Tribunal rejeita recurso de Trump sobre votos na Califórnia sem julgar o mérito
O Nono Tribunal de Apelações dos EUA rejeitou por falta de jurisdição o recurso do governo federal que pedia a separação de cédulas por correspondência de mais de 20 mil eleitores que considera possivelmente não cidadãos, e o caso segue no tribunal distrital da Califórnia.
Pontos principais
- O Nono Tribunal de Apelações dos EUA rejeitou o recurso por falta de jurisdição e não julgou o mérito da disputa.
- A decisão foi de 2 a 1, com o juiz Bumatay dissentindo.
- O governo federal pediu a separação das cédulas de mais de 20 mil eleitores que considera possivelmente não cidadãos, em lista enviada ao condado de Los Angeles em 13 de outubro.
- O governo entrou com a ação em 15 de outubro, pediu liminar até 3 de novembro e, em 21 de outubro, decisão até o meio-dia do dia seguinte; recorreu à Corte em 22 de outubro, enquanto o tribunal distrital mantinha a audiência marcada.
- O condado de Los Angeles informou ter processado mais de 331 mil cédulas desde 5 de outubro.
- Segundo o juiz Bumatay, a Corte tinha jurisdição, e a lei federal que proíbe o voto de estrangeiros provavelmente prevalece sobre a conduta da Califórnia.
O Nono Tribunal de Apelações dos Estados Unidos rejeitou o recurso do governo federal que pedia a separação das cédulas enviadas a eleitores considerados possivelmente não cidadãos, e a checagem de cidadania antes da apuração. A Corte se declarou sem jurisdição porque o governo não deu tempo suficiente ao tribunal distrital para decidir o pedido de liminar. Para os juízes, a urgência alegada é, ao menos em parte, obra do próprio governo, que demorou a acionar a Justiça. No precedente de 2025 da Suprema Corte que o governo invocou, a inação do tribunal foi tratada como recusa, mas ali havia risco imediato de deportação, o que não se repetia no caso da Califórnia.
O juiz Bennett, em voto concorrente, afirma que, mesmo se houvesse jurisdição, negaria o pedido: a lei federal que criminaliza o voto de estrangeiros não trata de como os estados processam cédulas, e o condado de Los Angeles diz não conseguir separar as cédulas com segurança antes da eleição. O juiz Sanchez acrescenta que o princípio Purcell, que veda a juízes federais alterar regras eleitorais perto da votação, bloquearia a medida. A Corte não decidiu se a Califórnia pode ser obrigada a separar as cédulas; a questão segue no tribunal distrital, que ouvirá as partes na audiência marcada para 27 de outubro.
