O presidente Lula defendeu o Papa Leão 14 após críticas de Donald Trump, que o chamou de "fraco". O pontífice, por sua vez, pediu paz e coexistência global, criticou líderes que promovem guerras e negou temores ao governo Trump, o que tem gerado perda de apoio a Trump entre católicos conservadores nos EUA.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou um pronunciamento em vídeo à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para manifestar solidariedade e defender o Papa Leão 14. A iniciativa do presidente brasileiro surge em um contexto de críticas e ataques direcionados ao pontífice por parte de Donald Trump, o atual presidente dos Estados Unidos, que o chamou de "fraco no combate ao crime e péssimo em política externa" em duas ocasiões distintas. Trump também criticou o Papa por pedir um cessar-fogo no Oriente Médio e por supostamente criticar a política externa americana, publicando suas críticas em sua rede social, a Truth Social. Além disso, Trump chegou a publicar uma imagem gerada por IA de si mesmo como Jesus Cristo, que foi posteriormente excluída.
Em resposta às contínuas críticas de Trump, o Papa Leão 14, durante uma viagem à África, defendeu a paz e a coexistência global, pedindo respeito por todas as pessoas e diálogo entre comunidades. O pontífice negou ter consentido com a posse de armas nucleares pelo Irã e reiterou seu apelo por um mundo livre de ameaças nucleares. Leão 14 afirmou não ter medo do governo Trump e que continuará a pregar a mensagem do Evangelho, buscando a paz e a reconciliação. Ele se tornou um crítico declarado da guerra dos EUA e Israel contra o Irã, afirmando que continuará a criticar o conflito, independentemente dos comentários de Trump e do vice-presidente JD Vance, e citou Jesus, afirmando que Ele não ouve orações de quem faz guerras.
Em declarações mais recentes, o Papa Leão 14 intensificou suas críticas a líderes que promovem conflitos, afirmando que o mundo está sendo devastado por um punhado de tiranos que gastam bilhões em guerras. Ele lamentou que recursos para cura e educação sejam escassos enquanto vastas somas são direcionadas para conflitos. O pontífice condenou veementemente o uso da linguagem religiosa para justificar guerras, pedindo uma mudança de rumo. Essas críticas foram amplamente interpretadas como direcionadas a Donald Trump, que já havia criticado o Papa por causa da guerra no Irã e o acusou de ignorar mortes de manifestantes no país. Leão 14 já havia feito comentários semelhantes no mês anterior, criticando líderes com 'mãos cheias de sangue', em referência ao secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth.
Analistas têm interpretado o conflito entre o presidente Donald Trump e o Papa Leão 14 como uma disputa entre a Igreja e o império, aprofundando-se nas realidades da política católica e considerando o caso um alerta importante para os fiéis. Essa discussão é estruturada em círculos concêntricos, do geral ao específico, abordando as implicações mais amplas do embate. A rixa pública entre Trump e o Papa, somada à guerra no Irã, está causando uma perda de apoio valioso entre católicos conservadores nos EUA. Líderes católicos conservadores estão se posicionando ao lado do Papa, retirando seu apoio político a Trump, o que afeta a base eleitoral conservadora do presidente. Bispos como Joseph Strickland, antes leais a Trump, agora criticam a guerra no Irã, alinhando-se ao apelo do Papa pela paz e questionando a doutrina da 'guerra justa'. Críticos como Peter Wolfgang alertam que os ataques de Trump ao Papa são vistos como ataques à própria Igreja, podendo diminuir seu apoio entre eleitores católicos.
No vídeo, Lula expressou sua "mais profunda solidariedade" ao Papa Leão 14, reforçando a importância da figura religiosa e destacando a atuação da Igreja Católica em defesa da democracia e dos necessitados. A ação do presidente brasileiro, divulgada em 15 de abril de 2026, sinaliza um posicionamento em relação às declarações de Trump e também faz parte de uma estratégia para reconquistar o eleitorado religioso visando as eleições de 2026.
G1 Mundo • 16 abr, 08:28
G1 Mundo • 16 abr, 07:44
BBC Brasil • 16 abr, 06:36
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