Ações da Tenda despencam 17,7% após resultados fracos no 3T26
As ações da Tenda (TEND3), construtora de habitação popular no Brasil, caíram 17,72% após a companhia reportar lucro e margem bruta abaixo do esperado pelo mercado no 3T26.
Pontos principais
- As ações fecharam a R$ 16,25, a maior baixa do Ibovespa na sessão desta quinta-feira (5).
- Lucro líquido reportado de R$ 57,3 milhões, reduzido em R$ 49,1 milhões por efeito contábil, sem caixa, da marcação a mercado de swaps sobre ações próprias.
- Lucro ex-Swap de R$ 106,4 milhões, 3,7% acima do 3T25 e 40% abaixo do consenso de mercado.
- Receita líquida de R$ 1.254,1 milhões, 10,5% acima do 3T25.
- Margem bruta ajustada do segmento Tenda de 34,6%, ante 39,9% no 2T26 e 34,5% no 3T25.
- Recuo de 5,3 pontos percentuais: preço (-2,6 p.p.), custo de obras (-1,0 p.p.) e outros (-1,7 p.p.), entre eles descontos no Rio de Janeiro e distratos.
- Distratos do segmento Tenda de R$ 292,8 milhões, 55% acima do 2T26.
- Guidance de 2026 mantido: lucro ex-Swap de R$ 600 milhões a R$ 660 milhões, após R$ 419,9 milhões nos nove meses.
- JPMorgan calcula que a Tenda precisa de R$ 180 milhões no 4T26 para chegar ao piso do guidance, e a XP considera a meta desafiadora.
A construtora Tenda, de São Paulo, que atua com habitação popular no Brasil, atribui a maior parte do recuo da margem ao preço das vendas. A companhia reduziu o pró-soluto pós-chaves (TCD) de 10% para 7,1% do preço nominal, e a participação de projetos Faixa 1 nas vendas subiu 20 pontos. Diz que essa redução já está integralmente refletida no preço e não é uma tendência, e que a margem do 3T26 está 'mais próxima do limite inferior da faixa em que temos operado do que de um novo patamar'. A companhia também afirma que não projeta margem.
Os distratos subiram com fatores ligados à Caixa Econômica Federal: greve de quase 20 dias em setembro, redução temporária em julho do limite de comprometimento de renda de 30% para 27% e maior rigor na concessão de crédito. A Tenda espera que os distratos voltem a patamares normalizados nos próximos períodos.
No 2T26, a margem tinha sido beneficiada por R$ 15,2 milhões de reduções no custo a gastar de obras, efeito que a companhia já sinalizava não dever ser extrapolado, e o 3T26 não teve economias dessa natureza. Mesmo assim, JPMorgan, Itaú BBA e Goldman Sachs mantiveram a recomendação de compra.
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