Estudo da USP aponta desigualdade geopolítica na resposta ao Ebola
Pesquisa revela que a mobilização internacional contra o Ebola é priorizada apenas quando há risco de propagação para países desenvolvidos.
Pontos principais
- A resposta global a surtos de Ebola é influenciada por fatores geopolíticos e econômicos.
- A mobilização internacional é mais lenta quando a epidemia permanece restrita a nações africanas.
- A percepção de risco para o Norte Global em 2014 alterou a priorização política e o envio de recursos.
- A concentração de tecnologias e tratamentos em países desenvolvidos dificulta o combate a epidemias em regiões afetadas.
Um estudo realizado pela USP aponta que a resposta internacional a surtos de Ebola é moldada por desigualdades geopolíticas e econômicas. Segundo a pesquisa, a mobilização de recursos e a atenção global tendem a ser significativamente mais lentas enquanto a doença permanece restrita a países africanos, sendo aceleradas apenas quando surge o risco de propagação para o chamado Norte Global.
O levantamento destaca que, em 2014, a percepção de ameaça externa levou o Conselho de Segurança da ONU a adotar a Resolução 2177, classificando o Ebola como um risco à paz internacional. Em contraste, o surto de 2018 na República Democrática do Congo enfrentou atrasos na mobilização e na declaração de emergência pela OMS. O trabalho conclui que a concentração de tecnologias e tratamentos em nações desenvolvidas cria barreiras críticas para o enfrentamento eficaz de emergências de saúde pública em escala global.
