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Incorporadoras do MCMV elevam uso de pró-soluto em meio a risco

O aumento do financiamento direto pelas construtoras reflete a escassez de crédito via FGTS e eleva a preocupação com a inadimplência no setor.

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01/09 às 21:43

Pontos principais

  • Incorporadoras como Plano&Plano e Tenda ampliaram o uso de pró-soluto para viabilizar vendas diante da menor disponibilidade de recursos do FGTS.
  • O pró-soluto da Plano&Plano deve atingir 12% do valor vendido em 2026, com carteira de R$ 696 milhões, alta de 38% em um ano.
  • Na Tenda, o pró-soluto pós-chaves subiu para 9,9% do VGV no segundo trimestre, ante 6,6% no ano anterior.
  • O programa Minha Casa, Minha Vida enfrenta pressão por funding, com 44% dos executivos apontando a dependência do FGTS como fragilidade.
  • O FGTS opera no limite prudencial, com saques extraordinários retirando R$ 15 bilhões do fundo apenas neste ano.
  • Analistas alertam que o pró-soluto, por não possuir garantias, aumenta a exposição das empresas ao risco de crédito em um cenário de juros altos.
  • Empresas como MRV e Plano&Plano iniciaram esforços para reduzir a exposição ao pró-soluto pós-chaves, considerado de maior risco.

O mercado imobiliário brasileiro observa com cautela o aumento do pró-soluto, modalidade em que as incorporadoras financiam diretamente parte do valor do imóvel aos compradores. O movimento é uma resposta à restrição de crédito tradicional, agravada pela pressão sobre o FGTS e pelo endividamento das famílias em um cenário de juros elevados. Embora o recurso seja essencial para manter a velocidade de vendas, analistas alertam que a estratégia eleva a exposição das companhias ao risco de inadimplência, especialmente no período pós-entrega das chaves.

O desafio é acentuado pela dependência estrutural do Minha Casa, Minha Vida em relação a fontes direcionadas. Com o FGTS operando no limite prudencial e a poupança SBPE em trajetória de queda, o setor busca alternativas no mercado de capitais, como CRIs e LCIs, para sustentar a meta de 1,5 milhão de unidades habitacionais para 2027. Enquanto a transição não se consolida, o uso do pró-soluto permanece como uma ferramenta de viabilização, embora as incorporadoras busquem limitar essa exposição a patamares mais seguros para evitar o comprometimento de seus balanços.

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