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Bunge

A Bunge é uma das maiores empresas de agronegócio do mundo e a maior processadora de oleaginosas, fundada em 1818 em Amsterdã e presente no Brasil desde 1905. Com sede em St. Louis (EUA), comprou a Viterra em julho de 2025. No 3º trimestre de 2026 lucrou US$ 318 milhões, quase o dobro de um ano antes; em outubro fechou a fábrica de amônia de Campana, na Argentina, e vende duas usinas de cana no Brasil à Cofco.

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Foto: Heryka Cilaberry / CC BY-SA 4.0

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Quem é a Bunge

A Bunge é uma das maiores empresas de agronegócio do mundo: compra grãos de agricultores, armazena, transporta e exporta, e é a maior processadora de oleaginosas do planeta, transformando soja, canola e girassol em farelo para ração e em óleo para alimentos e biocombustíveis.

  • Nome oficial: Bunge Global SA, com ações na Bolsa de Nova York (código BG).
  • Sede: registrada em Genebra, na Suíça, com sede operacional na região metropolitana de St. Louis, no Missouri (EUA), desde 2019.
  • Fundação: 1818, em Amsterdã, na Holanda.
  • CEO: Greg Heckman.
  • Porte: depois da compra da Viterra, em 2025, vendeu US$ 69,7 bilhões nos nove primeiros meses de 2026.
  • Concorrentes: ADM, Cargill e Louis Dreyfus.

O que a Bunge faz

A empresa organiza o negócio em quatro segmentos, nome que usa nos balanços:

  • Processamento e refino de soja: esmaga soja para produzir farelo (ração animal) e óleo. É o maior segmento: US$ 11,4 bilhões em vendas no 3º trimestre de 2026.
  • Processamento e refino de outras oleaginosas (softseeds): canola, girassol e similares. Cresceu com a Viterra.
  • Óleos tropicais e ingredientes especiais: óleo de palma e gorduras para a indústria de alimentos.
  • Comercialização de grãos e moagem: compra, armazenagem e exportação de grãos, e moinhos de trigo e milho.

No Brasil, a Bunge vende ao consumidor o óleo Soya e, para padarias e confeitarias, as marcas da Bunge Profissional (Suprema, Propan, Predileta, Soberana, entre outras). Para o agricultor, vende fertilizantes.

História

A Bunge & Co. nasceu em 1818 em Amsterdã, fundada pelo comerciante Johann Peter Gottlieb Bunge para negociar grãos e produtos das colônias holandesas. Em 1859, Edouard Bunge, neto do fundador, levou a sede para Antuérpia, na Bélgica.

Em 1884, Ernest Bunge, irmão de Edouard, mudou-se para a Argentina e criou com sócios a Bunge y Born, que se tornou uma das maiores empresas do país. Em 1905 o grupo chegou ao Brasil, como sócio de um moinho recém-criado em Santos.

A Bunge foi empresa de capital fechado até 2001. A sede global saiu de São Paulo para Nova York em 2001, mesmo ano em que a Bunge abriu o capital na Bolsa de Nova York. Em 2019, mudou-se para St. Louis.

Bunge e Viterra

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Mega-merger creates new farm trade giant

Em junho de 2023, a Bunge anunciou a compra da Viterra, outra grande trading de grãos. A operação demorou dois anos para passar pelas análises antitruste e foi concluída em 2 de julho de 2025. Os acionistas da Viterra receberam cerca de 65,5 milhões de ações da Bunge e cerca de US$ 2 bilhões em dinheiro.

Greg Heckman continuou como CEO. O ex-CEO da Viterra, David Mattiske, entrou para a diretoria como co-diretor de operações, ao lado de Julio Garros. A fusão explica o salto nas vendas de 2026 sobre 2025: no segmento de outras oleaginosas, o volume processado nos nove primeiros meses passou de 7,3 milhões para 10,4 milhões de toneladas.

Bunge no Brasil

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Sobre a Bunge Brasil

O Brasil é um dos principais mercados da empresa desde 1905. Ali ela compra e armazena grãos, esmaga soja, refina óleo, opera terminais portuários e vende alimentos e fertilizantes. Entre os terminais está o de Miritituba, no Pará, inaugurado em 2014, que carrega grãos em barcaças.

Em 1º de setembro de 2026, a Bunge anunciou a venda das usinas de cana Rio Vermelho, em Junqueirópolis (SP), e Nova Unialco, em Guararapes (SP), para a chinesa Cofco International. As duas vieram da Viterra e moem cerca de 7 milhões de toneladas de cana por safra. O Cade aprovou o negócio sem restrições em 28 de setembro de 2026. A venda tira a Bunge do setor de cana-de-açúcar no Brasil.

Resultados e ações

Foto: Spatms / CC BY-SA 4.0

No 3º trimestre de 2026, divulgado em 29 de outubro de 2026, a Bunge teve:

  • Lucro líquido: US$ 318 milhões, ante US$ 166 milhões um ano antes (alta de 92%).
  • Lucro por ação ajustado: US$ 2,56, ante US$ 2,27.
  • Vendas líquidas: US$ 23,8 bilhões, alta de 7,4%.
  • Destaques: os segmentos de soja e de outras oleaginosas puxaram o resultado, com margens de esmagamento fortes na América do Norte, na Argentina e no Brasil.
  • Baixas: US$ 82 milhões em perdas ligadas à venda das duas usinas de cana no Brasil.
  • Projeção: manteve a estimativa de lucro por ação ajustado de US$ 9,25 a US$ 9,75 para 2026.

Depois do fim do trimestre, começou a operar uma nova linha de esmagamento de oleaginosas em Destrehan, na Louisiana, da Bunge Chevron Ag Renewables.

Fechamento da fábrica de Campana, na Argentina

Em outubro de 2026, a Bunge fechou de forma definitiva a fábrica de Campana, na província de Buenos Aires. A unidade funcionava havia mais de 50 anos e produzia amônia e tiossulfato de amônio, insumos de fertilizantes líquidos. A Associação de Cooperativas Argentinas (ACA) tinha 17,5% da produção, por meio de uma joint venture.

Segundo o jornal argentino La Nación, citado pela Globo Rural, a empresa justificou o fechamento com limitações de infraestrutura e de tecnologia da planta e com mudanças no mercado e no fornecimento de insumos. O número de demitidos varia conforme a fonte: cerca de 110 segundo La Nación e Globo Rural, mais de 130 segundo a Forbes Argentina. A Bunge disse que o fechamento se limita a Campana e que mantém os planos de investimento em processamento de grãos e logística no país.

Linha do tempo

  • 1818: Johann Peter Gottlieb Bunge funda a Bunge & Co. em Amsterdã.
  • 1859: sede vai para Antuérpia.
  • 1884: Ernest Bunge leva o negócio à Argentina (Bunge y Born).
  • 1905: Bunge chega ao Brasil.
  • 2001: abre o capital na Bolsa de Nova York e muda a sede de São Paulo para Nova York.
  • 2019: sede global vai para St. Louis.
  • Jun. 2023: anuncia a compra da Viterra.
  • 2 jul. 2025: conclui a fusão com a Viterra.
  • 1º set. 2026: anuncia a venda de duas usinas de cana no Brasil à Cofco.
  • Out. 2026: fecha a fábrica de amônia de Campana, na Argentina.
  • 29 out. 2026: lucro de US$ 318 milhões no 3º trimestre.

Perguntas frequentes

O que é a Bunge?

É uma empresa de agronegócio fundada em 1818 em Amsterdã, que compra, transporta e processa grãos e oleaginosas e vende óleos, farelo, farinhas e fertilizantes. Tem sede em St. Louis (EUA).

Onde fica a Bunge?

A sede global fica na região de St. Louis, no Missouri (EUA), e a empresa é registrada em Genebra, na Suíça. No Brasil, tem fábricas, armazéns e terminais em vários estados.

A Bunge comprou a Viterra?

Sim. A fusão foi concluída em 2 de julho de 2025.

Por que a Bunge fechou a fábrica na Argentina?

A fábrica de amônia de Campana tinha mais de 50 anos, e a empresa citou limitações de infraestrutura e tecnologia e mudanças no mercado e no fornecimento de insumos.

Quanto a Bunge lucrou no 3º trimestre de 2026?

US$ 318 milhões, ante US$ 166 milhões no mesmo período de 2025.

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