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Milei anuncia sanções a empresas que exploram petróleo nas Malvinas

O presidente argentino Javier Milei determinou o bloqueio de empresas que operam nas Ilhas Malvinas sem autorização, em meio a uma escalada diplomática.

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Foto: Folha de São Paulo - Mundo
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04/09 às 00:01, atualizado 11:33

Pontos principais

  • Javier Milei anunciou em cadeia nacional a inabilitação de empresas que operam nas Malvinas sem aval argentino.
  • O decreto estende sanções a acionistas, diretores e fornecedores envolvidos em projetos de extração na região.
  • A medida visa acelerar procedimentos sancionatórios previstos na Lei 26.659 contra exploração de recursos naturais.
  • O governo argentino planeja construir uma base naval integrada na Terra do Fogo para reforçar a presença no Atlântico Sul.
  • O projeto de petróleo Sea Lion, com participação da Navitas Petroleum e Rockhopper Exploration, é o principal alvo.
  • O Reino Unido reiterou que a soberania das ilhas é inegociável e apoiada pela vontade dos habitantes locais.
  • O presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizou que pretende reavaliar a neutralidade americana na disputa territorial.
  • A ofensiva diplomática ocorre em um momento de queda na popularidade de Milei, que registra 37% de aprovação.
  • O governo britânico classificou o apoio às ilhas como inabalável após as novas declarações de Buenos Aires.

O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou em cadeia nacional uma ofensiva contra empresas que exploram recursos naturais nas Ilhas Malvinas. Em pronunciamento gravado na Casa Rosada, Milei declarou que o governo inabilitará de operar em território argentino qualquer companhia envolvida, direta ou indiretamente, em projetos no arquipélago sem autorização oficial. O presidente afirmou que assinou um decreto para conferir maior celeridade aos procedimentos sancionatórios previstos na Lei 26.659, estendendo as punições a acionistas, diretores e fornecedores das empresas que participam de iniciativas de extração de petróleo na região sob administração britânica. A medida foca especialmente no projeto Sea Lion, que tem previsão de início de produção para 2028.

Em resposta imediata, o governo do Reino Unido reafirmou que a soberania sobre as Ilhas Malvinas é inegociável. O ministro das Relações Exteriores britânico, Ed Miliband, destacou que a posição de Londres permanece inabalável e conta com o apoio da maioria dos habitantes locais, que se identificam como britânicos. A disputa, que remonta ao conflito armado ocorrido há 44 anos, ganhou novos contornos com o anúncio de Milei sobre a construção de uma base naval integrada na Terra do Fogo, visando fortalecer a presença argentina no Atlântico Sul.

O cenário diplomático tornou-se mais complexo com a sinalização do presidente dos EUA, Donald Trump, de que estaria reavaliando a posição de neutralidade histórica mantida por Washington em relação à soberania do arquipélago. Milei tem utilizado essas declarações como um pilar de sua estratégia, argumentando que os "ventos de mudança" favorecem a causa argentina. O presidente argentino busca consolidar sua proximidade com a atual gestão americana, apesar das críticas internas sobre a eficácia de sua política externa em meio a desafios econômicos domésticos.

A escalada na retórica de Milei coincide com um período de queda em sua popularidade, que, segundo dados da AtlasIntel, atingiu 37%. Analistas observam que a retomada da pauta das Malvinas serve como um elemento de coesão política interna, ao mesmo tempo em que pressiona empresas globais de energia, como a Navitas Petroleum e a Rockhopper Exploration, a reconsiderarem seus investimentos em uma zona de disputa territorial ativa. A situação permanece tensa, com ambos os países mantendo posições rígidas que dificultam qualquer perspectiva de negociação diplomática no curto prazo.

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