Aproximação com ala radical prejudica liderança de Flávio Bolsonaro
Analistas apontam que a aproximação de Flávio Bolsonaro com figuras radicais dificultou sua consolidação como líder da oposição no Brasil, e a carta que ele publicou depois de deixar o país ampliou o desconforto entre aliados.
Pontos principais
- Ivan Fernandes avalia que a aproximação com figuras radicais dificultou a expansão da base de Flávio para o centro.
- A aproximação com Pablo Marçal, Lucas Pavanato e Nikolas Ferreira teria prejudicado a imagem de moderado do senador.
- Derrotado por Lula no segundo turno, Flávio recebeu quase 60 milhões de votos.
- Na carta publicada em 28 de outubro, Flávio alega fraude eleitoral sem apresentar provas e pede a cassação da chapa Lula-Alckmin.
- Flávio deixou o Brasil para os Estados Unidos e diz que liderará a oposição de lá.
- Fernandes cita Tarcísio de Freitas, Michelle Bolsonaro e Cleitinho como possíveis nomes para a liderança da direita.
A estratégia de Flávio Bolsonaro na reta final da campanha, de dar mais espaço a Pablo Marçal, Lucas Pavanato e Nikolas Ferreira, teria custado ao senador a chance de liderar a oposição a Lula. Segundo o cientista político Ivan Fernandes, a aproximação dificultou a expansão de sua base para o centro.
Flávio deixou o Brasil em 28 de outubro e, dos Estados Unidos, publicou uma carta no X em que fala em “fraude eleitoral” na noite de 25 de outubro, sem apresentar provas, e afirma que há motivos para cassar a chapa Lula-Alckmin. Ele atribui ao STF a extensão da votação e diz não haver mandado de prisão contra ele. Sete minutos depois da fraude, afirma, um juiz citado no inquérito que tentou apreender seus passaportes pôs em marcha a “perseguição política”.
A primeira versão da carta se apresentava como “verdadeiro presidente eleito do Brasil”; no mesmo dia, Flávio a trocou por “líder do Brasil”. Dos Estados Unidos, diz que liderará a oposição e se dirige a senadores, deputados e governadores que ajudou a eleger, em especial a Rogério Marinho, seu candidato à presidência do Senado.
Para Fernandes, o obstáculo dessas lideranças é conquistar uma base ainda fortemente ligada a Jair Bolsonaro: “Quem tem voto é Jair Messias Bolsonaro”.
