Itercast #1
André Mendonça
Itercast (Instituto Iter), 14/08/2026, 65 min
Entrevista institucional, Entrevista biográfica
Isto não é avaliação clínica, diagnóstico, perfil psiquiátrico nem teste psicométrico validado. É a estimativa de tendências comportamentais observáveis em entrevistas específicas, com incerteza, explicações alternativas e limitações declaradas. Comportamento numa entrevista não é personalidade, e nenhuma nota aqui é percentil populacional.
Comportamento repetido em contextos diferentes informa muito mais do que comportamento repetido no mesmo contexto. Como isso é medido.
Qualidade da amostra
Propriedades da situação, não da pessoa. É o que limita o que dá para concluir.
- Transcrição
- automatic
- Diarização de falantes
- não
- Verificada por humano
- não
- Áudio / vídeo
- sem áudio, sem vídeo
- Espontaneidade
- 3/5
- Pressão do entrevistador
- 2/5
- Pressão de gestão de imagem
- 4/5
- Densidade comportamental
- 3/5
- Qualidade geral da evidência
- 2/5
Primeira entrevista dele como ministro do STF. Entrevistadores: Deine Suragi (comunicação do próprio Instituto Iter) e Felipe Recondo (JOTA/Sem Precedente). Relator de investigações em curso (Banco Master, INSS, financiamento do filme Dark Horse), o que dá incentivo forte e legítimo para não dizer nada de concreto. Data da entrevista aproximada pela data do laudo — não consta na fonte.
Confiança geral na inferência: Moderada (45%) (mede a qualidade da evidência disponível, não a certeza de que a pessoa seja de um jeito).
Impressão comportamental
A característica organizadora é a estrutura: quase toda resposta passa por uma moldura teórica nomeada antes de tocar o caso concreto, e a trajetória é narrada como projeto de longo prazo com etapas e prazos. Conscienciosidade alta e raciocínio sistêmico bem desenvolvido são os achados mais robustos, porque são sustentados não só pelo que ele conta sobre si, mas pelo modo como ele fala em tempo real. Tende a resolver problemas institucionais convergindo para um princípio único, e não recorda nenhuma revisão de crença relevante. Dentro desta conversa a compostura é invariante e o antagonismo é ausente — mas ambos têm explicação situacional forte demais para virarem traço. O que varia com o contexto não é o tom: é a informação. Em terreno de expertise ele é denso e específico; em terreno politicamente acionável, mantém o mesmo registro e esvazia o conteúdo.
Codificação comportamental (Estágio A)
O que é observável, antes de qualquer rótulo de personalidade. As notas vêm daqui, nunca o contrário.
- Respostas muito longas, quase monólogos estruturadosblocos de 2–4 min em [11:43], [36:56], [42:57]Toda a entrevista, Muito alta, risco de interpretação: high
- Organiza resposta em enumeração explícita ("primeiro… segundo…")[36:56] "Primeiro porque nós temos três poderes"; [30:14] "primeiro que você precisa ter uma boa equipe"Temas doutrinários e práticos, Alta, risco de interpretação: low
- Ancora argumento em teoria formal nomeadaTeoria do agente-principal em 4 tópicos diferentes; problema da ação coletiva [13:56]Institucional, Alta, risco de interpretação: low
- Cita autoridade acadêmica/estrangeira com referência datada"Ferragioli num artigo de 2001, escrito em espanhol" [42:08]; sistemas EUA/Itália/Alemanha [23:10]Temas institucionais, Alta, risco de interpretação: moderate
- Dá números e datas precisos de memória"acordo de 470 milhões" [09:44]; "7,5 bilhões" [21:57]; sequência 2008→2011→2012→2015→2018Biografia profissional, Alta, risco de interpretação: moderate
- Divide crédito espontaneamente"liderado por mim, mas conduzido por mais de uma centena de colegas" [03:05]Conquistas próprias, Alta, risco de interpretação: low
- Enumera prêmios, reconhecimento e instituições de prestígioPrêmio Innovare [03:05]; citação em relatório do Departamento de Estado [01:56]; Salamanca, FrankfurtBiografia, Alta, risco de interpretação: moderate
- Conta histórias de renúncia materialVendeu o Gol para estudar inglês [29:26]; abriu mão de cargo em comissão e apartamento funcional [06:20]Biografia, Alta, risco de interpretação: moderate
- Descreve planejamento de horizonte longo que depois se realizou"projetar 10 anos à frente" (2011) → currículo chega a Bolsonaro (2018) [05:15]→[08:34]Biografia, Média, risco de interpretação: high
- Atribui resultado final a agência externa (providência)"meu projeto é estar preparado para aquilo que Deus quiser colocar na minha vida" [08:34]Carreira, Média, risco de interpretação: low
- Recusa-se a dar conteúdo concreto sob pergunta direta"E quais são [os obstáculos]?" → "São pontos do devido funcionamento das instituições" [26:00]Casos em curso, Média (2–3x), risco de interpretação: low
- Reduz questões institucionais complexas a um princípio único"o limite é o princípio da legalidade" [42:08]; "o papel do Supremo é aplicar a lei" [44:59]≥4 tópicos distintos, Muito alta, risco de interpretação: low
- Usa paralelismo negativo como forma padrão de afirmar"não é reprimir, é prevenir" [24:14]; "o papel do juiz não é combater a corrupção, é aplicar a lei" [15:03]Toda a entrevista, Muito alta, risco de interpretação: low
- Raciocina sobre efeitos de segunda ordemativismo → enfraquece os outros poderes → eles se acomodam → mais judicialização [36:56]3+ tópicos, Alta, risco de interpretação: low
- Assume posições que reduzem o poder do próprio tribunalTirar do STF a competência penal originária [01:00:39]; restringir o rol de legitimados [01:01:39]Bloco institucional, Média-alta, risco de interpretação: low
- Discorda de colegas sem personalizar"alguns ministros ainda enxergam o Supremo sob ameaça… Não, sob ameaça não" [59:32]Tribunal, 1 ocorrência clara, risco de interpretação: low
- Nunca ataca pessoa nomeada; nunca atribui culpa individualAgentes de risco aparecem como "há uma tendência a se tentar desconstruir mecanismos de controle" [23:10]Toda a entrevista, Muito alta (ausência sistemática), risco de interpretação: moderate
- Separa explicitamente convicção pessoal de dever institucional"eu sou contra a liberação das drogas, eu, André Mendonça. Porém, se houvesse uma lei liberando… eu respeitaria" [57:36]Fé/valores, Média-alta, risco de interpretação: low
- Responde "não lembro" quando perguntado se mudou de opinião, e se auto-rotula"puxa, não lembro nada específico… eu acho que eu sou conservador nesse ponto" [58:37]Único teste direto de flexibilidade, 1 ocorrência, risco de interpretação: low
- Ausência quase total de humorNenhuma piada, ironia ou riso identificável em 65 minToda a entrevista, Ausência sistemática, risco de interpretação: moderate
- Registro emocional estável sob a pergunta mais delicadaPerguntado se obstruiria investigação por ter sido indicado por Bolsonaro: "meu papel é ser imparcial" [47:00]Momento de maior pressão, 1x, risco de interpretação: moderate
- Marcadores rituais de humildade"se não me falha a memória"; "penso eu"; "apesar das minhas imperfeições" [54:07]Disperso, Alta, risco de interpretação: moderate
- Usa exemplos cotidianos concretos para aterrar teses abstratas"um troco na padaria" [19:28]; "o rico e o pobre têm as mesmas 24 horas" [30:14]Vários, Alta, risco de interpretação: low
- Descreve preferência por vida reclusa e rotina fixa de estudo"sou uma pessoa muito caseira" [30:14]; "duas, três horas por dia" [32:29]Rotina, Média, risco de interpretação: moderate
- Enquadra a si mesmo como restringido, não como poderoso"nós somos escravos dos autos" [47:53]Casos sensíveis, Média-alta, risco de interpretação: moderate
- Prega escuta e fala pouco… falando muito"O bom magistrado não é o que fala muito. Ele precisa ouvir muito" [39:52], dito dentro de uma resposta longaEmblemático, 1x, risco de interpretação: high
- Publica decisões como mecanismo de escrutínio externo"tenho publicado, porque é a forma da sociedade avaliar os critérios que eu adotei" [48:40]Conduta declarada, 1x, risco de interpretação: moderate
- Endossa decidir rápido com correção posteriorConselho do pai: "não tenha medo de tomar decisões; se você tiver errado, peça desculpa" [01:03:26]Fecho da entrevista, 1x, risco de interpretação: high
- Reconhece preconceito contra o próprio grupo e assume ônus representativo"há um preconceito… de que é um povo não tão racional" / "tenho a responsabilidade de ser exemplo" [54:07]→[55:28]Fé, Média, risco de interpretação: low
Dimensões (Estágio B)
Big Five
- Abertura3 / 5Moderada (55%)Cobertura: Boa
Curiosidade intelectual alta operando dentro de uma moldura normativa estável. É abertura de método, não de fim: ele estuda para executar melhor, não para se desestabilizar.
Facetas: values 2, intellect 4,5
Explicações alternativas- O podcast é de um instituto de ensino — o palco premia exatamente a narrativa de estudo.
- "Conservador" no contexto pode significar cautela jurídica, não traço de personalidade.
- Conscienciosidade5 / 5Alta (75%)Cobertura: Ampla
O único caso do dataset em que autorrelato e comportamento em tempo real corroboram um ao outro: a fala é ela mesma altamente organizada — cronologia sem furos, números específicos, respostas enumeradas.
Evidência a favor- Projeto de capacitação com horizonte de 10 anos anunciado a colegas em 2011Autorrelato, 05:15
- Cronologia sem furos, números específicos e respostas enumeradas dentro da própria entrevistaComportamento observado
- "procurei criar um método… se transforma numa secretaria com duas diretorias"Autorrelato, 21:57
Explicações alternativas- O gênero da entrevista incentiva exibição de disciplina.
- Extroversão3 / 5Moderada (55%)Cobertura: Parcial
Sociabilidade estruturada por papel (ensinar, pastorear, atender) em vez de busca de estimulação social. Registro uniformemente contido, sem escalada nem nas passagens sobre fé ou família.
Facetas: energy 2, sociability 3, assertiveness 4
Explicações alternativas- O formato (ele é a atração) infla artificialmente a métrica de espaço conversacional.
- Amabilidade4 / 5Moderada (55%)Cobertura: AmplaContaminação de contexto: 85%
Compaixão majoritariamente declarativa: é valor articulado, não comportamento observado — a entrevista não oferece nenhuma situação em que ele responda a sofrimento presente.
Facetas: compassion 3,5, politeness 5
Explicações alternativas- Cortesia e não-personalização são dever funcional de magistrado, especialmente de relator de investigações em curso. Atacar alguém seria falta grave, não apenas indelicadeza.
- Estabilidade emocional5 / 5Baixa (42%)Cobertura: FracaContaminação de contexto: 90%
Nenhuma reatividade detectável — e quase nenhuma informação: a pressão era baixa e cordial, e ele tem 30+ anos de exposição pública treinada. Compostura aqui é quase inevitável. Ponto cego assumido.
Explicações alternativas- Esta entrevista não testa estabilidade emocional sob adversidade real.
Interpessoal
- Agência4 / 5Moderada (55%)Cobertura: Boa
Reenquadra perguntas nos próprios termos; propõe reforma institucional sem ser perguntado sobre proposta específica.
- Comunhão4 / 5Moderada (55%)Cobertura: Boa
Comunhão afiliativa-dutiforme (dever, responsabilidade, representação de grupo) mais que calorosa-expressiva. Expressa compromisso com pessoas, não intimidade com elas.
Comunicação
- Diretividade3 / 5Moderada (55%)Cobertura: Boa
Bifurcação limpa, não meio-termo: direto e categórico em doutrina, indireto e evasivo em fato concreto ("pontos do devido funcionamento das instituições").
- Assertividade4 / 5Moderada (55%)Cobertura: Boa
Contradiz colegas do tribunal; propõe retirar competência do próprio STF.
- Elaboração verbal5 / 5Alta (75%)Cobertura: Boa
Respostas de vários minutos com 3–4 camadas antes de fechar.
- Dominância conversacionalN/E (Tecnicamente não mensurável)
Corrigido do 4/5 do laudo v1. Sem diarização e num formato em que ele é a atração, volume de fala não mede controle de turno.
- Precisão4 / 5Moderada (55%)Cobertura: Boa
Alta em datas, cifras e citações; baixa deliberadamente em qualquer coisa politicamente acionável.
- Orientação narrativa4 / 5Alta (75%)Cobertura: Boa
- Expressividade emocional2 / 5Moderada (55%)Cobertura: Parcial
Registro uniforme mesmo em fé, família e acusação implícita de parcialidade.
- Humor1 / 5Baixa (35%)Cobertura: Fraca
Nenhuma ocorrência em 65 min. Ressalva de mídia: a transcrição não capta riso nem ironia leve.
Evidência contra- Nenhuma piada, ironia ou riso identificável em 65 minutosAusência, 3 oportunidades observadas para o comportamento ocorrer
- Orientação persuasiva4 / 5Moderada (55%)Cobertura: Boa
A entrevista inteira constrói duas teses: uma doutrina (legalidade/autocontenção) e uma autoimagem (o preparado e imparcial).
- Humildade epistêmica3 / 5Moderada (55%)Cobertura: Parcial
Sobe numa dimensão (separa convicção pessoal de dever funcional, e opinião de fato, explicitamente) e desce em outra (registro categórico sobre questões institucionais contrafactuais). Marcadores presentes, mas ritualizados.
- Autofoco4 / 5Baixa (35%)Cobertura: ParcialContaminação de contexto: 90%
A entrevistadora pediu explicitamente autobiografia ("o começo é o caminho"). A alternativa situacional é forte demais para ler autofoco como disposição.
- Orientação social3 / 5Moderada (55%)Cobertura: Boa
Alterna entre instituições/mecanismos e o impacto humano ("tem rostos ali").
Cognição e raciocínio
- Orientação analítica4 / 5Alta (75%)Cobertura: Boa
Decompõe corrupção em prevenção especial vs. geral, integridade vs. persecução.
- Pensamento sistêmico5 / 5Alta (75%)Cobertura: Ampla
Cadeias causais completas em tópicos independentes, com efeitos de segunda ordem explícitos.
Evidência a favor- ativismo → enfraquece os outros poderes → eles se acomodam → mais judicialização e mais crítica ao STFComportamento observado, 36:56
- impunidade → quebra da relação principal-agente → dilema da ação coletiva → sociedade deixa de crer que compensa ser honestaComportamento observado, 13:56
- Abstração4 / 5Alta (75%)Cobertura: Boa
Move-se com fluidez de Ferrajoli ao troco da padaria.
- Raciocínio causal4 / 5Alta (75%)Cobertura: Boa
- Pensamento contrafactual3 / 5Moderada (55%)Cobertura: Boa
- Pensamento probabilístico2 / 5Moderada (55%)Cobertura: Boa
Praticamente ausente. Nenhuma faixa, likelihood ou cenário condicional.
- Flexibilidade cognitiva2 / 5Baixa (42%)Cobertura: Fraca
Uma única sondagem direta na entrevista inteira — daí a confiança baixa apesar da resposta ser inequívoca.
- Tolerância à ambiguidade2 / 5Moderada (55%)Cobertura: Parcial
Migrada invertida de "Necessidade de fechamento 4/5". Converge para um princípio-mestre em quase toda pergunta institucional.
- Orientação de longo prazo5 / 5Alta (75%)Cobertura: Ampla
Planejamento de 10 anos; preocupação com efeitos geracionais de desmonte de controles; vitaliciedade como argumento estrutural.
- Tolerância à complexidade3 / 5Moderada (55%)Cobertura: Boa
Complexidade no diagnóstico, simplicidade no remédio.
Decisão e risco
- Deliberação5 / 5Moderada (55%)Cobertura: Boa
Não improvisa marcos analíticos — traz molduras prontas e as aplica. Apoia-se em processo e estrutura sobre julgamento pessoal.
- Ação sob incertezaN/E (Evidência insuficiente)
O único material é o conselho do pai ("não tenha medo de tomar decisões"), que é valor herdado declarado, não comportamento observado. O laudo alerta explicitamente para não confundir os dois.
- Consciência de reversibilidadeN/E (Evidência insuficiente)
Mesma razão: a reversibilidade aparece só na máxima do pai, não em decisão narrada dele.
- Risco pessoal4 / 5Baixa (42%)Cobertura: Fraca
Só autorrelato biográfico: vendeu carro, largou cargo e apartamento funcional, mudou de país.
- Risco reputacionalN/E (Evidência insuficiente)
- Risco institucionalN/E (Evidência insuficiente)
O laudo marca N/E explicitamente. Em matéria jurídica o movimento é sempre em direção à contenção, mas isso é doutrina, não amostra de decisão sob risco.
- Risco estratégicoN/E (Evidência insuficiente)
Liderança
- Delegação4 / 5Baixa (42%)Cobertura: Parcial
Declara depender de equipe forte e construiu metodologia para sobreviver à própria saída.
- DecisividadeN/E (Evidência insuficiente)
O valor declarado (decida, erre, corrija) é mais arrojado do que qualquer coisa demonstrada na entrevista.
- Responsabilização própria2 / 5Baixa (42%)Cobertura: Parcial
Analisa o colapso da Lava Jato com distância técnica, sem mencionar que ocupava AGU/CGU/MJ no período correlato — e ninguém lhe pergunta isso.
- Orientação a consensoN/E (Evidência insuficiente)
- Tolerância à discordância4 / 5Baixa (42%)Cobertura: Parcial
Aparentemente alta e não-defensiva; posiciona-se como "agente de colaboração para o tribunal".
- Divisão de crédito5 / 5Alta (68%)Cobertura: Boa
Corrige a si mesmo em tempo real para incluir a equipe. É um dos comportamentos mais consistentes da entrevista — e observado, não relatado.
- Externalização de culpa3 / 5Baixa (42%)Cobertura: Parcial
Evidência genuinamente mista, não meio-termo: não externaliza para agente nomeado (culpa é sempre difusa e sistêmica), mas também não internaliza nenhuma parcela.
- Orientação à execução4 / 5Moderada (55%)Cobertura: Boa
A visão dele é sempre uma estrutura a ser construída (departamento → secretaria; curso → mestrado), não uma bandeira abstrata.
- Orientação a experimentaçãoN/E (Evidência insuficiente)
- CentralizaçãoN/E (Evidência insuficiente)
- Horizonte de liderança5 / 5Moderada (55%)Cobertura: Boa
"toda estrutura pode ser desconstruída" — pensa em durabilidade, não só em entrega.
Motivações
Guardadas à parte das dimensões porque são mais sensíveis a contexto. Saliência nesta amostra, não valor estável da pessoa.
- masterysaliência 4, confiança 75%
Ano sabático, doutorado, professor visitante, 2–3h/dia; "ensinar me força a estudar" [31:16]
Alternativa: O palco é um instituto de ensino: tema premiado pelo formato.
- servicesaliência 4, confiança 55%
"Nós devemos nos preparar para servir ao país" [05:15]; ônus qualificado do agente público [20:43]
Alternativa: Linguagem esperada de autoridade pública.
- meaningsaliência 4, confiança 75%
Presta contas a Deus [53:01]; providência como quadro de carreira [08:34]
Alternativa: Genuína ou sinalização a um público específico — indistinguível aqui.
- achievementsaliência 3,5, confiança 55%
Enumeração de prêmios, cifras e reconhecimentos internacionais
Alternativa: A pergunta era biográfica; contar conquistas era a resposta pedida.
- legacysaliência 3,5, confiança 55%
"Procurei criar um método" [21:57]; formar 20–30 colegas capazes de chefiar a AGU
Alternativa: Pode ser racionalização retrospectiva.
- statussaliência 3, confiança 42%
"Professor convidado lá, o que muito me orgulha" [31:16]; associação recorrente a instituições de prestígio
Alternativa: Ele emoldura status como validação do método, não como fim. As duas leituras se ajustam igualmente bem aos dados.
- belongingsaliência 3, confiança 55%
Responsabilidade explícita perante a comunidade evangélica [54:07, 55:28]
Alternativa: É ônus assumido tanto quanto vínculo desejado.
- autonomysaliência 3, confiança 35%
Recusou cargos confortáveis para seguir projeto próprio [06:20]
Alternativa: Uma ocorrência narrada.
- securitysaliência 2, confiança 55%
"isso tudo se perde com uma assinatura no diário oficial" [28:15]
- wealth_resourcessaliência 2, confiança 35%
Só aparece como aquilo de que ele abriu mão
- powerN/E
Ocupa um dos cargos mais poderosos do país mas nunca fala em termos de poder próprio; enquadra-se como restringido
Alternativa: Indeterminável nesta amostra.
- competitionN/E
Nenhum enquadramento competitivo em 65 min
Alternativa: Ausência observada, não motivação medida.
Contradições e tensões
Listadas sem forçar coerência. Tensão não é acusação de má-fé.
- Prega escuta, exerce fala — dito no meio de um monólogo de 65 minutos majoritariamente monológicos.
- Doutrina de autocontenção × posição ocupada: defende que o STF não deveria ter competência penal originária enquanto a exerce como relator.
- Aprendizado contínuo × imutabilidade de opinião: faz do estudo o eixo da identidade e não lembra de nenhuma mudança de ideia relevante.
- Humildade declarada × enumeração sustentada de conquistas, no mesmo parágrafo, repetidamente.
- Universalismo antipartidário × silêncio concreto: afirma que "o dinheiro não tem cor partidária" sem oferecer exemplo de nenhum lado.
- Impotência declarada ("escravos dos autos") × discricionariedade real de relator.
- Fé como valor central × fé excluída do fundamento decisório — resolvido em tese, mas o teste que ele escolhe (drogas) é justamente aquele em que convicção e voto coincidem.
Testes de falsificação
Que evidência, em outra entrevista, obrigaria a revisar cada conclusão forte. Uma entrevista futura tem que poder enfraquecer o perfil, não só reforçá-lo.
- Pensamento sistêmico alto (5/5)Entrevistas em que trate problemas institucionais como falhas isoladas de pessoas; ou em que as cadeias causais sejam sempre as mesmas duas aplicadas mecanicamente, o que indicaria repertório memorizado.
- Conscienciosidade muito alta (5/5)Relatos de colaboradores sobre atrasos ou desorganização; discrepância entre as cifras que cita e o registro público.
- Não-antagonismo / recusa de personalizar conflitoQualquer aparição pública em que ataque nominalmente colega, jornalista ou parlamentar. É a hipótese mais frágil do laudo: um único contraexemplo a derruba.
- Flexibilidade cognitiva baixa (2/5)Um caso documentado de revisão pública de posição doutrinária relevante, com reconhecimento explícito da mudança.
- Estabilidade emocional alta (5/5)Irritação, defensividade ou resposta ad hominem em entrevista genuinamente adversarial. É a conclusão menos testada de todas.
Hipóteses de baixa confiança
- Regulação por supressão de conteúdo, não por controle de afeto: o tom não varia sob pressão, mas a densidade informacional cai bruscamente.O que aumentaria a confiança: Entrevista adversarial com reperguntas insistentes, ou situação em que ele seja factualmente contrariado com documento na mão.
- Locus de controle dividido — interno para preparo, externo para resultado.O que aumentaria a confiança: Relatos sobre fracassos pessoais e como ele os explica.
- Baixa auto-atribuição em falhas institucionais que o incluíam (Lava Jato, com ele na AGU/CGU/MJ no período correlato).O que aumentaria a confiança: Pergunta direta sobre erro próprio em cargo executivo.
- Motivação de status subestimada: a enumeração de instituições de prestígio é densa, mas sempre emoldurada como validação de método.O que aumentaria a confiança: Observar como ele fala de conquistas em contexto sem público e sem pergunta biográfica.
- "Conservador" pode ser identidade assumida, não descrição de padrão comportamental.O que aumentaria a confiança: Comparar posições doutrinárias dele em 2015, 2021 e 2026 sobre a mesma matéria.
- A ausência total de humor é traço, e não efeito do gênero da entrevista.O que aumentaria a confiança: Vídeo, ou entrevista em contexto informal.
Migração e correções
Esta análise veio de um laudo anterior, normalizado para a taxonomia canônica. O que não tem equivalente, ou o que foi corrigido, fica registrado aqui em vez de sumir.
- Dominância conversacional (4/5, confiança Baixa ("descontar fortemente"))CORRIGIDO para tecnicamente não mensurável. O próprio laudo reconhecia que o formato explica quase tudo; sem diarização a dimensão não é medível, e a regra passa a ser a mesma para os três laudos.
- Orientação a evidência (3/5, confiança moderada)Sem dimensão canônica equivalente. Observação preservada: autoridade é a fonte dominante.
- Calibração epistêmica (3/5)Coincide com `epistemic_humility` neste laudo; preservada à parte para não contar duas vezes.
- Necessidade de fechamento (4/5 (alta))Migrada invertida para `ambiguity_tolerance` = 2/5.
- Tolerância a risco (institucional/decisória) (N/E)Preservada como falta. Assumir posições que reduzem o poder do próprio tribunal é sinal custoso, mas o laudo não o converte em nota e a migração não inventa uma.
- Motivação de poder (N/E — "ausência de discurso de poder ≠ ausência de motivação de poder")Gravada como motivação sem saliência, e não omitida: registrar que procuramos e não determinamos é diferente de não ter olhado.
Limitações metodológicas
- Personalidade não pode ser medida de forma confiável a partir de uma única entrevista.
- Primeira entrevista no cargo, podcast institucional, casos sob sigilo, público representado: o incentivo a performar é máximo.
- Falar de forma estruturada não prova ser organizado; falar de humildade não prova humildade.
- Transcrição automática sem diarização, com trechos corrompidos, sem áudio nem vídeo.
- O sigilo processual bloqueia legitimamente o terreno mais informativo da conversa.
