento oficial do governo dos EUA sobre a expulsão do brasileiro. O presidente Lula elogiou a decisão da Polícia Federal de retirar as credenciais do agente de imigração dos EUA, defendendo a aplicação da reciprocidade e afirmando: "Fizeram conosco, a gente vai fazer com eles".
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, declarou que o delegado Marcelo Ivo de Carvalho retornou ao Brasil por sua determinação, e não por expulsão, com o objetivo de esclarecer se há um processo formal do Departamento de Estado ou do ICE sobre o episódio. Rodrigues defendeu a atuação do delegado, afirmando que ela está amparada por acordos de cooperação internacional, já que Marcelo Ivo de Carvalho atuava como oficial de ligação da PF em Miami desde março de 2023, com a missão de colaborar na identificação e prisão de foragidos brasileiros. A decisão dos EUA de pedir a saída de um delegado brasileiro ocorreu após acusações de que ele teria manipulado o sistema de imigração e estendido perseguições políticas, com assessores do governo Trump alegando que o delegado usou informações incompletas e manipulou oficiais americanos, especialmente após sua participação na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.
Ramagem, ex-deputado federal condenado por tentativa de golpe de Estado, deixou o Brasil clandestinamente em setembro de 2025 e foi preso em Orlando, Flórida, em abril de 2026, por questões migratórias. Ele foi liberado da prisão nos EUA após dois dias e publicou um vídeo alegando que seu pedido de asilo lhe confere status de permanência regular. No entanto, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmaram que as acusações não têm fundamento e que o delegado trabalhava em conjunto com autoridades americanas em Miami. A Polícia Federal e o Ministério das Relações Exteriores do Brasil não foram informados previamente sobre a decisão de expulsar o delegado. Marcelo Ivo de Carvalho foi nomeado para atuar em Miami em março de 2023 e tinha sua permanência prorrogada até agosto deste ano, sendo que a PF já nomeou a delegada Tatiana Alves Torres como sua substituta. O governo brasileiro aguarda comunicação oficial dos EUA e esclarecimentos do delegado sobre as circunstâncias do caso.
Agência Brasil - EBC • 22 abr, 22:08
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