Quem é Prabowo Subianto
Prabowo Subianto Djojohadikusumo (17 de outubro de 1951) é um general reformado e político, oitavo presidente da Indonésia desde 20 de outubro de 2024. Lidera o partido Gerindra, foi ministro da Defesa de Joko Widodo de 2019 a 2024 e venceu a eleição de 2024 com 58,6% dos votos, depois de perder duas disputas presidenciais. Tomou posse aos 73 anos, o mais velho a assumir o cargo no país.
Sua trajetória é marcada por acusações de violações de direitos humanos nos últimos anos da ditadura de Suharto, de quem foi genro. Em novembro de 2026, enfrenta dois problemas simultâneos: um escândalo de grampos que levou à prisão de seu chefe de gabinete e uma queda de popularidade ligada à alta dos alimentos e aos seus programas sociais.
O escândalo dos grampos de novembro de 2026
A polícia da Indonésia anunciou em 3 de novembro de 2026 a detenção de três generais da própria corporação: Listyo Sigit Prabowo, chefe de gabinete do presidente e ex-chefe da Polícia Nacional, Ahrie Sonta Nasution, chefe da divisão jurídica, e Eko Hadi Santoso, instrutor sênior. A suspeita é de interceptação ilegal, acesso não autorizado a sistemas e apagamento de dados. Os alvos seriam o presidente, ministros, políticos, jornalistas e empresários, de 2025 a 2026, sem base legal nem investigação aberta.
Prabowo demitiu Listyo por decreto em 4 de novembro e pôs no lugar, como interino, o tenente-general Ariyo Windutomo. O porta-voz presidencial, Prasetyo Hadi, atribuiu o caso a "indivíduos desonestos" e disse que a conduta tende à traição. O ministro Yusril Ihza Mahendra afirmou que a motivação ainda não foi determinada. A Anistia Internacional pediu que o governo revele quem foram os alvos.
No mesmo dia, as Forças Armadas confirmaram o envio de 20.980 militares e pessoal de apoio a Jacarta, com outros 13.140 de prontidão. Os porta-vozes falam em procedimento normal e em exercícios perto da capital. Nenhuma autoridade confirmou ligação com a investigação. Para a pesquisadora Sana Jaffrey, da Universidade Nacional da Austrália, o movimento pode indicar preocupação com tensões entre militares e policiais leais a Listyo.
O caso agravou o distanciamento entre Prabowo e Widodo, seu antecessor e antigo apoiador. Listyo foi ajudante de ordens de Widodo e é tido como aliado dele. A AP registra que Widodo não foi implicado na investigação. Em 5 de novembro, Widodo depôs como testemunha em Jacarta, num processo por difamação sobre a autenticidade de seu diploma, com 6.770 policiais e soldados na segurança. Perguntado se mandou fazer os grampos, não respondeu.
Carreira militar
Filho do economista e ministro Sumitro Djojohadikusumo, Prabowo passou parte da juventude no exterior, com a família exilada. Entrou na Academia Militar em 1970 e se formou em 1974. Fez carreira nas forças especiais (Kopassus), a começar pelo Timor-Leste, então ocupado pela Indonésia. Em 31 de dezembro de 1978, sua companhia encontrou e matou Nicolau Lobato, líder da Fretilin e primeiro primeiro-ministro timorense.
Em 1996, comandou a operação que libertou reféns do Movimento Papua Livre em Mapenduma. Em 20 de março de 1998, assumiu o Comando Estratégico do Exército (Kostrad).
As acusações de violações de direitos humanos
A mais documentada é o sequestro de ativistas pró-democracia em 1997 e 1998. Integrantes da Equipe Rosa, do Kopassus, sequestraram ao menos 22 pessoas: nove foram soltas e 13 seguem desaparecidas. Em agosto de 1998, um conselho de honra de oficiais concluiu que Prabowo "interpretou mal ordens" no caso dos nove. Ele reconheceu responsabilidade por esses nove sequestros e foi dispensado em novembro de 1998, com honras. Ele e o general Wiranto negam que a saída tenha sido punição. Seis dos nove sequestrados trabalharam para Prabowo ou o apoiaram depois.
No Timor-Leste, fontes o apontam como comandante das forças responsáveis pelo massacre de Kraras, em 1983. Ele nega ter estado na região, e nem a ONU nem o governo timorense o acusaram formalmente.
Prabowo também foi acusado de agravar os distúrbios de maio de 1998, que precederam a queda de Suharto. Depois da saída do Exército, viveu na Jordânia. Os Estados Unidos o mantiveram numa lista de restrição de vistos por cerca de duas décadas, até recebê-lo como ministro da Defesa, em 2020.
Candidaturas à presidência
Aliados de Prabowo fundaram o Gerindra em fevereiro de 2008, partido que ele preside desde 2014. Em 2009, foi candidato a vice-presidente na chapa de Megawati Sukarnoputri e perdeu.
- 2014: perdeu para Joko Widodo por 53,15% a 46,85%. Alegou fraude, e o Tribunal Constitucional rejeitou a contestação em 21 de agosto de 2014.
- 2019: perdeu de novo para Widodo, por 55,5% a 44,5%. Voltou a alegar fraude, e dois dias de distúrbios em Jacarta deixaram oito mortos. Em 23 de outubro de 2019, aceitou o Ministério da Defesa no governo do adversário.
- 2024: venceu em turno único com 58,6%, ou 96,2 milhões de votos, tendo como vice Gibran Rakabuming Raka, filho de Widodo. Anies Baswedan teve 24,9% e Ganjar Pranowo, 16,5%.
O governo desde 2024
Prabowo formou em outubro de 2024 o maior gabinete da Indonésia desde 1966, com 103 integrantes. Lançou em fevereiro de 2025 o fundo soberano Danantara, levou o país ao Brics e prometeu crescimento de 8% ao ano. A economia cresceu 5,45% no primeiro semestre de 2026, puxada em boa parte pelo gasto público. A revisão da lei das Forças Armadas, que amplia a presença de militares em cargos civis, gerou protestos e acusações de retorno a práticas da era Suharto.
O programa-símbolo é a merenda gratuita, iniciado em 6 de janeiro de 2025. Atende cerca de 57 milhões de pessoas e tem pelo menos US$ 15 bilhões previstos no orçamento de 2027. Dados citados no Parlamento somam 50.059 casos de intoxicação alimentar até setembro de 2026, e em julho de 2026 o Tribunal Constitucional decidiu que o programa não poderá usar a verba da educação a partir de 2028.
A primeira grande prova nas ruas veio em agosto de 2025, quando um veículo policial atropelou e matou o motoboy Affan Kurniawan durante um protesto em Jacarta. Prabowo trocou cinco ministros em 8 de setembro de 2025, entre eles a ministra da Fazenda, Sri Mulyani. Em 2026, a rupia chegou a mínimas históricas, e a MSCI propôs rebaixar o mercado indonésio de "emergente" para "independente". Em outubro, Prabowo respondeu que o país não será intimidado. No exterior, reuniu-se com Donald Trump em fevereiro de 2026 e participou do Conselho da Paz.
Popularidade
A aprovação medida pelo instituto SMRC caiu de 81,2% em novembro de 2025 para 51,1% em julho de 2026 e 44,5% em outubro de 2026. Na mesma época, a Poltracking registrou 64,8% de confiança no governo. Prabowo fez uma reforma ministerial em 1º de outubro de 2026, quando tirou Listyo da polícia e o nomeou chefe de gabinete. Em 20 de outubro, ao completar dois anos de governo, disse ter "resultados concretos".
Vida pessoal
Prabowo casou-se em 8 de maio de 1983 com Titiek Suharto, filha do ditador, e o casal se separou depois da queda de Suharto. Têm um filho, o estilista Didit Hediprasetyo. Seu irmão, Hashim Djojohadikusumo, é um dos empresários mais ricos da Indonésia.
Linha do tempo
- 17 de outubro de 1951: nascimento.
- 1974: forma-se na Academia Militar.
- 20 de março de 1998: assume o Kostrad.
- Novembro de 1998: é dispensado do Exército.
- Fevereiro de 2008: aliados fundam o Gerindra.
- 2009: candidato a vice de Megawati Sukarnoputri.
- 2014: perde a eleição presidencial para Joko Widodo.
- 2019: perde de novo para Widodo e, em 23 de outubro, torna-se ministro da Defesa.
- 20 de março de 2024: a comissão eleitoral confirma a vitória com 58,6%.
- 20 de outubro de 2024: toma posse como presidente.
- 6 de janeiro de 2025: começa a merenda gratuita.
- Agosto de 2025: protestos após a morte de Affan Kurniawan.
- 3 de novembro de 2026: três generais da polícia são detidos no caso dos grampos.
- 4 de novembro de 2026: Prabowo demite Listyo Sigit Prabowo; militares são enviados a Jacarta.
Perguntas frequentes
Prabowo Subianto é de direita ou de esquerda?
Não se encaixa bem nos dois campos. Ele defende um caminho intermediário entre capitalismo e socialismo e se declara contra o neoliberalismo, com forte presença do Estado na economia. A Reuters descreve suas políticas como populistas e de alto gasto, e ele tem origem militar e aliança com partidos conservadores e islâmicos.
Prabowo é qual presidente da Indonésia?
É o oitavo presidente, no cargo desde 20 de outubro de 2024.
Quem grampeou Prabowo?
A polícia suspeita de três generais da própria corporação, entre eles o ex-chefe de polícia Listyo Sigit Prabowo. A investigação segue aberta, e a motivação não foi divulgada.
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