O que é o Banco do Japão
O Banco do Japão (BOJ, na sigla em inglês para Bank of Japan) é o banco central japonês. Começou a operar em 10 de outubro de 1882 e hoje funciona sob a Lei do Banco do Japão revisada em junho de 1997, em vigor desde 1º de abril de 1998. Suas atribuições legais são emitir cédulas, conduzir a política monetária com o objetivo de estabilidade de preços e garantir o funcionamento do sistema de liquidação entre instituições financeiras.
Em setembro de 2026, o BOJ é comandado por Kazuo Ueda e mantém a taxa básica em 1,0% — o maior patamar em cerca de três décadas, alcançado depois de um ciclo de altas iniciado em 2024, quando o banco abandonou os juros negativos.
O BOJ é uma pessoa jurídica de direito especial, não um órgão do governo nem uma empresa comum. Seu capital é de 100 milhões de ienes, dos quais cerca de 55% são subscritos pelo governo japonês. A estrutura tem 15 departamentos na sede, 32 agências e 14 escritórios locais no Japão, além de 7 escritórios de representação no exterior.
A instituição não se confunde com os bancos comerciais japoneses: não atende pessoas físicas, não abre contas de varejo e não faz empréstimos ao público. Sua clientela são bancos, o governo e outros bancos centrais.
Taxa de juros do Banco do Japão
A taxa básica de juros do BOJ está em 1,0% desde junho de 2026, quando o banco elevou o patamar em 0,25 ponto percentual, vindo de 0,75%. Na reunião de julho de 2026, o Conselho de Política Monetária manteve a taxa por 8 votos a 1 — o membro Hajime Takata votou por elevá-la a 1,25% — e alertou que a inflação subjacente poderia superar a meta de 2%.
O ciclo recente de alta:
- Março de 2024 — o BOJ encerra a política de juros negativos, elevando a taxa de curto prazo de -0,1% para a faixa de 0% a 0,1%. Foi o primeiro aumento desde 2007. Na mesma decisão o banco abandonou o controle da curva de juros (yield curve control) e as compras de ETFs.
- Julho de 2024 — nova alta.
- Janeiro de 2025 — taxa vai a 0,50%, maior nível em 17 anos.
- Dezembro de 2025 — taxa vai a 0,75%, maior nível desde 1995.
- Junho de 2026 — taxa vai a 1,0%, maior nível em 31 anos.
Em 2 de setembro de 2026, Ueda declarou que a alta de juros está na mesa em todas as reuniões, inclusive a daquele mês, e que pretendia discutir com o conselho se os riscos altistas para os preços estavam aumentando — pré-requisito que o banco estabeleceu para seguir apertando. As pressões citadas incluem o conflito no Oriente Médio, a demanda global por infraestrutura de inteligência artificial e a trajetória de desvalorização do iene.
Quando é a próxima reunião do Banco do Japão
O Conselho de Política Monetária se reúne oito vezes por ano, em sessões de dois dias. As reuniões restantes de 2026 são:
- 17 e 18 de setembro
- 29 e 30 de outubro
- 17 e 18 de dezembro
O comunicado da decisão sai logo após o encerramento; o resumo de opiniões e as atas são publicados em datas posteriores previamente divulgadas.
Como funciona a política monetária japonesa
As decisões cabem ao Conselho de Política Monetária, formado por nove membros: o presidente, dois vice-presidentes e outros seis conselheiros. Vota-se por maioria simples.
A meta de estabilidade de preços é de 2% de variação anual do índice de preços ao consumidor, adotada em janeiro de 2013. Foi sob essa meta que o BOJ montou o arcabouço de afrouxamento quantitativo e qualitativo, depois combinado com juros negativos (a partir de 2016) e com o controle da curva de juros — instrumentos que o próprio banco declarou terem "cumprido seu papel" ao desmontá-los em março de 2024.
Quem comanda o Banco do Japão
Kazuo Ueda é o 32º presidente do BOJ, com mandato de 9 de abril de 2023 a 8 de abril de 2028. Economista de formação acadêmica, sucedeu Haruhiko Kuroda, que conduziu o programa de estímulo massivo da década anterior. Os vice-presidentes são Shinichi Uchida e Ryozo Himino.
Além do presidente e dos vice-presidentes, a estrutura de dirigentes prevê seis membros do Conselho de Política Monetária, até três auditores, até seis diretores executivos e conselheiros.
Iene e intervenção cambial: o que o BOJ faz e o que não faz
A decisão de intervir no mercado de câmbio não é do Banco do Japão. Pelo Artigo 7 da Lei de Câmbio e Comércio Exterior, a autoridade legal é do ministro da Fazenda. O BOJ atua como agente: executa a operação conforme as instruções do ministro, usando a Conta Especial do Fundo Cambial (FEFSA), que é conta do governo japonês. O banco central também monitora o mercado, repassa informações ao ministério e cuida da liquidação das operações.
Na prática, isso significa que uma compra de ienes anunciada por Tóquio é decisão do governo, ainda que executada pela mesa do BOJ — distinção que costuma se perder na cobertura de mercado.
Em agosto de 2026, Japão e Estados Unidos confirmaram uma intervenção coordenada de compra de ienes, a primeira ação conjunta entre os dois países desde 2011. O anúncio foi feito pela ministra da Fazenda Satsuki Katayama, que afirmou que o Japão não hesitaria em agir novamente. Ainda assim, o iene voltou a romper a marca de 160 por dólar no início de setembro, pela primeira vez desde a intervenção conjunta.
A pressão dos Estados Unidos sobre o BOJ
Em 2026, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, passou a cobrar publicamente que o Banco do Japão eleve os juros — algo incomum para um chefe da pasta financeira dos EUA, que raramente comenta a política monetária de outro país soberano. Bessent disse esperar que o governo japonês e o BOJ "façam a coisa certa" e, em encontro com Ueda, defendeu medidas monetárias "decisivas" contra a fraqueza do iene, pedindo que o banco ancore as expectativas de inflação e evite volatilidade cambial excessiva.
A campanha teve efeito de mercado: os juros dos títulos públicos japoneses de referência atingiram o maior nível em três décadas, e os investidores passaram a precificar quase integralmente uma alta na reunião de setembro.
História e origem
O Banco do Japão foi criado em 1882, com capital inicial de 10 milhões de ienes e licença de operação por 30 anos. O capital foi sendo ampliado ao longo do tempo: 20 milhões em 1887, 30 milhões em 1895, 60 milhões em 1910 e 100 milhões em 1942.
Três leis moldaram a instituição. A Lei do Banco do Japão de 1882 estabeleceu o arcabouço original. A lei de 1942, promulgada em fevereiro daquele ano, reorganizou o banco em maio. E a lei de 1997, em vigor desde 1º de abril de 1998, deu ao BOJ a estrutura de governança atual, com ênfase na independência da política monetária.
O Conselho de Política Monetária foi criado em 1949, formalizando o mecanismo de decisão que segue em uso.
Perguntas frequentes
O Banco do Japão é o mesmo que o Banco do Brasil no Japão?
Não. O Banco do Japão é o banco central japonês e não atende clientes de varejo. O Banco do Brasil mantém operação própria no Japão, voltada à comunidade brasileira residente no país, com agências e serviços de remessa — trata-se de um banco comercial brasileiro, sem qualquer relação institucional com o BOJ.
Qual é o maior banco do Japão?
Entre os bancos comerciais, o Mitsubishi UFJ Financial Group (MUFG) é o maior do país em ativos e em valor de mercado, com cerca de US$ 2,7 trilhões a US$ 2,8 trilhões em ativos e participação de 8,4% no total de empréstimos domésticos em março de 2025. O MUFG nasceu em 2005 da fusão entre Mitsubishi Tokyo Financial Group e UFJ Holdings. O Banco do Japão, por ser o banco central, não entra nesse ranking.
Existe um "banco de reserva" do Japão?
Não com esse nome. Diferente dos Estados Unidos, onde o sistema se chama Federal Reserve, a autoridade monetária japonesa é o Banco do Japão. A expressão aparece em traduções livres, mas não corresponde a nenhuma instituição existente.
Por que o Banco do Japão manteve juros tão baixos por tanto tempo?
O país conviveu por décadas com deflação e crescimento fraco após o estouro da bolha de ativos dos anos 1990. A resposta do BOJ foi um programa de estímulo de escala inédita — juros zerados, depois negativos, compra maciça de títulos públicos e de ETFs e o controle da curva de juros. Só quando a inflação passou a se sustentar acima da meta de 2% o banco começou a desmontar esse arranjo, a partir de março de 2024.
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