Banco do Japão mantém juros em 1,25% e sinaliza meta de inflação atingida
O Banco do Japão manteve a taxa básica de juros em 1,25% e indicou que a inflação subjacente alcançou a meta de 2%, abrindo espaço para um possível ajuste na política monetária em dezembro.
Pontos principais
- O Banco do Japão manteve a taxa de juros overnight não colateralizada em 1,25% por 8 votos a 1.
- O membro do conselho Takata Hajime votou por um aumento para 1,5%, defendendo uma aproximação mais rápida da taxa neutra.
- A instituição declarou oficialmente que a inflação subjacente atingiu o nível de estabilidade de preços de 2%.
- O Banco do Japão elevará o ritmo de venda de ETFs para cerca de 860 bilhões de ienes ao ano a partir de janeiro de 2027.
- Projeções do banco indicam que a inflação deve permanecer em torno de 2% no médio e longo prazo.
- A decisão de manter as taxas inalteradas sustentou ganhos do iene frente ao dólar no mercado financeiro.
O Banco do Japão decidiu manter sua taxa básica de juros em 1,25% durante a reunião de política monetária realizada em 30 de outubro de 2026. A decisão foi aprovada por 8 votos a 1, com o conselheiro Takata Hajime divergindo e propondo uma elevação para 1,5%. Segundo o relatório de perspectivas da instituição, o voto divergente baseou-se no entendimento de que, com a inflação subjacente já consolidada no patamar de 2%, seria necessário acelerar a convergência para uma taxa neutra.
O comunicado oficial da autoridade monetária destacou que a inflação subjacente, que exclui alimentos frescos e fatores institucionais, atingiu a meta de estabilidade de preços de 2% pela primeira vez em mais de uma década. As projeções do conselho apontam que o índice deve se manter em torno desse patamar, com estimativas de 2,5% para 2026 e 2,6% para 2027. O banco ressaltou que as expectativas de inflação de médio e longo prazo estão alinhadas com o objetivo estabelecido, o que reforçou as especulações do mercado sobre um possível aumento de juros já em dezembro.
Além da manutenção das taxas, o Banco do Japão anunciou uma mudança operacional em seu balanço patrimonial. A instituição elevará o ritmo de venda de ETFs de 330 bilhões para cerca de 860 bilhões de ienes ao ano, medida que entrará em vigor em janeiro de 2027. A decisão reflete o esforço do banco central em normalizar gradualmente as condições de liquidez, enquanto monitora a persistência da pressão sobre os preços ao consumidor, que em Tóquio já operava acima da meta antes mesmo da deliberação do conselho.
Fontes primárias
Statement on Monetary Policy (30/10/2026)
Comunicado de 30/10/2026. O Conselho de Política Monetária decidiu, por 8 votos a 1, orientar a taxa overnight não colateralizada para cerca de 1,25%. O voto divergente foi de Takata Hajime, que propôs 1,5%: com a inflação subjacente já no nível de estabilidade de preços de 2%, considerou que o banco precisa acelerar a aproximação da taxa neutra. Também decidiu elevar o ritmo de venda de ETFs para cerca de 860 bilhões de ienes ao ano (valor contábil), ante 330 bilhões, com cerca de 0,1% do valor negociado na Bolsa de Tóquio; a mudança entra em vigor em janeiro de 2027. A venda de J-REITs segue em cerca de 5 bilhões de ienes ao ano.
Outlook Report (October 2026)
Relatório de projeções de outubro de 2026. Diz que a inflação subjacente (CPI sem alimentos frescos, ex-fatores institucionais) está em nível geralmente consistente com a meta de estabilidade de preços de 2%, e deve permanecer em torno desse patamar; as expectativas de inflação de médio e longo prazo estão em cerca de 2%. Mediana dos membros do Conselho para o CPI sem alimentos frescos: 2,5% em 2026, 2,6% em 2027 e 2,0% em 2028 (projeções antes da redução proposta do imposto sobre alimentos e bebidas). Espera que a inflação acelere para nível claramente acima de 2% no primeiro semestre do período projetado, por petróleo, semicondutores e iene mais fraco, e recue para cerca de 2% no segundo semestre. Riscos de preços com viés de alta, caso as empresas sigam elevando salários e preços e as expectativas de médio prazo subam.
