Anthropic acusa empresas chinesas de clonar modelos de IA
A Anthropic revelou que sete laboratórios de IA da China, liderados pela Alibaba, usaram contas falsas para extrair o raciocínio do Claude e treinar seus próprios modelos, incluindo o Qwen.
Pontos principais
- Desde fevereiro de 2026, a Anthropic identificou campanhas de destilação ilícita de sete laboratórios de IA sediados na China.
- A maior campanha veio da Alibaba (Qwen/Tongyi Lab): mais de 151 milhões de trocas entre maio e julho, com pico de quase 3 milhões por dia, via mais de 3,5 mil contas fraudulentas.
- A Moonshot (Kimi) redirecionou secretamente pedidos de usuários ao Claude e devolveu as respostas como próprias: mais de 23 milhões de trocas entre maio e julho, incluindo quase 300 mil pedidos em dez dias via 5.380 contas falsas, a maioria ligada a Singapura e Japão.
- A DeepSeek redirecionou pedidos vindos de ferramentas como o Claude Code e registrou mais de 12,1 milhões de trocas em 14 dias de julho de 2026.
- A Zhipu (Z.ai) rodou um pipeline de extração de raciocínio contra o Opus 4.8 com 273 contas fraudulentas e depois tentou destilar capacidades cibernéticas de outro modelo de fronteira dos EUA, após falhar contra o Fable, o modelo mais recente da própria Anthropic.
- A Anthropic também citou a Xiaomi (mais de 400 mil pedidos via 1,5 mil contas), a SenseTime e a MiniMax, que teria criado uma rede de proxy via empresa de fachada oferecendo acesso só a modelos da Anthropic e da OpenAI, não aos próprios.
- Consultas desviadas pela Moonshot incluíram um usuário associado ao Exército chinês analisando imagens de câmeras de vigilância em Chengdu, perto de instalações militares.
- O Ministério do Comércio da China negou as acusações de destilação em escala industrial e sinalizou possíveis contramedidas contra restrições dos EUA.
A Anthropic publicou, em seu relatório trimestral de inteligência de ameaças, que identificou desde fevereiro de 2026 campanhas de destilação ilícita atribuídas a sete laboratórios de inteligência artificial sediados na China. Segundo a empresa, esses laboratórios usaram redes de contas fraudulentas e desviaram pedidos de usuários para extrair as capacidades de raciocínio dos modelos Claude Opus e treinar seus próprios sistemas, apresentando as respostas como se fossem geradas internamente.
A maior campanha, segundo o relatório, partiu de operadores ligados à Alibaba (Qwen/Tongyi Lab), responsáveis por mais de 151 milhões de trocas entre maio e julho de 2026, com picos de quase 3 milhões por dia, via mais de 3,5 mil contas falsas, extraindo o raciocínio do Opus 4.6 e 4.7 para treinar o Qwen 3.5, 3.6 e 3.7. A Moonshot (Kimi) e a DeepSeek usaram técnica semelhante, reencaminhando sessões para reconstruir o raciocínio bruto do Claude e driblar a proteção de "thinking signature" da Anthropic.
Dados desviados nesses redirecionamentos expuseram informações sensíveis, segundo a Anthropic: um usuário associado ao Exército chinês usou o que pensava ser o Kimi para analisar câmeras de vigilância em Chengdu, perto de instalações militares, e pedidos redirecionados pela DeepSeek expuseram credenciais de um banco de dados de uma agência de defesa russa e de um sistema policial chinês de rastreamento de cidadãos.
O Ministério do Comércio da China negou as acusações de destilação em escala industrial e sinalizou que pode adotar contramedidas contra restrições impostas pelos Estados Unidos. Em resposta, a Anthropic diz ter reforçado suas defesas, exigindo verificação de identidade de contas de países como China, Rússia e Irã.
