Queda na abstenção e mobilização eleitoral explicam erro em pesquisas
Especialistas apontam que a redução recorde na abstenção e o comportamento do eleitorado na reta final divergiram das projeções para o segundo turno.
Pontos principais
- Lula venceu o segundo turno com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro.
- A abstenção caiu de 21,1% no primeiro turno para 19,22% no segundo, totalizando 3 milhões de eleitores a mais.
- Lula conquistou 10,4 milhões de novos votos entre os turnos, enquanto Flávio Bolsonaro adicionou 3,7 milhões.
- Pesquisas de institutos como Datafolha, Quaest e AtlasIntel subestimaram a votação final do petista.
- A Futura Inteligência foi o instituto que mais se aproximou do resultado oficial ao captar a tendência de crescimento.
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, com 51,79% dos votos válidos, divergiu das projeções da maioria dos institutos de pesquisa e prediction markets. Especialistas atribuem o descompasso a uma falha na previsão da taxa de abstenção, que recuou para 19,22% no segundo turno, permitindo que 3 milhões de eleitores adicionais comparecessem às urnas em comparação ao primeiro pleito. Esse movimento de mobilização, que incluiu a redução de 1,8 milhão de votos brancos e nulos, foi decisivo para a virada do petista, que angariou 10,4 milhões de novos votos na etapa final.
Analistas do setor eleitoral destacam que o fenômeno do 'differential turnout' — a diferença de comparecimento entre grupos de eleitores — não foi devidamente captado pelas sondagens de véspera. Enquanto institutos como Datafolha, Quaest e AtlasIntel indicavam vantagem para Flávio Bolsonaro, a Futura Inteligência foi o instituto que mais se aproximou do resultado oficial ao identificar uma tendência de crescimento de Lula nos dias finais. O debate atual entre especialistas foca na necessidade de aprimorar metodologias, sugerindo a combinação de modelos, pesquisas mais contínuas e uma interpretação mais cautelosa das margens de erro para evitar que probabilidades sejam tratadas como certezas pelo mercado e pelo público.
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