'Cara de ferritina' não diagnostica falta de ferro, alertam especialistas
Médicos, entre eles uma médica de família na Inglaterra, dizem que o rosto não revela os níveis de ferritina e que só exame de sangue confirma a falta de ferro.
Pontos principais
- A 'cara de ferritina' associa palidez, olheiras, lábios ressecados, queda de cabelo e unhas frágeis à falta de ferro; vídeos sobre o tema acumulam milhões de visualizações no TikTok e no Instagram.
- O hematologista Drew Provan diz que é 'impossível' determinar os níveis de ferritina pela aparência do rosto: pessoas com anemia grave podem ter palidez, o cansaço pode causar olheiras, e esses sinais são 'subjetivos e pouco confiáveis'.
- A médica de família Aziza Sesay afirma que alterações na cor da pele são menos perceptíveis em pessoas de pele mais escura, o que pode levar quem se guia pelos sinais das redes a não notar a deficiência.
- Segundo Provan, as reservas de ferro se esgotam antes da anemia, e uma pessoa pode ter deficiência com hemoglobina normal.
- Pelas diretrizes da Sociedade Britânica de Gastroenterologia, ferritina abaixo de 15 microgramas por litro indica reservas esgotadas, e abaixo de 30, reservas baixas.
- A hematologista Sue Pavord recomenda tomar o comprimido de ferro em jejum, pela manhã, e evitar chá e café perto do horário, porque essas bebidas podem prejudicar a absorção.
A falta de ferro é a deficiência de micronutriente mais comum no mundo, atingindo cerca de 1 em cada 3 pessoas, principalmente crianças e mulheres em idade reprodutiva. Nas redes, a tendência 'cara de ferritina' sugere identificá-la pela aparência. A criadora de conteúdo Lucy M., de 32 anos, relata que, após ouvir que seus exames de sangue estavam normais e receber diagnóstico de transtorno de ansiedade generalizada, teve a ferritina medida em 12 microgramas por litro.
Para a médica de família Aziza Sesay, da região de West Midlands, na Inglaterra, 'cara de ferritina não é um diagnóstico médico', embora possa indicar que algo não está bem. Provan e Sesay defendem exame de sangue para confirmar a deficiência e identificar a causa, que pode ser menstruação intensa, alimentação pobre em ferro, perda de sangue pelo trato gastrointestinal ou dificuldade de absorção. Tomar suplemento de ferro sem diagnóstico pode ser prejudicial, e a automedicação pode atrasar a investigação de outro problema de saúde.
Fonte primária
Cobertura da mídia
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar.
