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Anthropic acusa empresas chinesas de clonar modelos de IA

A Anthropic revelou que sete laboratórios de IA da China, liderados pela Alibaba, usaram contas falsas para extrair o raciocínio do Claude e treinar seus próprios modelos, incluindo o Qwen.

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Foto: Hngn
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10/09 às 14:45, atualizado 11/09 às 09:16

Pontos principais

  • Desde fevereiro de 2026, a Anthropic identificou campanhas de destilação ilícita de sete laboratórios de IA sediados na China.
  • A maior campanha veio da Alibaba (Qwen/Tongyi Lab): mais de 151 milhões de trocas entre maio e julho, com pico de quase 3 milhões por dia, via mais de 3,5 mil contas fraudulentas.
  • A Moonshot (Kimi) redirecionou secretamente pedidos de usuários ao Claude e devolveu as respostas como próprias: mais de 23 milhões de trocas entre maio e julho, incluindo quase 300 mil pedidos em dez dias via 5.380 contas falsas, a maioria ligada a Singapura e Japão.
  • A DeepSeek redirecionou pedidos vindos de ferramentas como o Claude Code e registrou mais de 12,1 milhões de trocas em 14 dias de julho de 2026.
  • A Zhipu (Z.ai) rodou um pipeline de extração de raciocínio contra o Opus 4.8 com 273 contas fraudulentas e depois tentou destilar capacidades cibernéticas de outro modelo de fronteira dos EUA, após falhar contra o Fable, o modelo mais recente da própria Anthropic.
  • A Anthropic também citou a Xiaomi (mais de 400 mil pedidos via 1,5 mil contas), a SenseTime e a MiniMax, que teria criado uma rede de proxy via empresa de fachada oferecendo acesso só a modelos da Anthropic e da OpenAI, não aos próprios.
  • Consultas desviadas pela Moonshot incluíram um usuário associado ao Exército chinês analisando imagens de câmeras de vigilância em Chengdu, perto de instalações militares.
  • O Ministério do Comércio da China negou as acusações de destilação em escala industrial e sinalizou possíveis contramedidas contra restrições dos EUA.

A Anthropic publicou, em seu relatório trimestral de inteligência de ameaças, que identificou desde fevereiro de 2026 campanhas de destilação ilícita atribuídas a sete laboratórios de inteligência artificial sediados na China. Segundo a empresa, esses laboratórios usaram redes de contas fraudulentas e desviaram pedidos de usuários para extrair as capacidades de raciocínio dos modelos Claude Opus e treinar seus próprios sistemas, apresentando as respostas como se fossem geradas internamente.

A maior campanha, segundo o relatório, partiu de operadores ligados à Alibaba (Qwen/Tongyi Lab), responsáveis por mais de 151 milhões de trocas entre maio e julho de 2026, com picos de quase 3 milhões por dia, via mais de 3,5 mil contas falsas, extraindo o raciocínio do Opus 4.6 e 4.7 para treinar o Qwen 3.5, 3.6 e 3.7. A Moonshot (Kimi) e a DeepSeek usaram técnica semelhante, reencaminhando sessões para reconstruir o raciocínio bruto do Claude e driblar a proteção de "thinking signature" da Anthropic.

Dados desviados nesses redirecionamentos expuseram informações sensíveis, segundo a Anthropic: um usuário associado ao Exército chinês usou o que pensava ser o Kimi para analisar câmeras de vigilância em Chengdu, perto de instalações militares, e pedidos redirecionados pela DeepSeek expuseram credenciais de um banco de dados de uma agência de defesa russa e de um sistema policial chinês de rastreamento de cidadãos.

O Ministério do Comércio da China negou as acusações de destilação em escala industrial e sinalizou que pode adotar contramedidas contra restrições impostas pelos Estados Unidos. Em resposta, a Anthropic diz ter reforçado suas defesas, exigindo verificação de identidade de contas de países como China, Rússia e Irã.

Fonte primária

Anthropic

Detecting and countering misuse of AI: September 2026 — Illicit distillation

No relatório de threat intelligence de setembro de 2026, a Anthropic afirma ter detectado e interrompido, desde fevereiro de 2026, campanhas de distillation não autorizadas atribuídas com alta confiança a laboratórios de IA da China, visando os modelos Opus. GTG-16005: operadores ligados à Alibaba (Qwen/Tongyi Lab) executaram o maior ataque de distillation já medido pela empresa — mais de 151 milhões de trocas entre maio e julho de 2026, com pico de quase 3 milhões de trocas/dia via mais de 3.500 contas fraudulentas, extraindo o raciocínio em cadeia (chain-of-thought) do Opus 4.6 e 4.7 por meio de um prompt fixo, convertido em dados de fine-tuning supervisionado para treinar Qwen 3.5, 3.6 e 3.7. GTG-16002: a Moonshot AI (Kimi) encaminhou secretamente, sem avisar seus clientes, pedidos de usuários para o Claude e devolveu as respostas do Claude como se fossem do Kimi — mais de 23 milhões de trocas atribuídas entre maio e julho de 2026, incluindo, em um período de dez dias, quase 300 mil pedidos via rede de 5.380 contas fraudulentas; a Moonshot também driblou a proteção de 'thinking signature' via ataque de replay entre sessões para extrair o raciocínio bruto do Claude, e algumas dessas trocas expõem, segundo a Anthropic, atividade de vigilância ligada ao EPL (PLA) via câmeras em Chengdu. GTG-16001: a DeepSeek usou a mesma técnica de replay entre sessões para extrair raciocínio do Opus e também redirecionou secretamente pedidos de usuários (inclusive vindos de harnesses como Claude Code) para o Claude — mais de 12,1 milhões de trocas em 14 dias de julho de 2026, incluindo casos de dados sensíveis de uma empresa de tecnologia chinesa, de uma agência de defesa russa e de vigilância policial na China. GTG-16006: a Zhipu (Z.ai) rodou um pipeline de extração de chain-of-thought contra o Opus 4.8 usando 273 contas fraudulentas, com 770.609 trocas em dez dias em junho, além de atacar capacidades cibernéticas de modelos de fronteira dos EUA. A Anthropic diz que essas práticas provavelmente violam leis de privacidade e os próprios termos de serviço desses laboratórios, e que reforçou salvaguardas técnicas (resumo do raciocínio interno, 'preserved thinking', verificação de identidade) em resposta.

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