Investigação aponta que vítimas de funeral no Quênia não participavam de atos
Análise da BBC revela que três pessoas mortas pela polícia no funeral de Raila Odinga em 2025 não estavam envolvidas em confrontos no estádio.
Pontos principais
- Três pessoas foram mortas a tiros pela polícia durante a despedida de Raila Odinga em 16 de outubro de 2025.
- Análise de 1.500 imagens mostra que as vítimas estavam distantes dos focos de violência.
- A investigação sugere que uma unidade de elite da proteção presidencial pode ter disparado os tiros.
- O governo queniano defendeu a ação policial, alegando que houve pressão e arremesso de objetos.
- Um ano após o incidente, a autoridade de supervisão policial ainda não responsabilizou ninguém pelas mortes.
Uma investigação conduzida pela BBC Africa Eye revelou que três pessoas mortas pela polícia durante o funeral do ex-primeiro-ministro Raila Odinga, em outubro de 2025, não participavam dos confrontos registrados no Kasarani Stadium, em Nairobi. A análise de mais de 1.500 vídeos e fotografias demonstrou que as vítimas estavam posicionadas a uma distância entre 60 e 160 metros dos focos de violência, contradizendo a narrativa oficial de que a ação policial foi uma resposta direta à multidão agressiva.
O ministro do Interior do Quênia, Kipchumba Murkomen, defendeu a atuação das forças de segurança, argumentando que os agentes agiram sob pressão após o início de arremessos de objetos. No entanto, evidências sugerem que os disparos fatais podem ter sido efetuados por uma unidade de elite responsável pela proteção do presidente. Até o momento, a autoridade de supervisão policial do país segue investigando o caso, mas nenhum responsável pelas mortes foi identificado ou punido um ano após o ocorrido.
