O que aconteceu
Na noite de quarta-feira, 7 de outubro de 2026, um incêndio de grandes proporções atingiu o prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Cidade Universitária, bairro da Várzea, Zona Oeste do Recife. Segundo a Folha de Pernambuco, o fogo começou por volta das 19h30. O Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco foi acionado e combateu as chamas. Ninguém ficou ferido.
O prédio abrigava laboratórios de química, biologia, farmácia e informática, além do Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica (Nupit). Em nota, a UFPE afirmou que o fogo se alastrou rapidamente por causa do tipo de produto armazenado no local. O reitor, Alfredo Gomes, acompanhou o trabalho dos bombeiros durante a noite.
O reitor descreveu o edifício como "um prédio antigo, onde funcionou no passado o antigo restaurante da universidade", depois adaptado para receber laboratórios. No térreo funcionavam dois laboratórios de biossegurança nível 3 (NB3).
Prejuízo e pesquisas perdidas
Alfredo Gomes estimou o prejuízo em cerca de R$ 100 milhões em equipamentos, materiais e insumos científicos. Segundo ele, estavam no prédio cerca de 80 dissertações e teses de doutorado, além de dados acumulados ao longo de duas décadas: "É uma perda irreparável, porque dados de 20 anos de pesquisa eram também guardados nos espaços".
Entre os estudos atingidos estavam pesquisas sobre câncer, obesidade, Covid-19, TDAH e autismo, além de trabalhos de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado.
Causa e investigação
A causa do incêndio não foi esclarecida até 8 de outubro de 2026. Na manhã desse dia, a Polícia Federal anunciou a abertura de inquérito para "apurar todas as circunstâncias e causas prováveis" e enviou peritos criminais federais ao campus. A PF informou que conversou com o reitor e com o comando do Corpo de Bombeiros.
Em entrevista coletiva, Alfredo Gomes disse que havia material inflamável no prédio, mas que ele "não foi a razão" do fogo, e que a manutenção e a revisão da rede elétrica eram feitas regularmente. A UFPE informou que fará uma apuração detalhada da origem das chamas.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, determinou que a Procuradoria-Geral Federal designasse uma comissão de procuradores para acompanhar as investigações. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, declarou que o MEC acompanha o caso.
Relatos de ameaças
O deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL) afirmou que estudantes da UFPE receberam, horas antes do incêndio, mensagens com ameaças contra setores da universidade, incluindo menção a "explodir o departamento" associada à candidatura de Flávio Bolsonaro. Ele disse que pediria à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal uma investigação imediata. A autoria e a autenticidade das mensagens não haviam sido confirmadas oficialmente até 8 de outubro.
O incêndio ocorreu um dia depois de manifestações estudantis em defesa da democracia e da educação.
Três incêndios em oito dias
O incêndio na Dine foi o terceiro registrado na UFPE em pouco mais de uma semana:
- 30 de setembro de 2026: o fogo atingiu o Laboratório de Óptica Não-Linear, do Departamento de Física, no Centro de Ciências Exatas e da Natureza. Segundo o Diario de Pernambuco, as chamas começaram por volta das 13h30, quando um produto químico era manipulado dentro de um forno mufla. Não houve feridos.
- 4 de outubro de 2026 (domingo): um incêndio atingiu parte do Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. Não houve feridos.
- 7 de outubro de 2026: incêndio no prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo.
Não há confirmação de relação entre os três casos.
Situação da universidade
A UFPE manteve as atividades na quinta-feira, 8 de outubro de 2026, incluindo a Expo UFPE 2026, feira de cursos de graduação. Segundo o reitor, o prédio atingido fica relativamente isolado da área central do campus.
