PF investiga tentativa de venda de canabidiol ao governo envolvendo Lulinha
Polícia Federal apura se o nome de Fábio Luís Lula da Silva foi usado por lobista para tentar vender medicamentos ao Ministério da Saúde sem licitação.
Pontos principais
- A investigação apura uma tentativa de venda de 1,2 milhão de frascos de canabidiol ao SUS pela empresa World Cannabis.
- A empresária Roberta Luchsinger é suspeita de usar o nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para abrir portas no governo.
- O Ministério da Saúde informou que não houve concretização de contrato, pois o produto não é incorporado à rede pública.
- A PGR solicitou ao STF o envio de inquéritos sobre o caso para a primeira instância, por ausência de autoridades com foro privilegiado.
- O presidente Lula defendeu a apuração dos vazamentos de dados sigilosos da PF sobre o caso e o depoimento rápido de seu filho.
- Registros da LAI indicam que Lulinha esteve 18 vezes no Palácio do Planalto entre junho de 2023 e janeiro de 2025.
- A defesa de Fábio Luís Lula da Silva nega qualquer irregularidade ou participação nas negociações mencionadas.
A Polícia Federal conduz uma investigação sobre uma suposta tentativa de venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, que teria envolvido o uso do nome de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo apurações, a empresária Roberta Luchsinger teria mencionado Lulinha em tratativas para viabilizar a contratação da empresa World Cannabis sem a realização de licitação. O Ministério da Saúde, contudo, afirmou que não houve qualquer negociação efetiva, uma vez que o fármaco em questão não faz parte da lista de insumos incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
O caso gerou desdobramentos jurídicos e políticos. A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se ao Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando que os inquéritos sobre o tema sejam remetidos à primeira instância da Justiça Federal. O órgão argumenta que, até o momento, não foram identificados indícios de conclusão de negócios com o poder público nem a participação de autoridades com foro por prerrogativa de função que justificassem a manutenção dos processos na corte superior. O pedido aguarda análise do ministro André Mendonça.
Em meio às investigações, o presidente Lula manifestou irritação com o vazamento de informações sigilosas da Polícia Federal e defendeu que o filho preste depoimento o mais rápido possível para esclarecer os fatos. O episódio tem gerado preocupação no PT devido ao potencial desgaste político, levando integrantes do partido a debaterem a necessidade de explicações sobre o trânsito da lobista Roberta Luchsinger em gabinetes do governo federal. A defesa de Lulinha nega qualquer envolvimento em tráfico de influência ou irregularidades nas tratativas citadas pelos investigadores.
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