Mercados globais operam mistos com a expectativa de negociações entre EUA e Irã, impulsionando bolsas e o Ibovespa, enquanto incertezas no Oriente Médio e a postura de Trump geram volatilidade no petróleo.
Os mercados globais apresentam um comportamento misto, refletindo a crescente expectativa de um diálogo entre Estados Unidos e Irã, mas também as incertezas persistentes no Oriente Médio. Os índices futuros dos EUA operam com resultados variados, enquanto um funcionário da Casa Branca confirmou que uma segunda rodada de negociações entre Washington e Teerã está sendo discutida. O presidente Donald Trump expressou otimismo, afirmando que as conversas poderiam ser retomadas 'nos próximos dois dias' e que a guerra está 'perto do fim', o que impulsiona a esperança de uma resolução diplomática para as tensões no Oriente Médio. No entanto, Trump também declarou não ter intenção de estender o acordo de trégua com o Irã, apesar das negociações diplomáticas mediadas pelo Paquistão, e enviou mais militares para a região. Israel, por sua vez, negou ter fechado um cessar-fogo com o Líbano, contrariando relatos da imprensa local e descartando um segundo acordo. A secretária de Imprensa dos EUA, Karoline Leavitt, confirmou que não foi solicitada extensão do cessar-fogo, mas as negociações são produtivas. Analistas do Saxo Bank indicam que a recuperação sustentada do ouro depende de desenvolvimentos construtivos no Oriente Médio.
Essa perspectiva de diálogo, juntamente com dados de inflação abaixo do esperado nos EUA, impulsionou as bolsas de Nova York, que fecharam mistas, mas com o S&P 500 e o Nasdaq atingindo novos recordes de fechamento. O Nasdaq registrou sua décima primeira sessão consecutiva de ganhos. O Dow Jones, por sua vez, fechou em leve baixa de 0,15%. A aposta em um estouro da bolha de inteligência artificial diminuiu para 17% na plataforma Polymarket, contribuindo para o otimismo em Wall Street. Empresas como Morgan Stanley, Bank of America e Broadcom registraram alta após resultados financeiros positivos no primeiro trimestre ou expansão de parcerias em IA. Os mercados da Ásia-Pacífico também fecharam em alta, reagindo positivamente à possibilidade de um acordo.
No Brasil, o Ibovespa, após renovar seu recorde intradia e superar 199 mil pontos pela primeira vez, encerrou uma sequência de onze altas, fechando em queda de 0,46% a 197.737,61 pontos. A queda foi influenciada pela realização de lucros e por dados de inflação mais fortes, que reforçam a percepção de juros elevados por mais tempo. Apesar da queda, o índice acumula alta de 0,21% na semana, 5,48% no mês e 22,72% em 2026. O volume financeiro do pregão superou R$ 120 bilhões, influenciado pelo vencimento de opções e contratos futuros. A performance recente do Ibovespa foi impulsionada pelo fluxo de capital estrangeiro, vendo o Brasil como um porto seguro na América Latina. Ações como MBRF (MBRF3), Rede D'Or (RDOR3), WEG (WEGE3) e Banco do Brasil (BBAS3) registraram quedas significativas, enquanto Petrobras (PETR4) caiu 2,07% com a acomodação do petróleo e a proximidade da AGO. Porto Seguro (PSSA3) e Azzas 2154 (AZZA3) apresentaram valorização. Este foi o 18º recorde do ano para a bolsa brasileira, a 11ª alta seguida e o quinto recorde consecutivo antes da queda.
O dólar comercial, por sua vez, opera perto da estabilidade ante o real, cotado a R$ 4,996 na venda, após registrar cinco sessões consecutivas de queda. Na terça-feira, o dólar à vista fechou com queda de 0,03%, a R$4,992, permanecendo abaixo de R$ 5. No cenário internacional, a moeda norte-americana subia em relação a outras moedas, mas fundos de hedge americanos estão aumentando suas apostas contra o dólar, impulsionados pela perspectiva de negociações de paz entre EUA e Irã. Analistas do Morgan Stanley preveem um dólar mais fraco, especialmente frente a moedas como euro, iene e franco suíço, com o índice do dólar da Bloomberg já tendo recuado 1,8% em abril. O anúncio de um cessar-fogo inicial de duas semanas foi um catalisador para a intensificação das vendas do dólar por hedge funds, que apostam em moedas como o dólar australiano, peso mexicano e real brasileiro. O fluxo cambial negativo no início de abril e a ausência de avanços no cenário geopolítico global influenciaram a cautela dos investidores. O mercado de câmbio acompanha de perto as negociações entre Irã e Estados Unidos, bem como o fornecimento e o preço do petróleo, que, apesar de subir, ainda se mantém abaixo de US$ 100. Juros futuros (DIs) terminaram o dia com baixas ao longo da curva.
Em contraste, os mercados europeus operam em leve queda, influenciados por resultados corporativos decepcionantes no setor de luxo e pela persistente incerteza geopolítica. Balanços corporativos nos EUA apresentaram resultados mistos, com algumas empresas como JPMorgan Chase e Wells Fargo recuando, enquanto Citigroup, BlackRock e Johnson & Johnson subiram. Os preços do petróleo Brent e WTI, após caírem significativamente na véspera, fecharam a sessão em alta marginal, influenciados por dúvidas sobre a extensão do cessar-fogo no Oriente Médio e a queda inesperada dos estoques de petróleo dos EUA em 913 milhões de barris na semana encerrada em 10 de abril. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, mencionou possíveis sanções a importadores de petróleo iraniano e previu queda nos preços. O ouro também registrou uma leve queda de 0,55% na Comex, cotado a US$ 4.823,6 por onça-troy, devido às incertezas geopolíticas, mas permaneceu acima de US$ 4.800, beneficiado por um dólar enfraquecido. Dirigentes do Federal Reserve, como Beth Hammack e Austan Goolsbee, discutiram o impacto do conflito nos preços de energia e na inflação dos EUA.
Agência Brasil - EBC • 15 abr, 20:01
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