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Senado do Paraguai aprova impeachment e destitui Santiago Peña

O Senado paraguaio aprovou por unanimidade a destituição de Santiago Peña, que foi preso em sua residência após o colapso do banco Ueno.

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Foto: G1 Mundo
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06/11 às 12:45, atualizado 21:31

Pontos principais

  • O Senado do Paraguai aprovou o impeachment de Santiago Peña com 44 votos a favor e nenhum contra.
  • A decisão ocorreu nesta sexta-feira (6), após o encerramento do julgamento político no Congresso.
  • O processo foi motivado pela crise financeira e liquidação do banco digital Ueno pelo Banco Central.
  • Peña foi acionista do grupo controlador do banco Ueno até março de 2025.
  • O Ministério Público do Paraguai emitiu uma ordem de prisão contra o ex-presidente logo após a votação.
  • Santiago Peña foi colocado em prisão domiciliar sob suspeita de lesão de confiança e gestão fraudulenta.
  • O vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do país para completar o mandato até agosto de 2028.
  • A defesa de Peña, liderada pelos advogados Ricardo Preda e Adolfo Ferreiro, contestou a legalidade do processo.
  • O ex-presidente renunciou ao cargo na quinta-feira (5), mas o Congresso prosseguiu com o julgamento para retirar sua imunidade.
  • O colapso do banco Ueno bloqueou o acesso de cerca de 3 milhões de clientes a US$ 850 milhões em depósitos.
  • O ex-presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, também teve sua prisão solicitada pelas autoridades.
  • Peña é o 11º presidente da América Latina afastado pelo Legislativo desde 1992.

O Senado do Paraguai aprovou, nesta sexta-feira (6), o impeachment do presidente Santiago Peña, resultando em sua destituição imediata do cargo. A decisão, tomada por unanimidade com 44 votos favoráveis, encerrou um processo acelerado no Congresso que teve como estopim a crise financeira desencadeada pela liquidação do banco digital Ueno pelo Banco Central do Paraguai. O ex-mandatário, que é economista e filiado ao Partido Colorado, foi acusado de conflito de interesses e má gestão de recursos públicos.

Logo após a confirmação da destituição, o Ministério Público do Paraguai ordenou a prisão imediata de Santiago Peña. O ex-presidente foi detido em sua residência e colocado sob regime de prisão domiciliar, enquanto responde a investigações por crimes de lesão de confiança e gestão fraudulenta. A medida também atingiu o ex-presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, cuja prisão foi solicitada pelas autoridades judiciais em meio ao escândalo que envolve a perda de acesso de milhões de clientes aos seus depósitos.

A crise política escalou rapidamente após a intervenção no banco Ueno, instituição que detinha cerca de US$ 850 milhões em depósitos, incluindo fundos previdenciários. Embora Peña tenha anunciado sua renúncia ao cargo na quinta-feira (5), o Congresso paraguaio optou por prosseguir com o julgamento político para garantir a perda de sua imunidade e impedir que ele assumisse o posto de senador vitalício. A defesa do ex-presidente, composta pelos advogados Ricardo Preda e Adolfo Ferreiro, chegou a solicitar o adiamento da sessão e questionou a legalidade dos procedimentos, ameaçando recorrer a instâncias internacionais.

Com o afastamento definitivo de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu a chefia do Poder Executivo e deverá conduzir o governo até o fim do mandato, em agosto de 2028. A transição ocorre em um cenário de instabilidade, marcado por protestos populares em Assunção e pela debandada de assessores de alto escalão do governo. A queda de Peña representa um momento crítico para a política paraguaia, sendo o segundo presidente eleito a sofrer impeachment desde o fim da ditadura de Alfredo Stroessner.

O caso do banco Ueno permanece sob investigação criminal, com foco nas operações que levaram à queda do índice de solvência da instituição. A oposição parlamentar sustentou que a proximidade de Peña com os controladores do banco facilitou privilégios indevidos na captação de recursos estatais. O desfecho do processo no Senado reflete a pressão política exercida pela cúpula do Partido Colorado, que retirou seu apoio ao ex-presidente diante da gravidade das denúncias financeiras.

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