A MBRF firmou acordo com o MPT para realocar gestantes de áreas de alto ruído em sua unidade de Lucas do Rio Verde (MT), após investigação apontar 77 abortos e 113 partos prematuros entre 2019 e 2025.
A MBRF, empresa do setor frigorífico, firmou um acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT) para realocar trabalhadoras grávidas de áreas com ruído igual ou superior a 80 decibéis em sua unidade de Lucas do Rio Verde (MT). A medida surge após uma investigação do MPT que identificou 77 abortos confirmados e 113 partos prematuros entre 2019 e 2025, possivelmente relacionados à exposição a ambientes barulhentos. A investigação foi ampliada após o aborto espontâneo de uma funcionária venezuelana grávida de gêmeas em abril de 2024.
Conforme o acordo, a MBRF se comprometeu a realocar as gestantes sem redução de salário ou benefícios e a implementar um programa de gestão de saúde específico, incluindo um protocolo de atendimento e veículo exclusivo para transporte emergencial. Em caso de descumprimento, a empresa estará sujeita a multas de R$ 50 mil por irregularidade e R$ 20 mil por trabalhadora prejudicada. O MPT ainda pleiteia R$ 20 milhões por danos morais coletivos, valor que será analisado pela Justiça, embora a MBRF negue correlação entre os casos e as atividades.