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Ex-contratado do governo dos EUA admite vazar segredos para a Etiópia

Abraham Teklu Lemma, ex-prestador de TI do governo dos EUA, declarou-se culpado de conspirar para transmitir informações de defesa nacional à Etiópia, em acordo que prevê de 10 a 21 anos e 10 meses de prisão.

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Foto: BBC World
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04/11 às 04:01, atualizado 10:33

Pontos principais

  • Lemma se declarou culpado de conspirar para transmitir informações de defesa nacional a um governo estrangeiro, crime previsto no 18 U.S.C. §794.
  • Como administrador de TI, removeu versões eletrônicas de repositórios classificados e levou para fora de instalações seguras anotações copiadas à mão.
  • Um affidavit do FBI de 2023 alega que ele enviou imagens de satélite ultrassecretas e relatórios classificados por aplicativo de mensagens criptografado.
  • Em 18 de dezembro de 2021, escreveu a um dos interlocutores do governo etíope: "Temos de acabar com essas pessoas de uma vez por todas, senão nunca haverá paz na Etiópia", e depois pediu: "Por favor, mandem drones".
  • Segundo o Departamento de Justiça, ele esperava que o material servisse para atingir e matar combatentes paramilitares, mas o departamento não informa quais operações usaram as informações nem se houve mortes.
  • Um responsável de contrainteligência do FBI, Roman Rozhavsky, disse que Lemma admitiu que autoridades etíopes usaram as informações em operações militares.
  • O acordo prevê de 120 a 262 meses de prisão, caso o tribunal o aceite; o juiz John D. Bates marcou a sentença para 14 de abril de 2027.

Abraham Teklu Lemma, de 54 anos, declarou-se culpado nesta terça-feira (3/11) em um tribunal federal de Washington de conspirar para transmitir informações de defesa nacional à Etiópia. Ex-prestador de TI do Departamento de Estado, do Departamento de Justiça e da National Reconnaissance Office, ele conspirou com altos funcionários etíopes, de 2021 até ser preso em agosto de 2023, para enviar dezenas de documentos classificados até o nível Top Secret/SCI. Os envios começaram durante a guerra entre o governo federal e combatentes tigrinos, de 2020 a 2022.

Segundo a procuradoria federal, ele incentivou em algumas ocasiões os interlocutores a agir contra grupos paramilitares que combatiam o governo etíope. O Departamento de Justiça afirma que ele esperava que o material servisse para atingir e matar esses combatentes, mas não diz se houve mortes. Um responsável do FBI disse que autoridades etíopes usaram as informações em operações militares.

Lemma aguarda sentença, marcada para 14 de abril de 2027 pelo juiz John D. Bates. Pelo acordo, a pena fica entre 10 anos e 21 anos e 10 meses de prisão, caso o tribunal o aceite.

Fonte primária

U.S. Department of Justice (U.S. Attorney's Office, District of Columbia)

Former U.S. Government Contractor Pleads Guilty to Spying for Ethiopia

Abraham Teklu Lemma, 54, ex-prestador de serviços de TI do Departamento de Estado, do Departamento de Justiça e do National Reconnaissance Office, declarou-se culpado nesta terça-feira (3/11/2026) de conspirar para cometer espionagem em nome do governo da Etiópia. Pelo acordo de confissão, admitiu apenas a conspiração para transmitir informação de defesa nacional a governo estrangeiro (18 U.S.C. §794). Segundo os documentos do processo, de 2021 até sua prisão, em agosto de 2023, ele conspirou com altos funcionários do governo etíope para coletar e transmitir dezenas de documentos, anotações e fotografias classificados até o nível Top Secret/SCI. Grande parte do material se referia a um conflito armado na Etiópia. A acusação diz que ele copiava informações à mão, retirava anotações de instalações seguras e, como administrador de TI, removia versões eletrônicas de repositórios classificados. Em 18/12/2021, escreveu a um dos interlocutores: “We have to finish these people once and for all, otherwise there will never be peace in Ethiopia” (“Temos de acabar com essas pessoas de uma vez por todas, senão nunca haverá paz na Etiópia”) e, em seguida, “Please send Dro[nes]” (“Por favor, mandem drones”). Se aceito pela corte, o acordo prevê prisão de 120 a 262 meses. A sentença foi marcada pelo juiz John D. Bates para 14/4/2027. Caso 24cr573.

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