Visão geral
A queda de avião na Flórida de 1º de novembro de 2026 matou as nove pessoas a bordo de um jato executivo Learjet 60, matrícula N722BD, que caiu às 12h50 (horário local; 14h50 em Brasília) sobre a Military Trail, uma avenida de Greenacres, no condado de Palm Beach. O voo fretado tinha saído de Austin, no Texas, rumo a North Eleuthera, nas Bahamas. Havia dois tripulantes e sete passageiros. Um homem que passava de carro perto do local feriu a perna.
Os nove mortos estão identificados publicamente. Entre eles está a copiloto Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, nascida na Flórida e filha de brasileiros. O comandante era Jeff Gregory, de 55 anos. Os sete passageiros eram o empresário de tecnologia Adam Robinson, de Austin, a mulher, Helen Sharp, os dois filhos pequenos, a babá das crianças e um casal de amigos da família, segundo nota conjunta das famílias.
O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB) conduz a investigação, com apoio da Administração Federal de Aviação (FAA). Em 3 de novembro de 2026, o NTSB informou que a maior parte do profundor esquerdo, peça da cauda que controla a subida e a descida do nariz do avião, foi achada de 2 a 6,1 km do local da queda, o que confirma que o jato perdeu partes antes do impacto. A causa não está determinada.
O que aconteceu
O jato decolou do Aeroporto Internacional Austin-Bergstrom por volta das 10h37 (horário da Flórida), segundo o NTSB. Às 12h47, a 35 mil pés (cerca de 10,7 km), a tripulação informou ao controle de tráfego aéreo que enfrentava formação leve de gelo claro e turbulência moderada, com variações de altitude de uns 700 pés. A temperatura externa relatada era de 47 °C negativos. A tripulação disse que estava lidando com o gelo.
Em seguida, a tripulação relatou chuva e pediu para subir a 37 mil pés. O controle autorizou. Menos de 30 segundos depois, o avião informou que estava descendo e fez um chamado de socorro ("mayday"). Às 12h48, uma transmissão disse que o jato estava "em condição de excesso de velocidade, descendo"; o resto ficou ininteligível. A queda ocorreu por volta das 12h50.
O jato caiu quase na vertical sobre a Military Trail, perto da 10th Avenue North e da comunidade de casas móveis de Cresthaven, explodiu e abriu uma cratera na pista. Chovia forte na região, com tempestades. O local fica a cerca de 14 km de Mar-a-Lago, o clube do presidente Donald Trump, que tinha deixado a área no Air Force One cerca de uma hora antes, segundo a BBC. Em 3 de novembro, Tom Chapman, do NTSB, disse não haver "absolutamente nenhuma evidência" de ligação entre a queda e a proximidade de Mar-a-Lago.
O secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, confirmou que não houve sobreviventes. O governador da Flórida, Ron DeSantis, foi ao local no mesmo dia e disse que a queda "parecia um míssil caindo".
Vítimas
Os nove ocupantes estão identificados publicamente. A Folha de S.Paulo escreveu em 3 de novembro de 2026 que autoridades americanas identificaram os nove. Os nomes, porém, têm origem na nota conjunta das famílias dos passageiros, em parentes e em ex-empregadores ouvidos pela imprensa. A BBC, em 3 de novembro, atribuía os nomes da tripulação à imprensa. Em 2 de novembro, as autoridades do condado de Palm Beach não tinham dado nomes nem idades e disseram que a identificação poderia levar tempo, por depender de exames de DNA.
Tripulação
- Nathalia Gadelha Filgueiras, 20 anos, copiloto. Identificada pela mãe, Camila Gadelha Corteleti, ao New York Times, ao New York Post, à CNN Brasil e ao g1.
- Jeff Gregory (Jeffrey Gregory), 55 anos, comandante. A CBS obteve um manifesto de voo com o nome Jeffrey Gregory. A East Coast Jets, empresa de fretamento onde ele trabalhou em 2016 e 2017, lamentou a morte do "comandante Jeff Gregory" em nota.
Passageiros, segundo nota conjunta das famílias publicada em 2 de novembro:
- Adam Robinson, fundador e presidente das empresas de tecnologia de marketing Retention.com e RB2B, de Austin, e presidente da MoltSets;
- Helen Sharp, 40 anos, mulher de Robinson, presidente e sócia-fundadora da Influential PR;
- Emma, 4 anos, e Charlie, 2 anos, filhos do casal;
- Rachael Reed e Charmi Fehr, casal de amigos da família;
- Anita Maria Cetina, babá das crianças.
New York Post e g1 publicaram a idade de Robinson como 44 anos; Guardian e USA Today, como 45.
Quem era Nathalia Gadelha Filgueiras
Nathalia Gadelha Filgueiras nasceu na Flórida, filha de pais brasileiros que vivem no estado, segundo a CNN Brasil; a Folha informou que ela tinha cidadania brasileira. Morava em Boca Raton e trabalhava para a Upper Jets, empresa de voos fretados de Fort Lauderdale que operava o jato.
O interesse pela aviação veio do pai, piloto amador desde 2018. Ela começou os estudos teóricos em 2020, na academia de aviação do distrito escolar de Palm Beach, e obteve a licença de piloto privado em setembro de 2023, aos 17 anos, quando cursava o último ano da West Boca Raton High School e ainda não tinha carteira de motorista. A história foi tema de reportagem da emissora local CBS12 na época.
Segundo a mãe, Nathalia tinha mais de 1.300 horas de voo. Os registros da FAA mostram que ela tinha certificado de piloto comercial e habilitação para voar o Learjet 60, mas não como piloto em comando. "Ela era copilota, não podia tomar nenhuma decisão", disse a mãe à CNN Brasil. O Itamaraty informou à BBC News Brasil que estava à disposição para prestar assistência consular, se a família pedisse.
Áudio do controle de tráfego aéreo
As comunicações entre o jato e o controle de tráfego aéreo foram gravadas pelo site LiveATC e divulgadas no mesmo dia. Nelas, uma voz feminina relata gelo, turbulência moderada e chuva, pede para subir e, em seguida, declara emergência: "Mayday, mayday", com descida a 10 mil pés por minuto e depois a 20 mil pés por minuto, em excesso de velocidade. Uma das últimas frases é "Vamos bater no chão, 722 Bravo Delta". O controlador chama o avião de novo e não tem resposta.
A AP e a Folha atribuem as transmissões finais a Nathalia. No dia seguinte à queda, o g1 ressaltou que não havia confirmação de que a voz fosse dela; o NTSB disse em 2 de novembro que ainda não sabia que papel a copiloto teve na emergência. O NTSB citou o conteúdo dessas transmissões no briefing de 2 de novembro.
Causa e investigação
O NTSB abriu a investigação ERA27MA026 e mandou cerca de 20 investigadores, com especialistas em sistemas e estrutura da aeronave, gravadores de voo, meteorologia e controle de tráfego aéreo. FAA e o fabricante do Learjet participam. Em entrevista coletiva em 2 de novembro de 2026, o membro do conselho Tom Chapman e o investigador-chefe Timothy Monville disseram:
- há indícios de que o avião começou a se desintegrar antes do impacto, e peças podem ser achadas longe da cratera;
- o campo de destroços mede cerca de 800 por 640 metros e inclui campos esportivos, comércios e casas;
- o clima é um foco da investigação, mas ainda não se sabe se o jato atravessou uma tempestade ativa nem que papel a copiloto teve na emergência;
- os registros de manutenção indicam que havia um gravador de voz da cabine (CVR) instalado, mas o NTSB não sabe se ele estava a bordo nem se poderá ser recuperado;
- a cratera estava cheia de água da chuva, o que dificulta a retirada dos destroços principais, e o trabalho no local deve levar vários dias.
Em nova entrevista em 3 de novembro, Chapman apresentou o principal achado até aqui:
- a maior parte do profundor esquerdo, superfície da cauda que controla a subida e a descida do nariz, foi localizada em 2 de novembro, em três pedaços, de 1,3 a 3,8 milhas (2 a 6,1 km) do local da queda, e está guardada para análise;
- pela distância, o NTSB concluiu que a peça se soltou antes do impacto. Chapman chamou o achado de "evidência muito significativa";
- o NTSB ainda não sabe se a perda da peça contribuiu para a queda ou se as forças sobre o avião a arrancaram. Segundo Chapman, são as duas hipóteses mais prováveis;
- sem a cauda inteira, o avião não conseguiria sair do mergulho, e Chapman disse não ter certeza de que a peça seria eficaz àquela velocidade;
- o NTSB recebeu vídeos de câmeras de carros e relatos de testemunhas. Quase todos os destroços são pedaços muito pequenos.
A retirada da água da cratera, necessária para chegar aos componentes principais, deve começar em 4 de novembro, segundo a Aviacionline. Perguntado sobre o fenômeno aerodinâmico conhecido como Mach tuck, Chapman respondeu que é cedo e que os especialistas vão avaliar.
O jato era operado pela Aurora Aviation, que usa o nome comercial Upper Jets, sob as regras da Parte 135 da FAA, que cobre voos fretados sob demanda. O NTSB não aponta causa no local do acidente. Nas investigações desse porte, a agência costuma publicar um relatório preliminar, só com fatos, cerca de 30 dias após o acidente; a causa provável sai no relatório final, de 12 a 24 meses depois.
Impacto no local
O condado de Palm Beach retirou cerca de 600 moradores da comunidade de casas móveis de Cresthaven, vizinha à cratera, cuja única entrada ficou dentro da área isolada. Os desalojados foram levados ao centro comunitário de Greenacres. O comissário do condado Joel Flores disse em 2 de novembro que não havia previsão de volta para casa. As autoridades informaram que os moradores de cerca de 77 casas móveis seguiam fora delas. Parte da região ficou sem luz. O condado decretou estado de emergência local.
A Military Trail foi fechada entre a 10th Avenue North e a Purdy Lane, e o condado avisou que o bloqueio pode durar semanas. A escola John I. Leonard High School, perto do local, fechou em 2 de novembro.
Foto falsa e boatos
A imagem nítida de um jato prestes a bater no chão, que circulou nas redes depois da queda, não é uma foto real do acidente. O Fato ou Fake, do g1, informou em 3 de novembro de 2026 que o detector da OpenAI apontou conteúdo gerado com ferramentas da própria empresa. A Lead Stories encontrou a marca d'água SynthID e concluiu que um quadro de vídeo de câmera de carro foi retocado com inteligência artificial. A imagem mostrava o avião sem uma asa, e o vídeo original mostra as duas.
É falso também que o cantor Lenny Kravitz estivesse a bordo e que a piloto Emily Shelton comandasse o voo, segundo o site português Polígrafo. Uma representante de Kravitz e a própria Shelton negaram.
Linha do tempo
- 1º de novembro de 2026, 10h37 (horário da Flórida): o Learjet 60 N722BD decola de Austin com dois tripulantes e sete passageiros, rumo às Bahamas.
- 1º de novembro de 2026, 12h47: a 35 mil pés, a tripulação relata gelo e turbulência moderada e pede para subir a 37 mil pés.
- 1º de novembro de 2026, 12h48: o jato declara emergência e relata excesso de velocidade em descida.
- 1º de novembro de 2026, 12h50: o avião cai na Military Trail, em Greenacres; morrem os nove a bordo. Cerca de 600 moradores são retirados.
- 2 de novembro de 2026: a família identifica a copiloto Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, filha de brasileiros.
- 2 de novembro de 2026: o NTSB dá a primeira entrevista coletiva e diz haver indícios de que o jato se desintegrou antes do impacto.
- 2 de novembro de 2026: as famílias dos sete passageiros divulgam seus nomes em nota conjunta.
- 3 de novembro de 2026: em segunda entrevista, o NTSB informa que a maior parte do profundor esquerdo foi achada em três pedaços a até 6,1 km do local da queda.
Perguntas frequentes
O que aconteceu na queda de avião na Flórida?
Um jato Learjet 60 que ia de Austin, no Texas, para as Bahamas caiu em 1º de novembro de 2026 numa avenida de Greenacres, no condado de Palm Beach, e matou as nove pessoas a bordo.
Quantas pessoas morreram?
Nove: dois tripulantes e sete passageiros. Ninguém em solo morreu; um motorista que passava perto feriu a perna.
Quem eram as vítimas?
O comandante Jeff Gregory, de 55 anos; a copiloto Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20; Adam Robinson, Helen Sharp e os filhos Emma, de 4 anos, e Charlie, de 2; a babá Anita Maria Cetina; e Rachael Reed e Charmi Fehr, amigos da família.
Quem era a copiloto brasileira?
Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, nascida na Flórida e filha de brasileiros. Ela tirou a licença de piloto aos 17 anos e tinha mais de 1.300 horas de voo, segundo a mãe.
Qual foi a causa da queda?
A causa não foi determinada. O NTSB investiga o papel do gelo, da turbulência e das tempestades. Em 3 de novembro, informou que parte da cauda se soltou antes do impacto, mas ainda não sabe se a perda dessa peça provocou a queda ou foi consequência das forças sobre o avião.
O que diz o áudio do avião?
Nas gravações do controle de tráfego aéreo, a tripulação relata gelo e turbulência, declara emergência, informa descida de até 20 mil pés por minuto em excesso de velocidade e diz "vamos bater no chão".
A foto do jato caindo é verdadeira?
Não. A imagem nítida que circulou nas redes foi feita ou retocada com inteligência artificial, segundo o Fato ou Fake, do g1, e a Lead Stories.
De quem era o avião?
O Learjet 60 N722BD era operado pela Aurora Aviation, com o nome comercial Upper Jets, empresa de voos fretados de Fort Lauderdale.
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