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Forças Armadas dos EUA concedem à SpaceX acesso a dados de rastreamento

A Força Espacial dos EUA assinou com a SpaceX um acordo que dá à empresa acesso à versão mais detalhada do catálogo de objetos em órbita do Comando Espacial, em troca de dados das câmeras Stargaze, e que preocupa concorrentes do setor.

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Foto: Época Negócios
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25/10 às 09:31, atualizado 15:15

Pontos principais

  • Um funcionário da Força Espacial, sob anonimato, confirma contrato assinado entre a SpaceX e a célula de operações comerciais conjuntas (JCO) da força.
  • A SpaceX recebe a versão mais detalhada do catálogo de alta precisão do Comando Espacial (SPACECOM), que inclui margens de erro de covariância, segundo fontes da indústria; a JCO recebe dados de rastreamento das câmeras Stargaze.
  • Segundo a Força Espacial, a SpaceX não pode usar os dados para qualquer ganho ou benefício comercial. Para fontes de governo e da indústria, não está claro se o uso pode beneficiar indiretamente produtos da empresa para operadores civis.
  • A Força Espacial afirma que os dados são informação controlada não classificada (CUI), e não sigilosa, e que as trocas com outras empresas não incluem nenhuma informação classificada.
  • O Stargaze usa cerca de 30 mil câmeras em satélites Starlink e enxerga mais de 80% do catálogo da Força Espacial abaixo de 600 km, segundo Jon Herman, da SpaceX.
  • Segundo a Quilty Space, em análise de agosto, a DARPA destinou US$ 107,7 milhões em contratos à SpaceX para o trabalho que levou ao Stargaze, no programa Space-WATCH.
  • O Departamento de Comércio recebe parte desses mesmos dados para o TraCSS, que cobre outras órbitas além da baixa, enquanto o Stargaze só olha a órbita baixa.

Segundo fontes de governo e da indústria, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos concedeu à SpaceX acesso exclusivo aos dados de rastreamento de objetos em órbita mais restritos do país, sem que se saiba quando o arranjo começou. A SpaceX não respondeu a perguntas sobre os termos. Na conferência AMOS, no Havaí, em setembro, o executivo Jon Herman, questionado sobre o acordo, não tratou dele especificamente.

Representantes do setor temem que, se o Stargaze, gratuito, passar a usar os dados de covariância, ele se torne a principal referência em órbita baixa e, com a saída dos concorrentes, possa em tese cobrar pelo serviço. Audrey Schaffer, da Slingshot Aerospace, afirma que é muito difícil competir com um serviço gratuito quando se tem custos. Analistas dizem que a medida é bem-vinda se o uso ficar restrito à segurança dos satélites da própria SpaceX, que somam mais da metade do tráfego em órbita baixa, mas um analista do setor afirma que o acordo dá à empresa uma vantagem de mercado injusta. Nenhuma fonte apontou evidência de que o acordo tenha influenciado os produtos do Stargaze.

Fontes de governo e da indústria também temem que o Stargaze seja visto como substituto privado do TraCSS, o que eliminaria outra fonte de receita para as empresas de rastreamento espacial.

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