O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou publicamente o Papa Leão XIV em sua rede social Truth Social, chamando-o de 'fraco', 'muito liberal' e 'péssimo em política externa'. Trump expressou preferência pelo irmão do pontífice, Louis, e questionou a posição do Papa sobre a questão nuclear iraniana e as ações dos EUA na Venezuela. O presidente americano sugeriu ainda que a nomeação do Papa Leão XIV estaria ligada à sua nacionalidade americana e à necessidade de lidar com a presidência de Trump. Em um dos ataques, Trump publicou uma imagem gerada por IA retratando-se com uma túnica branca, abençoando um homem em uma cama de hospital, com elementos que sugeriam um caráter divino. Esta imagem, publicada no domingo, 12 de abril, foi posteriormente apagada de suas redes sociais após gerar críticas e acusações de blasfêmia. Trump negou que a imagem o representasse como Jesus, alegando que a via como ele mesmo como um médico ou trabalhador da Cruz Vermelha. Esta não é a primeira vez que Trump gera controvérsia com imagens de IA; em 2025, ele republicou uma montagem que o retratava como pontífice.
Em resposta, o Papa Leão XIV rebateu as críticas, afirmando que seus apelos pela paz têm raízes no Evangelho e que não teme o governo Trump. Durante um voo para Argel, na primeira etapa de sua viagem à África, o pontífice enfatizou que sua mensagem é baseada no Evangelho e visa a construção da paz, não a política partidária. Ele reiterou que não vê seu papel como político e que sua mensagem contra a guerra é direcionada a todos os líderes mundiais, criticando a 'ilusão de onipotência' que alimenta conflitos. O Papa Leão XIV, o primeiro pontífice nascido nos EUA, tem se posicionado contra a guerra entre Estados Unidos/Israel e Irã.
As críticas do Papa a Trump, no entanto, não são recentes. A falta de afinidade entre os dois é anterior ao papado de Leão XIV, com o então cardeal Robert Prevost criticando indiretamente Donald Trump desde 2015. Durante a campanha presidencial de 2015 e após a eleição de Trump em 2016, o cardeal compartilhava artigos e repercutia homilias em defesa de imigrantes e contra a retórica anti-imigração do republicano. Em 2025, como cardeal, o Papa republicou críticas à deportação de migrantes e ao sofrimento deles, estendendo suas críticas a outras figuras do governo, como o vice-presidente JD Vance. As discordâncias entre os dois líderes, considerados dois dos americanos mais poderosos do mundo, estão escalando para uma 'guerra de farpas' discursiva, tendo como pano de fundo os recentes conflitos bélicos globais.
As críticas de Trump e a imagem gerada por IA geraram reações internacionais e de líderes religiosos. O presidente do Irã, Masou Pezeshkian, condenou as declarações de Trump, chamando-as de 'insulto' e acusando o presidente dos EUA de profanação pela imagem gerada por IA. Católicos e líderes religiosos, como o Arcebispo Paul S. Coakley, também defenderam o papa e criticaram Trump pelos ataques, que especialistas em papado consideraram incomuns pela sua natureza direta e pública. No Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou uma mensagem pública de apoio ao Papa Leão XIV, assinada pelo cardeal Jaime Spengler e outros membros da cúpula da conferência. A CNBB afirmou que a autoridade do Papa se orienta pela defesa da paz, dignidade humana e diálogo, não pelo confronto político, e que o pontífice não tem intenção de entrar em debate com Trump, focando na promoção da paz.
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