Mojtaba Khamenei é o novo líder supremo do Irã, sucedendo seu pai Ali Khamenei, em um cenário de escalada militar e ataques intensificados, com Trump ameaçando retaliações e Israel prometendo assassinato, indicando endurecimento do regime.
O Irã nomeou Seyyed Mojtaba Khamenei, 56 anos, filho do falecido aiatolá Ali Khamenei, como seu novo líder supremo, conforme noticiado pela mídia estatal. A decisão foi tomada pela Assembleia de Especialistas, que alcançou um consenso de forma não presencial, consolidando Mojtaba como o sucessor após a morte de seu pai em 28 de fevereiro, vítima de um ataque aéreo em Teerã. Mojtaba, um clérigo de nível intermediário com postura linha-dura e laços estreitos com a Guarda Revolucionária, assume como autoridade religiosa, política e comandante-em-chefe das Forças Armadas, em uma tentativa do governo iraniano de manter a continuidade em meio à crescente instabilidade regional e aos ataques intensificados na região. Ele acumulou influência como 'guardião' de seu pai e tem laços estreitos com as forças de segurança e o império de negócios que elas controlam.
A nomeação ocorre em um cenário de intensificação do conflito no Oriente Médio, com Israel e EUA ampliando seus ataques contra o Irã. Forças israelenses bombardearam depósitos de combustível perto de Teerã e uma usina de dessalinização no Barein, enquanto a escalada militar já resultou em 1.332 mortes de civis. O presidente dos EUA, Donald Trump, classificou a escolha de Mojtaba como "inaceitável", reiterando sua posição de que a guerra só terminará com a eliminação dos militares e governantes iranianos, e ameaçou retaliações caso a nomeação não tivesse sua aprovação prévia. O Departamento do Tesouro dos EUA impôs sanções a Mojtaba em 2019, citando sua influência não oficial e seu papel no apoio às ambições desestabilizadoras de seu pai. Além disso, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, prometeu assassinar o próximo líder supremo do Irã, classificando-o como um alvo inequívoco. Contudo, o ministro das Relações Exteriores do Irã defendeu o direito do povo iraniano de escolher seu líder, e a nomeação recebeu amplo apoio interno dos Guardas Revolucionários, das Forças Armadas e do Parlamento iraniano.
A ascensão de Mojtaba, no entanto, não é isenta de controvérsias. Embora seja uma figura influente nos bastidores, a sucessão de pai para filho não é bem vista na corrente xiita do Islã, e a Revolução Islâmica de 1979 prometeu evitar a transmissão hereditária de poder. Mojtaba é associado a acusações de participação indireta na repressão a protestos, como o Movimento Verde de 2009, o que pode gerar discussões internas sobre a legitimidade de sua liderança. Sua liderança, considerada linha-dura, indica um provável endurecimento do regime, com pouca ou nenhuma mudança política no Irã, e Israel já declarou que qualquer novo líder iraniano poderá ser alvo militar. Ele é conhecido por se opor a reformadores e por sua postura contra o envolvimento com o Ocidente e o programa nuclear iraniano, tendo um histórico de apoio a figuras linha-dura como Mahmoud Ahmadinejad e enfrentado críticas de manifestantes em 2022.
Essa ascensão o torna uma figura central na política iraniana, expondo claramente o futuro comando do país. A combinação de tensões militares, restrições logísticas, como ataques de Israel a estoques de petróleo e o fechamento do Estreito de Ormuz, e uma liderança linha-dura pode pressionar o preço do barril de petróleo no mercado internacional de energia. Sua nomeação, portanto, não apenas marca uma transição de poder, mas também levanta questões sobre a direção futura do regime teocrático iraniano em um momento de grande tensão geopolítica, especialmente após a morte do ex-presidente Ebrahim Raisi e em meio a críticas sobre suas credenciais clericais e a oposição a uma sucessão dinástica.