Banco do Japão eleva taxa de juros para 1,25%, maior nível desde 1995
O Banco do Japão aumentou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, atingindo o patamar de 1,25% em uma decisão voltada ao controle da inflação.
Pontos principais
- O Banco do Japão elevou a taxa de juros overnight sem garantia para cerca de 1,25%.
- A decisão foi aprovada pelo conselho de política monetária com 7 votos a 2.
- O novo patamar de 1,25% é o mais alto registrado no país desde 1995.
- A taxa do depósito complementar foi ajustada para 1,25% e a basic loan rate para 1,5%.
- Os membros Toichiro Asada e Ayano Sato votaram contra o aumento da taxa.
- O Banco do Japão indicou que a inflação subjacente se aproxima da meta de 2%.
- A autoridade monetária citou o repasse de reajustes salariais e a demanda por IA como fatores econômicos.
- O comunicado oficial sinalizou a continuidade de um ritmo trimestral de aperto monetário.
- O iene apresentou desvalorização de até 0,5% frente ao dólar após o anúncio da decisão.
- As novas taxas entram em vigor a partir de 24 de setembro de 2026.
O Banco do Japão anunciou nesta sexta-feira a elevação de sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, elevando o custo do crédito para 1,25%. A decisão, tomada pelo conselho de política monetária com 7 votos a 2, marca o patamar mais elevado para a taxa de juros japonesa desde 1995. O ajuste também impactou outras modalidades, com a taxa do depósito complementar subindo para 1,25% e a basic loan rate atingindo 1,5%, com vigência oficial a partir de 24 de setembro de 2026.
Segundo o comunicado oficial da autoridade monetária, a medida é uma resposta direta à trajetória da inflação subjacente, que se aproxima da meta de 2%. O banco central japonês destacou que a economia do país apresenta um crescimento moderado, impulsionado pelo repasse de reajustes salariais aos preços ao consumidor e pela expansão da demanda por investimentos em tecnologias de inteligência artificial. Contudo, a instituição reconheceu a existência de fraquezas pontuais decorrentes do cenário geopolítico no Oriente Médio.
A votação não foi unânime, revelando divisões internas na diretoria do banco. Os membros Toichiro Asada e Ayano Sato votaram contra o aumento, uma dissidência que gerou reações imediatas no mercado financeiro. Logo após o anúncio, o iene registrou uma desvalorização de até 0,5% frente ao dólar, refletindo a cautela dos investidores diante da sinalização de que o banco central entrou em uma nova fase de política monetária.
Analistas observam que este movimento de aperto monetário coloca o Japão em sintonia com a tendência global de combate à inflação, embora em um ritmo próprio. O Banco do Japão sinalizou explicitamente que pretende manter um ritmo trimestral de ajustes, visando evitar que a inflação ultrapasse os limites estabelecidos pela meta oficial. A mudança de postura altera a atratividade de ativos japoneses em relação a mercados como o dos Estados Unidos, onde investidores monitoram de perto o diferencial de juros.
Esta decisão encerra um longo período de taxas extremamente baixas no Japão, sinalizando uma mudança estrutural na gestão econômica do país. Com a inflação pressionada por custos de energia e pressões externas, o Banco do Japão reforça seu compromisso com a estabilidade de preços, mesmo diante de riscos globais. O mercado agora aguarda os próximos passos da autoridade monetária para avaliar a extensão do ciclo de alta nos próximos trimestres.
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