Analistas revisam recomendações para bancos após eleições
Instituições financeiras priorizam bancos com maior previsibilidade de lucros e resiliência diante do cenário de juros elevados no Brasil.
Pontos principais
- O Itaú Unibanco segue como a preferência dos analistas, pela geração de capital, rentabilidade e disciplina no crédito, segundo o Citi.
- O Itaú BBA rebaixou o Bradesco para market perform e cortou o preço-alvo de R$ 22 para R$ 20.
- O JPMorgan rebaixou o Bradesco para neutra, com preço-alvo de R$ 18, por piora na qualidade dos ativos.
- O Citi rebaixou o Bradesco pelo ambiente mais adverso para crédito e inadimplência, e o Banco do Brasil pela incerteza sobre a carteira do agronegócio.
- Segundo o Citi, o valuation do setor voltou ao nível anterior ao rali eleitoral, mas com juros mais altos, prêmio de risco maior e dólar mais forte.
- O Citi alerta que o mercado pode estar otimista demais com o efeito dos juros altos sobre as margens dos bancos.
Depois das eleições, analistas revisaram recomendações para os bancos brasileiros e passaram a preferir lucros mais previsíveis, geração de caixa forte e menor sensibilidade ao ciclo econômico, em um cenário de juros altos por mais tempo. O Itaú Unibanco ficou como a principal escolha: segundo o Citi, o banco combina geração de capital, rentabilidade e disciplina no crédito, e tende a ganhar participação em momentos de estresse.
O Bradesco perdeu apoio. O Itaú BBA o rebaixou para market perform, equivalente a neutra, e cortou o preço-alvo de R$ 22 para R$ 20, citando crescimento mais lento da carteira e mais provisões. O JPMorgan foi para neutra, com preço-alvo de R$ 18, por piora na qualidade dos ativos. O Citi também o rebaixou, pelo ambiente mais adverso para crédito e inadimplência.
O Citi rebaixou o Banco do Brasil pela incerteza sobre a carteira do agronegócio e a qualidade dos ativos, e não pela exposição ao ciclo. Para o banco, o valuation do setor voltou aos níveis anteriores ao rali eleitoral, mas o cenário é mais duro, com juros mais altos, prêmio de risco maior, dólar mais forte e atividade mais fraca em 2027. O Citi alerta que o mercado pode estar otimista demais sobre o efeito dos juros altos nas margens, já que menor demanda por crédito, crescimento mais lento e mais provisões podem anular esse ganho.
