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Banco do Japão mantém juros em 1,25% e sinaliza meta de inflação atingida

O Banco do Japão manteve a taxa básica de juros em 1,25% e indicou que a inflação subjacente alcançou a meta de 2%, abrindo espaço para um possível ajuste na política monetária em dezembro.

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29/10 às 21:01, atualizado 30/10 às 02:32

Pontos principais

  • O Banco do Japão manteve a taxa de juros overnight não colateralizada em 1,25% por 8 votos a 1.
  • O membro do conselho Takata Hajime votou por um aumento para 1,5%, defendendo uma aproximação mais rápida da taxa neutra.
  • A instituição declarou oficialmente que a inflação subjacente atingiu o nível de estabilidade de preços de 2%.
  • O Banco do Japão elevará o ritmo de venda de ETFs para cerca de 860 bilhões de ienes ao ano a partir de janeiro de 2027.
  • Projeções do banco indicam que a inflação deve permanecer em torno de 2% no médio e longo prazo.
  • A decisão de manter as taxas inalteradas sustentou ganhos do iene frente ao dólar no mercado financeiro.

O Banco do Japão decidiu manter sua taxa básica de juros em 1,25% durante a reunião de política monetária realizada em 30 de outubro de 2026. A decisão foi aprovada por 8 votos a 1, com o conselheiro Takata Hajime divergindo e propondo uma elevação para 1,5%. Segundo o relatório de perspectivas da instituição, o voto divergente baseou-se no entendimento de que, com a inflação subjacente já consolidada no patamar de 2%, seria necessário acelerar a convergência para uma taxa neutra.

O comunicado oficial da autoridade monetária destacou que a inflação subjacente, que exclui alimentos frescos e fatores institucionais, atingiu a meta de estabilidade de preços de 2% pela primeira vez em mais de uma década. As projeções do conselho apontam que o índice deve se manter em torno desse patamar, com estimativas de 2,5% para 2026 e 2,6% para 2027. O banco ressaltou que as expectativas de inflação de médio e longo prazo estão alinhadas com o objetivo estabelecido, o que reforçou as especulações do mercado sobre um possível aumento de juros já em dezembro.

Além da manutenção das taxas, o Banco do Japão anunciou uma mudança operacional em seu balanço patrimonial. A instituição elevará o ritmo de venda de ETFs de 330 bilhões para cerca de 860 bilhões de ienes ao ano, medida que entrará em vigor em janeiro de 2027. A decisão reflete o esforço do banco central em normalizar gradualmente as condições de liquidez, enquanto monitora a persistência da pressão sobre os preços ao consumidor, que em Tóquio já operava acima da meta antes mesmo da deliberação do conselho.

Fontes primárias

Bank of Japan

Statement on Monetary Policy (30/10/2026)

Comunicado de 30/10/2026. O Conselho de Política Monetária decidiu, por 8 votos a 1, orientar a taxa overnight não colateralizada para cerca de 1,25%. O voto divergente foi de Takata Hajime, que propôs 1,5%: com a inflação subjacente já no nível de estabilidade de preços de 2%, considerou que o banco precisa acelerar a aproximação da taxa neutra. Também decidiu elevar o ritmo de venda de ETFs para cerca de 860 bilhões de ienes ao ano (valor contábil), ante 330 bilhões, com cerca de 0,1% do valor negociado na Bolsa de Tóquio; a mudança entra em vigor em janeiro de 2027. A venda de J-REITs segue em cerca de 5 bilhões de ienes ao ano.

Bank of Japan

Outlook Report (October 2026)

Relatório de projeções de outubro de 2026. Diz que a inflação subjacente (CPI sem alimentos frescos, ex-fatores institucionais) está em nível geralmente consistente com a meta de estabilidade de preços de 2%, e deve permanecer em torno desse patamar; as expectativas de inflação de médio e longo prazo estão em cerca de 2%. Mediana dos membros do Conselho para o CPI sem alimentos frescos: 2,5% em 2026, 2,6% em 2027 e 2,0% em 2028 (projeções antes da redução proposta do imposto sobre alimentos e bebidas). Espera que a inflação acelere para nível claramente acima de 2% no primeiro semestre do período projetado, por petróleo, semicondutores e iene mais fraco, e recue para cerca de 2% no segundo semestre. Riscos de preços com viés de alta, caso as empresas sigam elevando salários e preços e as expectativas de médio prazo subam.

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