Stablecoins de dólar movimentam 15 vezes mais que Bitcoin no Brasil
Dados da Receita Federal mostram que stablecoins superaram o Bitcoin no volume de transações brasileiras no primeiro semestre de 2026.
Pontos principais
- O Tether (USDT) movimentou quase R$ 200 bilhões no Brasil no primeiro semestre de 2026.
- O volume transacionado em Bitcoin caiu 45% no mesmo período, totalizando R$ 13,2 bilhões.
- A USD Coin (USDC) registrou R$ 38,3 bilhões em movimentações, um crescimento de quatro vezes em relação ao ano anterior.
- O número de transações com Bitcoin recuou 30%, enquanto operações com Ethereum e Solana caíram cerca de 50%.
- Especialistas apontam que as stablecoins estão sendo usadas como infraestrutura para pagamentos e remessas internacionais.
- A mudança de perfil reflete uma transição de ativos puramente especulativos para ferramentas de uso financeiro cotidiano.
O mercado de criptoativos no Brasil registrou uma mudança significativa no perfil de uso durante o primeiro semestre de 2026. Dados da Receita Federal revelam que as stablecoins, especialmente as lastreadas em dólar, consolidaram-se como a principal forma de movimentação financeira no setor, superando amplamente o volume de criptomoedas tradicionais como Bitcoin, Ethereum e Solana. Enquanto o volume do Tether (USDT) atingiu quase R$ 200 bilhões, o Bitcoin viu seu volume transacionado recuar 46% em comparação ao ano anterior, refletindo uma queda tanto na procura por ativos especulativos quanto na desvalorização do preço do ativo em dólar.
Especialistas do setor avaliam que esse movimento indica uma transformação das stablecoins em infraestrutura financeira, sendo utilizadas para pagamentos de fornecedores, recebimentos de clientes no exterior e transferências transfronteiriças. Diferente do Bitcoin, que historicamente serviu como reserva de valor, as stablecoins oferecem maior estabilidade para operações rotineiras, funcionando como uma alternativa eficiente a sistemas bancários tradicionais. Embora o cenário macroeconômico, marcado por incertezas geopolíticas, tenha influenciado a cautela dos investidores, o uso desses ativos como meio de pagamento sugere que o mercado brasileiro está integrando a tecnologia blockchain em fluxos de caixa corporativos e remessas internacionais.
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