Promotoria paraguaia imputa 27 pessoas por irregularidades no Ueno Bank
O Ministério Público do Paraguai imputou 27 pessoas ligadas ao Ueno Bank e pediu medidas cautelares, em caso que gera preocupações sobre a estabilidade do setor financeiro local.
Pontos principais
- O Ministério Público do Paraguai imputou 27 pessoas ligadas ao Ueno Bank S.A. e a empresas do grupo por conduta indevida em situação de crise, lesão de confiança, tentativa de estelionato e violação da obrigação de manter livros de comércio.
- As operações investigadas são empréstimos e saldos a descoberto concedidos entre 2025 e 2026 a empresas vinculadas, sem garantias suficientes e fora dos parâmetros de risco de crédito, segundo a Promotoria.
- Uma carteira de crédito de cerca de US$ 74,4 milhões foi transferida a uma sociedade que, pela hipótese fiscal, usou recursos originados indiretamente no próprio banco.
- Segundo a Promotoria, os saldos pendentes das operações examinadas somam US$ 166.984.879,33 e 343.157.246.557 guaranis, com recuperação sob risco.
- A Promotoria pediu prisão preventiva para um ex-vice-presidente do banco e medidas cautelares, como prisão domiciliar e bloqueio de bens, para os demais 26 imputados.
- O caso repercute negativamente na imagem do Paraguai, país que buscava atrair investimentos estrangeiros com base em juros baixos e carga tributária reduzida.
Segundo a Promotoria, há indícios de que parte dos fundos desembolsados foi transferida a outras sociedades do mesmo grupo econômico, em vez de ser destinada aos projetos declarados pelos tomadores. Também são investigadas operações de quitação de obrigações com recursos de outras empresas vinculadas. O Banco Central do Paraguai enviou antecedentes que apontam fragilidades significativas na gestão do risco de crédito e na avaliação da capacidade de pagamento de alguns devedores. A causa está na fase investigativa, e as medidas pedidas dependem da decisão do juízo competente, enquanto o presidente Santiago Peña também é alvo de investigação criminal por possíveis irregularidades com recursos públicos depositados na instituição.
O escândalo envolvendo o Ueno Bank gera preocupações sobre a reputação econômica do Paraguai, que nos últimos anos se posicionou como um destino atraente para investimentos devido a fatores como inflação controlada, energia barata e uma carga tributária de 15%. A instabilidade financeira decorrente das denúncias contrasta com o cenário de crescimento consistente que o país buscava consolidar frente a vizinhos como o Brasil, cuja carga tributária é de 33%. Dois dos executivos ligados ao caso, os diretores administrativos Diego Duarte Schussmuller e Alejandro Gómez, trabalharam anteriormente no mercado financeiro brasileiro. A defesa dos executivos ainda não se manifestou formalmente sobre as acusações.
Fonte primária
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