Em discurso na Alemanha, Lula criticou o uso de redes sociais por líderes como Trump, a ineficácia da ONU e a destruição do multilateralismo, defendendo parceria com a Europa para descarbonização e o acordo UE-Mercosul.
Durante um discurso em Hannover, Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a postura de líderes que utilizam redes sociais para 'fazer guerra', em uma clara referência a Donald Trump. Lula questionou o elevado número de conflitos globais e a priorização de gastos militares em detrimento de investimentos para combater a fome, destacando a contradição entre o avanço tecnológico e as crises humanitárias, como os bombardeios no Oriente Médio. Ele interpelou líderes de grandes potências, incluindo Trump, Putin, Xi Jinping e Macron, sobre a ineficácia do Conselho de Segurança da ONU em assegurar a paz mundial, além de criticar a política internacional do governo Trump e a "paralisia da OMC".
No mesmo evento, que marcou a abertura da Hannover Messe, principal feira industrial do planeta, e no Encontro Econômico Brasil-Alemanha, Lula defendeu uma parceria com a Europa para a descarbonização da matriz energética e a proteção de empregos com o avanço da inteligência artificial. O presidente criticou a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, chamando-a de "maluquice", e destacou o impacto do conflito nos preços do petróleo e na segurança alimentar. Lula também exaltou o acordo UE-Mercosul, às vésperas de sua entrada em vigor, que criará um mercado de quase 720 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22 trilhões.
Lula criticou "afirmativas falsas" sobre a sustentabilidade da agricultura brasileira e as barreiras a biocombustíveis, pedindo que a Europa considere a matriz energética limpa do Brasil para diminuir custos e descarbonizar. O presidente argumentou que o Brasil pode ajudar a União Europeia a reduzir custos de energia e descarbonizar a indústria, enfatizando a matriz energética limpa brasileira e o potencial do país em minérios críticos e na produção de hidrogênio verde, buscando parcerias internacionais com transferência de tecnologia. Lula também criticou a União Europeia por disseminar o que ele chamou de "narrativas falsas" sobre o agronegócio brasileiro, apesar de o setor, em grande parte, não o apoiar politicamente, e defendeu o agronegócio nacional, pedindo aos alemães que não acreditem em "mitos" sobre a produção de biocombustíveis no Brasil.
Em seu segundo dia na Alemanha, na Feira Industrial de Hannover, Lula voltou a defender o potencial dos biocombustíveis brasileiros e criticou as regras ambientais da União Europeia, afirmando que ignoram as práticas de sustentabilidade do Brasil e podem dificultar a entrada de produtos no bloco. Ele propôs uma comparação direta entre combustíveis brasileiros e europeus para medir as emissões de CO₂, e enfatizou que "as pessoas comem comida", não combustíveis, e que a produção de biocombustíveis pode se desenvolver concomitantemente à de alimentos sem ocupar biomas como a Amazônia. Durante a inauguração do estande brasileiro, Lula reiterou a defesa do multilateralismo, afirmando que o mundo vive um momento de sua destruição e tentativa de introdução do unilateralismo, fazendo um apelo global pela paz e pela construção, contra a destruição e a defesa da morte, criticando a transformação da humanidade em algoritmo. Ele também mencionou a transição energética no Brasil, citando a mistura de biocombustíveis na gasolina e no diesel, e exaltou os processos migratórios, afirmando que o Brasil é um país acolhedor para defensores da democracia e do multilateralismo.
UOL - Economia • 20 abr, 08:20
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